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Benedito Antonio Luciano: Mobilidade elétrica

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 16 de julho de 2020 às 10:41

O emprego de energia elétrica para a mobilidade de veículos dos mais variados portes teve início no século XX, quando a disputa entre a tração a vapor e a tração elétrica foi vencida por esta.

Assim, em diversos países, a mobilidade elétrica passou a ser empregada em sistemas de transportes urbanos, tais como trens, bondes, ônibus e metrôs, concorrendo com os veículos movidos a combustíveis fósseis, derivados do petróleo, principalmente gasolina e óleo diesel.

Até 1973, quando ocorreu a primeira crise do petróleo, pouca atenção era dada aos aspectos da eficientização energética dos veículos e aos impactos ambientais causados pela queima dos combustíveis fósseis.

Em 1979, por ocasião da segunda crise, uma parcela da comunidade técnica e científica já envidava esforços no sentido de transformar os avanços obtidos no campo da pesquisa básica para o desenvolvimento de bens e produtos energeticamente mais eficientes, dentre os quais os veículos movidos por tração elétrica.

Em 2006, foi lançado nos Estados Unidos um documentário intitulado: “Quem matou o carro elétrico? ”. De acordo com o diretor do documentário, os primeiros carros elétricos circularam na Califórnia, Estados Unidos, em 1996.

Nesse documentário foram relatados o desenvolvimento, a comercialização e a retirada do mercado dos carros elétricos, apresentando depoimentos de representantes do Governo Norte-Americano, da indústria automobilística, das indústrias petrolíferas e de condutores, sem deixar claro quem foram os responsáveis pela retirada do carro elétrico do mercado.

Nos dias atuais, com o aperfeiçoamento das técnicas de armazenamento de energia em baterias ressurge o interesse pelo carro elétrico em diversos países do mundo, desta feita como parte integrante dos sistemas elétricos distribuídos no contexto das redes inteligentes.

Na prática, o carro elétrico estacionado e conectado à rede, tanto pode ser abastecido por ela quanto, em certos períodos, quando houver necessidade, essa energia pode ser fornecida à rede pelos elementos de armazenamento, no caso as baterias dos veículos elétricos.

Numa abordagem superficial, o emprego do carro elétrico traria vantagens ambientais, pois em uso não haveria emissão de poluentes pelos canos de escape. Entretanto, numa abordagem sistêmica há de se perguntar: de onde advém a energia elétrica dos carregadores das baterias e qual a quantidade de energia utilizada na fabricação do carro elétrico?

Se a resposta for de usinas termelétricas a carvão, fica evidente que a emissão de poluentes mudaria apenas de lugar: dos canos de escape dos veículos para as chaminés das usinas. E quanto mais carros sendo abastecidos por energia elétrica, maior será a quantidade de energia a ser empregada na extração do carvão nas minas e no transporte até as usinas; e quanto mais carvão queimado, maior será a quantidade de poluentes lançados na atmosfera.

Desta forma, falar sobre eletrificação veicular sem analisar a cadeia energética completa é assumir um discurso falacioso, por escamotear aspectos que não deveriam ser omitidos, tais como: os impactos ambientais causados pelo descarte das baterias, os impactos nas tarifas de energia elétrica, os custos com o redimensionamento das redes elétricas para atender o aumento da demanda e as mudanças profundas na logística para suprir os usuários.

Segundo alguns divulgadores da mobilidade elétrica, a eletrificação veicular é uma tendência mundial. A se confirmar essa tendência, os postos de gasolina darão lugar aos postos de energia elétrica e as bombas de combustíveis às tomadas de carregadores.

Ao ouvir essas previsões, lembrei-me de uma frase atribuída ao irreverente Barão de Itararé, codinome do jornalista Aparício Torelly: “Dentro de alguns anos teremos automóveis movidos a propulsão atômica. É só trocar as bombas de gasolina por bombas atômicas”.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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