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Benedito Antonio Luciano: Missas

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 5 de março de 2020 às 10:10

Da minha infância permanecem na memória as lembranças das missas que costumava assistir ao lado dos meus pais, aos domingos, na Igreja Nossa Senhora do Rosário, no bairro da Prata, em Campina Grande – PB.

Embora não entendesse o significado dos simbolismos envolvidos no ritual, achava tudo muito bonito e grandioso. Pois, quando a gente é criança, tudo parece maior do que é de fato. 

Para mim, naquele tempo, a torre da igreja era imensa, a escada, em caracol, que dava acesso à torre era grande, as imagens sacras eram impressionantes e os vitrais eram e continuam sendo muito bonitos.

Também não entendia, mas achava bonito, quando, durante a liturgia, o padre dizia algumas expressões como “Dominus vobiscum” e os coroinhas respondiam “Et cum spiritu tuo”. Em seguida o padre convidava todos a orar, dizendo: “Oremos”. Depois é que vim saber que aquelas palavras que eu não entendia eram pronunciadas em latim.

Certa vez, durante uma “Missa do Galo”, vi e ouvi a apresentação de um coral, tendo à frente um maestro gesticulando com a batuta. Então, como era curioso, perguntei à minha mãe quem era aquele homem e ela disse: “É o mestre da música, menino”. 

Daquele tempo para os dias de hoje a liturgia da missa não mudou muito e a sequência continua praticamente a mesma: “Introito”, “Epístola”, “Evangelho”, “Ofertório”, “Sanctus” (“Santo, Santo, Santo sois Vós, Senhor Deus! Os céus e a terra estão cheios de Vossa Glória. Hosana nas alturas!”), “Consagração”, “Comunhão” (“Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós e dai-nos a paz”), por fim a “Benção” (“Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, que a benção de Deus desça sobre nós e fique conosco para sempre. Amém. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe”).

Nos dias 7 e 9 de abril de 2016, quando fazia parte do Coral Coro em Canto, tive a oportunidade de recordar a infância ao cantar a “Misa a Buenos Aires”, sob a regência do próprio autor da obra, o maestro e compositor argentino Martín Palmeri, acompanhado pela Orquestra Sinfônica da Paraíba. 

Essas apresentações foram realizadas no Espaço Cultural de João Pessoa e na Fortaleza de Santa Catarina, em Cabedelo – PB.

A Missa a Buenos Aires ou Misatango é uma obra composta para ser executada por bandoneón, orquestra sinfônica, coral e uma mezzosoprano como solista. 

Suas partes constituintes são: Kyrie (“Kyrie eleison/Christe eleison”); Gloria (“Gloria in excelsis Deo/ et in terra pax hominibus bonae voluntatis…”); Credo (“Credo in unum Deum/ Patrem omnipotentem”); Sanctus (“Sanctus, Sanctus, Sanctus/ Dominus Deus,/ Sabaoht”); Benedictus (“Benedictus, qui venit in momine Domini/ Hosana in excelsis”); e Agnus Dei (“Agnus Dei, qui tolis pecata mundi miserere nobis/ Dona nobis pacem”).

Como a vida é feita de oportunidades, ter cantado a Misatango foi uma dessas. Pois, ao participar desse evento pude recordar das missas assistidas no tempo de criança, tanto na Igreja Nossa Senhora do Rosário quanto na Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, essa localizada no bairro de Bodocongó, em Campina Grande.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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