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Benedito Antonio Luciano: O triste fim dos campos de pelada

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 15 de abril de 2021 às 8:53

Não se trata de saudosismo, mas considero preocupante o desaparecimento dos campos e times de pelada em Campina Grande-PB.

É provável que a denominação “campo de pelada” se deve à ausência de grama nos terrenos baldios onde as partidas de futebol são realizadas entre times amadores.

Também é interessante observar que num campo de pelada não há preocupação em seguir as dimensões oficiais, marcações das linhas, altura e largura das traves.

Lembro-me que no decênio de 1960, havia no Bairro da Bela Vista vários desses campos que, devido à ocupação urbana, aos poucos foram desaparecendo, assim como os times amadores a eles associados. Foi assim com o Bariri, Bela Vista, Canto do Rio, Flamengo, Fluminense, Madureira, Nacional e Dom Pedro II, para citar alguns.

Muitos desses campos estavam localizados entre a parte de trás do Colégio Estadual da Prata e as proximidades do Ginásio César Ribeiro (Campinense Clube).

No bairro do Monte Santo, o mais tradicional campo de pelada é o Leão do Norte, equipe fundada em 1954. Mariluz, Milionários e Sapateiros são os nomes de outros times que fazem parte da história do bairro.

No Bairro de Bodocongó, o campo mais conhecido era o do Têxtil, localizado em frente à Escola Politécnica, atual UFCG. Outros, menos famosos, eram os campos da PREMOL, ROVSA, São Geraldo, e Santa Adélia.

No Bairro de São José, o mais famoso campo de pelada foi o Bacião, nome atribuído por ficar localizado no aterro da bacia do Açude Novo, quando da construção do Parque Evaldo Cruz. Grêmio, Everton, Juventus, Portuguesa e Imbirense foram os principais times de pelada do bairro citado.

No Bairro da Liberdade havia vários times e campos de pelada a eles associados: Benfica, Botafogo, Cenourinha, Comércio, Cruzeiro, Oriente, Paulistano, São Cristóvão e Santa Cruz.

Na zona leste da cidade, nos bairros José Pinheiro, Santo Antônio, Jardim Tavares, Castelo Branco, Monte Castelo e Nova Brasília, havia muitos times de pelada, dentre os quais: ABC, Barcelona, Corinthians, Fracalanza, Flamengo, Formiga, Galícia, Globo, Juventus, Líbano, 11 da Vila, Renascença, Paraná, Real Madrid, São Paulo, Udinese, Vera Cruz e Vila Nova.

Atualmente, muitos time e campos de pelada não existem mais. A falta deste tipo de lazer deu lugar ao interesse dos jovens pelas drogas e, por consequência, veio a violência, vidas precocemente destruídas e o aumento da criminalidade.

Assim, é com muito pesar que da janela lateral do meu apartamento estou assistindo o desparecimento do último campo de pelada do Bairro da Bela Vista: um campo localizado ao lado da Embrapa, por trás de um comércio de material de construção.

É lamentável! Mas, por motivos que desconheço, foram descarregadas caçambas de entulhos na parte central do referido campo, inviabilizando a prática de rachas e de jogos dos times de pelada do Bairro do Centenário.

E quando se destrói um campo de pelada, perde-se parte da história do bairro e com ela, parte da história da própria cidade. Seria este o preço do progresso?

Na elaboração deste texto contei com informações prestimosas enviadas pelos colegas João Mário, Juarez Fernandes, Walman Benício e Antônio Araújo (Bituri). A eles os meus agradecimentos.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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