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Benedito Antonio Luciano: Poetas multifacetados

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 20 de outubro de 2019 às 10:36

Existem pessoas talentosas dotadas de várias habilidades, dentre elas vou destacar três colegas que se enquadram nessa categoria: José Antonio Assunção, Wilson Guerreiro Pinheiro e Roniere Leite Soares.

O primeiro, José Antonio Assunção é natural do Rio Grande do Norte, mais precisamente da localidade Vila do Melão, tendo passado a infância e início da adolescência na cidade de Cuité – PB.

Em 1967, ele mudou-se para Campina Grande – PB, onde estudou no Colégio Estadual da Prata. Em 1973, prestou vestibular e foi aprovado para o curso de graduação em Engenharia Elétrica, na então Escola Politécnica, em Campina Grande. Mas, não concluiu o curso. Trocou a engenharia pelo bacharelado em Matemática e por uma especialização em lógica matemática, pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

No decênio de 1970, atuou ativamente da cena artístico-cultural de Campina Grande, integrando o Grupo Teatral Cacilda Becker e publicando seus poemas revista literária Garatuja, cujo primeiro número foi lançado em setembro de 1977, tendo ele na condição de idealizador e um dos seus editores.
Embora tenha publicado apenas dois livros: “O câncer no pêssego” (1992) e “A trapaça da rosa”, o poeta José Antonio Assunção é considerado pelos críticos literários e pesquisadores acadêmicos como um dos expoentes de sua geração.

Em termos profissionais, José Antonio foi bancário, repórter e apresentador de telejornais na TV Paraíba e na TV Borborema, em Campina Grande, assessor de imprensa da UFPB e programador cultural da Rádio Universitária, em João Pessoa – PB, onde reside desde 1988.

O segundo colega, Wilson Guerreiro Pinheiro, é natural de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Ele é graduado em Engenharia Eletrônica pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (1970), Mestre em Engenharia Elétrica pela UFPB (1973) e Ph.D em Eletrônica pela Universidade de Southampton, Reino Unido (1979).

Entre os anos de 1971 e 1999, atuou como professor de Engenharia Elétrica no Centro de Ciências e Tecnologia no Campus II da UFPB, atual Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

O professor Guerreiro é um pesquisador versátil e produtivo, pois sempre conseguiu conciliar a arte da engenharia com outras artes, atuando como instrumentista, compositor, produtor musical, revisor de textos, poeta e como integrante da equipe de lexicografia e atualização do Dicionário Aurélio.

Em 2016, no dia 25 de agosto, foi lançado na Academia Paraibana de Letras, em João Pessoa, o primeiro livro literário de Wilson Guerreiro Pinheiro, tendo como título “Grãos de esperança: 300 haicais guilhermianos”.

O haicai é um tipo de poesia minimalista de origem japonesa, composta de três versos de 5, 7 e 5 sílabas, nesta ordem. O adjetivo guilhermianos diz respeito ao poeta paulista Guilherme de Almeida, que assumiu para si rimas do primeiro com o terceiro verso, tendo no segundo verso rimas internas na segunda e na sétima sílaba.

Atualmente, Guerreiro reside em João Pessoa, onde atua como membro do Laboratório de Composição Musical da UFPB e dedica-se à produção de peças sonoras para teatro, vídeo e orquestra sinfônica.

O terceiro poeta multifacetado, o colega Roniere Leite Soares, é natural de Campina Grande-PB. Ele é graduado em Desenho Industrial pela UFPB, atual UFCG (1995), Licenciatura Plena em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual da Paraíba – UEPB (2003), Mestre em Ciências da Sociedade pela UEPB (2005), Mestre em Engenharia de Materiais pela UFCG (2013) e Doutor em Engenharia de Materiais pela UFCG (2019).

Músico, instrumentista, compositor, desenhista, escultor, pintor e poeta, Roniere é dotado de múltiplos talentos. Profundamente vinculado com sua ancestralidade caririzeira e com a memória e a história da poesia popular, ele se destaca na condição de autor de cordéis, assim como na condição de produtor de vídeos sobre repentistas (cantadores de viola) e apologistas.

Em meio à sua produção literária, seguem os títulos de alguns cordéis de sua lavra: A história de Lampião (2001); Mistura quente: uma disputa poética sobre conhecimentos de mundo (2005); “Apilídios” da minha terra (2006); Boa Vista na ponta da língua (2007); Bichos e prantas no Cariri paraibano (2008); A rinha poemática dos repentistas Noberto Montêro e Ontõi Soares nos cafundós celestes de Santa Rosa de Bôa Vista (2010); A eruditização do cordel (antes do cordel) através da poesia boavistense do vate Edvaldo Perico num pretérito de 510 anos atroz (2011); Versos d´o vaqueiro Antônio Bernardino versus Boi Cambaú do Sítio Sãojoãozinho (2012); A morte das 13 vacas (2012); Petróleo e Gás e Energias (2013); Histórias dos triunfos e estórias do lutador Ivan Gomes (2013); e Jack: som do pandeiro (2019).

Roniere reside atualmente em Campina Grande, onde atua como professor e pesquisador, lotado na Unidade de Engenharia de Produção da UFCG.
Ao compor este texto, de fato, poderia, também, ter incluído na categoria de poeta multifacetado o colega Pablo Javier Alsina, professor Titular do Departamento de Engenharia de Computação e Automação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Porém, sobre a arte desse argentino nordestinado discorrerei na próxima oportunidade.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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