Benedito Antonio Luciano: O homem que morreu sem ter morrido

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 6 de maio de 2021 às 8:20

Em recente conversa com os caríssimos amigos Antônio Araújo de Queiroz (Bituri) e Ademir Frederico Silveira (Mimi) rememoramos fatos pitorescos acontecidos no Bairro da Bela Vista, em Campina Grande – PB, envolvendo personagens que nós conhecemos.

Durante a infância, adolescência e início da vida adulta, Antônio Araújo morou na casa de seus pais, localizada na Rua Dom Pedro II, Ademir Frederico morou na Rua Cônego Pequeno e eu morei na Av. Rio Branco.

Atualmente, Antônio Araújo mora em Porto Velho – RO. Ademir reside no Bairro de Bodocongó e eu continuo morando no Bairro da Bela Vista, na Rua Rodrigues Alves, em Campina Grande – PB.

Apesar de morarmos distantes uns dos outros, telefonemas e contatos via aparelhos celulares ajudam a manter firmes os nossos laços de amizade, numa troca fraternal de informações e confidencialidades.

Num desses contatos, lembramos da lenda de um homem-sem-cabeça que em noites escuras andava pela Rua Coronel José Vicente. Tempos depois, descobri a identidade desse suposto homem-sem-cabeça e o porquê de ele sumir misteriosamente ao perceber que estava sendo observado. Só não vou contar o segredo para que a lenda se mantenha.

Outro fato tenebroso trazido à baila em nossas conversas foi a de uma possessão demoníaca que teria ocorrido com um alcoólatra. Acometido de alucinações e outros sintomas, talvez decorrentes do “delirium tremens”, os vizinhos desse cidadão, ao presenciarem o comportamento anormal, chamaram um padre para fazer o exorcismo.

Um fato lembrado por mim foi que na Av. Rio Branco morava o senhor João Gomes de Araújo, conhecido popularmente como João Coveiro. Esse senhor começou a trabalhar no Cemitério do Monte Santo em 1927, tendo se tornado seu administrador por várias décadas, até ser aposentado. Porém, enquanto trabalhava no cemitério, ele construiu o seu próprio túmulo e orientou os funcionários sobre a forma como gostaria de ser enterrado.

Curiosamente, na frente do túmulo, na parte superior, ele mandou afixar uma placa com os seguintes dizeres: “Este Túmulo vem ser a última morada de JOÃO GOMES DE ARAÚJO. Nasceu no dia 28 de junho de 1905… A DATA DA MORADA SERÁ DEPOIS”.

Por ser uma pessoa bem-humorada e carismática, o Sr. João Gomes despertou a atenção de repórteres e jornalistas de Campina Grande que fizeram matérias com ele, uma delas publicada no DB Revista, suplemento dominical do Diário da Borborema, em 27 de junho de 1980.

Interessante registrar, também, que no Bairro da Bela Vista, no decênio de 1960, havia um senhor, conhecido como Chico Miguel, que na condição de cambista, andava pelas ruas trajando um paletó escuro, chapéu preto e uma bolsa de couro marrom debaixo do braço, dentro da qual ele conduzia os talões do jogo de bicho.

Algumas pessoas contavam que certa vez, provavelmente acometido de catalepsia, ele foi tido como morto. Na oportunidade, seu corpo teria sido velado e, no outro dia, conduzido para ser sepultado no cemitério do Monte Santo. Porém, no trajeto, para surpresa dos acompanhantes, ele saiu do estado letárgico e levantou-se do caixão. Dispensável dizer que a correria foi grande.

Foi assim que ele ficou conhecido como o homem que morreu sem ter morrido e, desde então, os meninos quando ouviam falar: “Lá vem Chico Miguel”, mesmo vendo que ele estava vivo, evitavam passar perto dele.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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