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Benedito Antonio Luciano: Para além das máscaras

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 23 de julho de 2020 às 9:59

Desde os tempos remotos, as máscaras têm sido utilizadas para os mais variados fins. Isto pode ser verificado mediante pesquisas em livros, revistas, museus e na internet. 

Em todos os continentes, encontramos culturas que preservam o uso da máscara nos seus rituais sagrados, nas manifestações artísticas e em festejos populares.

Segundo descobertas arqueológicas, máscaras ritualísticas foram utilizadas no auge da civilização egípcia, numa sociedade que acreditava na vida após a morte e, por conta dessa crença, utilizavam máscaras nos seus rituais fúnebres. 

Na civilização grega, em seu apogeu, as máscaras foram adaptadas para as apresentações teatrais de tragédias e comédias, passando, assim, do caráter ritualístico para o teatral.  Naquele contexto, a máscara utilizada pelos atores era denominada persona, derivando daí as palavras personagem e personalidade.

Do teatro, o conceito de personagem se estendeu pelos diversos campos da arte, envolvendo a escultura, o desenho, a pintura, o cinema e as histórias em quadrinhos; perpassando o campo das ciências sociais, incluindo o marketing e a política.  

No cinema e nas histórias em quadrinhos vários heróis e vilões são representados com o rosto parcial ou totalmente coberto por máscaras. Em geral, o principal objetivo dessas máscaras é encobrir a verdadeira identidade desses personagens, alguma deformação no rosto, ou simplesmente impactar os leitores e espectadores.

Nos folguedos populares, as máscaras estão presentes em manifestações artísticas e culturais, como no carnaval, no bumba-meu-boi, no maracatu e no cavalo marinho. 

Nas relações comerciais o marketing é a máscara do produto. Em termos práticos, o marketing empresarial é o convencimento do cliente e sua eventual satisfação, estabelecida pelo relacionamento lucrativo entre as partes. 

Na política, durante as campanhas eleitorais, os candidatos usam o marketing para convencer, ganhar confiança e conquistar o voto do eleitor. O eleitor, por sua vez, quando declara seu voto, geralmente o faz mascarando a verdadeira motivação da escolha. 

Máscaras são usadas, também, por médicos e pacientes para prevenir contágios; por profissionais que trabalham em ambientes insalubres, por bombeiros, policiais e manifestantes para se protegerem contra gases tóxicos. 

E, nos dias atuais, em meio à pandemia da COVID-19, do Oriente ao Ocidente, praticamente toda população mundial se viu instada a usar máscaras. 

Máscaras, no sentido figurado, todos nós usamos, sobretudo para nos adaptarmos e para responder à expectativa das pessoas. Isto faz parte dos acordos tácitos pactuados entre os indivíduos em suas relações sociais. 

No fundo, nas relações sociais, por trás das máscaras se esconde a verdade. E para além das máscaras se esconde o mito: esse nada que é tudo, no dizer do poeta Fernando Pessoa.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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