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Benedito Antonio Luciano: Primeira comunhão

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 20 de agosto de 2020 às 8:12

Assim como o batismo, a Comunhão é um dos sacramentos da Igreja Católica. Simbolicamente, a comunhão representa a refeição dos filhos de Deus na qual o corpo e o sangue de Cristo são compartilhados com a assembleia pelas mãos do sacerdote. O corpo pela hóstia, feita de farinha de trigo e água sem adição de fermento e sal. O sangue pelo vinho.

Nascido em Coremas, numa família católica, fui batizado na Matriz Santa Rita de Cássia – PB, em 1954, tendo como celebrante o Padre João Leão. E a minha Primeira Comunhão ocorreu na Igreja Nossa Senhora do Rosário, Bairro da Prata, em Campina Grande – PB, em novembro de 1963, numa cerimônia que teve como celebrante o Cônego Cristóvão Ribeiro da Fonseca. 

Naquela época, antes de participar da Primeira Eucaristia, a criança cristã precisava ser catequizada. No meu caso, esse processo começou cedo, em casa, com as orientações de minha mãe e foi complementado na escola, com as aulas de Religião. 

Em casa, a criança aprendia o “Sinal-da-cruz” (“Pelo sinal, da Santa Cruz, livrai-nos Deus, nosso Senhor, dos nossos inimigos. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém”). Aprendia, também, a rezar algumas orações, como o “Santo Anjo da Guarda”, o “Pai Nosso” e a “Ave Maria”.

Na escola, nas aulas de Religião, eram ensinados os dez Mandamentos da Lei de Deus, os cinco mandamentos da Igreja, os sete pecados capitais, os sete sacramentos da igreja, os dons do Espírito Santo, as orações diárias do cristão e o rito da Santa Missa. 

Estando devidamente catequizados, enquanto os meninos e meninas esperavam ansiosamente pelo dia da Primeira Comunhão, os pais procuravam se informar junto à secretaria da paróquia quais as exigências a serem seguidas no tocante a roupa e adereços que as crianças deveriam usar por ocasião da cerimônia religiosa.

Tudo esclarecido e acordado entre as partes envolvidas, para mim chegou finalmente o grande dia. Saí de casa, numa manhã ensolarada de domingo, trajando roupa branca: calça e camisa de mangas compridas; sapatos e meias brancas; uma vela longa e branca decorada com motivos específicos para a cerimônia; uma fita em torno da vela; um terço de contas brancas e um pequeno catecismo na mão.

Da Primeira Comunhão preservo entre os meus alfarrábios o pequeno livro de catecismo, um terço de contas brancas e uma pequena gravura colorida de Nossa Senhora Auxiliadora que ganhei como lembrança. 

Dessa cerimônia, um fato inusitado que ficou na minha memória foi o que ocorreu com um colega que estudava comigo na mesma escola (Escolas Reunidas Monte Carmelo). Fomos instruídos que no momento da comunhão o Padre pronunciaria as palavras “O Corpo e o Sangue de Cristo” e nós responderíamos “Amém”, recebendo a hóstia na boca pelas mãos do Padre.

Fomos orientados, também que após comungar, deveríamos voltar aos nossos lugares e nos manter em silêncio, em Oração, como forma de demostrar a fé no Sacramento e agradecer a Deus pelas dádivas concedidas a nós e à nossa família.

Ele procedeu conforme tinha sido orientado, mas enquanto orava ajoelhado começou a chorar copiosamente. Nós, seus colegas, percebemos e ficamos preocupados. A nossa professora também percebeu e procurou saber dele o motivo pelo qual ele estava chorando.

– Ele disse: a hóstia está colada no céu da minha boca e eu estou com medo de ser pecado usar a língua para descolá-la. 

Tempos de inocência. Quanta pureza e reverência na atitude daquela criança!

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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