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Benedito Antonio Luciano: Passando de passagem pelos velhos Cariris

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 13 de agosto de 2020 às 9:26

Na noite do dia 21 de novembro de 2013, assisti ao lançamento do livro intitulado “Testemunho de um tempo: crônicas”. Local: Centro Paroquial do Rosário, em Campina Grande – PB. Autor: Pedro Nunes Filho, pernambucano de São José do Egito.

Junto com o livro lançado, estavam postos à venda exemplares de outras obras do autor citado: “Cavalo Alasão”, “Guerreiro Togado”, “Mundo-Sertão” e “Cariris velhos: passando de passagem”. Compostas com elementos iconográficos alusivos ao sertão caatingueiro, as capas de cada um desses livros são verdadeiras obras de arte, 

Eu não conhecia o autor, nem sua produção literária. Então, guiado pela intuição, comprei um exemplar do livro “Cariris velhos: passando de passagem”, editado em Recife – PE, em 2008.  

Iniciei a leitura na manhã do dia 24 de novembro de 2013 e ao fim da tarde havia terminado de ler as noventa e cinco páginas do livro. Leitura agradável, porque a prosa de Pedro Nunes é quase poética. O estilo por ele adotado está longe dos tediosos exibicionismos e pedantismos, tão comuns nas obras voltadas para o mundo acadêmico. Na prosa de Pedro Nunes o foco é o leitor e não os críticos literários.

Para compor “Cariris velhos: passando de passagem”, o autor dividiu o livro em seis partes. Na parte I, intitulada “A terra”, são descritos: “O espaço físico”, “O caminho das águas” e a “Terra de encantamentos”. 

Na parte II começa “A viagem”. De fato, uma “viagem virtual” pelo Cariri paraibano, à qual o leitor é convidado a fazer, partindo do antigo aldeamento dos índios Ariú, onde hoje está localizada Campina Grande. 

Na parte III, o foco é “O homem”. Nela é narrado, de forma comovente, o encontro devastador entre os povos nativos do Cariri e os invasores de seu território, os curraleiros, o que resultou no “extermínio étnico e cultural” dos índios. 

Na parte IV são narradas as denominadas “Histórias que ouvi contar”, com destaque para a longa marcha dos índios Tabajaras, sob a liderança do chefe Piragibe, partindo do litoral paraibano rumo aos sertões do Rio São Francisco. 

Na parte V, o autor relata “A conquista dos sertões” pelos invasores: “Do litoral às caatingas”. 

Na parte VI são destacados os “Bens culturais”, dentre os quais a herança intercultural, remanescente na arquitetura, na culinária e nos conhecimentos fitoterápicos adquiridos em decorrência da relação íntima dos povos originários com a natureza.  

Para que o leitor tenha uma ideia da prosa-poética de Pedro Nunes, contida em “Cariris velhos: passando de passagem”, segue uma amostra: “Geograficamente isolado, quase sem contato com a linguagem escrita devido à ausência de escolas, o sertanejo, fruto da miscigenação entre o branco, o negro e o índio, desenvolveu de forma prodigiosa a audição, a oralidade, o ritmo e a musicalidade. Desse viés, nasceu o violeiro, bardo das caatingas. Original, único, talentoso, prodigiosamente inteligente. Sábio sem leitura, culto sem escola”. 

E o mais não vou contar nem adiantar para, deliberadamente, aguçar a curiosidade dos apreciadores da boa literatura acerca dessa obra do caririzeiro Pedro Nunes Filho.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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