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Benedito Antonio Luciano: Os times de seis e o cuspe na quenga

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 22 de abril de 2021 às 8:58

Depois da publicação da crônica “O triste fim dos campos de pelada” nesta coluna, em 15/04/2021, alguns colegas enviaram mensagens para o meu endereço eletrônico parabenizando-me pelo texto e lamentando não apenas o fim dos campos de pelada como também o fim de muitos times de pelada em Campina Grande – PB.

Aos que enviaram mensagens agradeço a todos e, em particular, pelos seus comentários, ao meu primo Adriano Fernandes, que durante a sua infância e início da vida adulta morou em Feira de Santana – BA, e atualmente mora em Pombal – PB.

Ele relatou que em Feira de Santana, na Av. Maria Quitéria, por trás do campo do São Paulo, um time amador, havia uns campinhos utilizados pela criançada para praticar futebol, onde eram disputados campeonatos organizados pelos jovens jogadores.

As reminiscências do primo Adriano me fizeram lembrar dos campinhos de times de seis que existiam nos bairros da Bela Vista, Monte Santo e Volta de Zé Leal, em Campina Grande. A denominação time de seis diz respeito ao número de jogadores de cada time: um goleiro e cinco na linha.

Era nesses campinhos que os pré-adolescentes jogavam e, alguns deles, na fase adulta, se tornaram jogadores dos times amadores e de times profissionais. Edgar (Edgar Marcelino do Nascimento), pelo Campinense Clube, e Lulinha (Luís Carlos do Nascimento, sobrinho de Edgar), pelo Treze Futebol Clube, são exemplos de jogadores que tiveram suas iniciações futebolísticas nos campinhos de seis.

Uma curiosidade a respeito dos times de seis no Bairro Bela Vista foi a criação de uma loteria esportiva, idealizada pelos colegas Nonato e Biu Eloy, por volta de 1967. Essa loteria premiava quem conseguisse o maior número de acertos relativos aos resultados dos jogos do campeonato infanto-juvenil entre as equipes do Botafogo, Nacional, Santos e São Paulo, dentre outras.

Os jogos desse campeonato eram realizados nas manhãs de domingos. Os nomes dos acertadores eram divulgados na segunda-feira, quando os pagamentos eram feitos aos ganhadores. Na terça-feira eram sorteados e divulgados os jogos a serem realizados no domingo subsequente e a venda das cartelas tinha início.

Outra curiosidade pitoresca a respeito desses jogos infanto-juvenil me foi contada pelo amigo Dão (João Jacinto Barreto), ex-jogador profissional do Campinense Clube. Segundo ele, em seu tempo de infância, quando morava no Bairro de José Pinheiro, em Campina Grande, havia um terreno baldio onde ele e seus colegas jogavam bola.

Como todos eram muito pobres e não tinham relógio para marcar o tempo, um deles teve uma ideia inusitada para determinar a duração da partida: os jogadores dos dois times deveriam cuspir no interior de uma quenga de coco que era deixada ao Sol, na lateral do campo, e o fim da partida seria determinado quando ocorresse a evaporação completa do cuspe no interior da quenga.

Porém, volta e meia, algum jogador do time que estava perdendo dava o jeito de chutar a bola na direção onde se encontrava a quenga. Lá chegando, o jogador se agachava e cuspia no interior da quenga.

Caso houvesse uma virada no placar, o jogador do time que estava perdendo valia-se do mesmo artifício fraudulento e, assim, seguia a partida até que a exaustão fosse vencedora e, em comum acordo, os jogadores decidissem dar o jogo por encerrado.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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