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Benedito Antonio Luciano: Mensagens subliminares – os perigos do subtexto

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 1 de abril de 2020 às 18:39

Quantos jovens se tornaram dependentes do cigarro influenciados por mensagens subliminares veiculadas nos filmes e nos meios de comunicação, antes de essas propagandas terem sido praticamente proibidas?

Da mesma forma, quantos se tornaram alcoólatras influenciados por essas mensagens? Quantas vidas foram precocemente perdidas e quantas famílias foram atingidas por essas perdas? E qual o custo social disso todo?

Foi refletindo sobre essas questões, que comecei a lembrar de como certas estratégias midiáticas são empregadas com o objetivo de vender produtos, sem que o consumidor se dê conta de que, ao comprá-los, está sendo induzido a fazer uso deles, mesmo que tais produtos não tragam os supostos benefícios a eles associados.

Além do cigarro, das bebidas alcoólicas, dos produtos de beleza e de bens de consumo, os exemplos de propagandas enganosas são vários e aqui, vou destacar alguns, começando pelos supostos benefícios trazidos pelo consumo de água magnetizada.

Em 2001, recebi uma mensagem, via correio eletrônico, na qual era anunciada a venda de uma garrafa azul dotada de ímãs permanentes dispostos em torno das paredes laterais. Segundo a propaganda do vendedor, as propriedades da água magnetizada seriam uma verdadeira panaceia para os mais variados problemas de saúde.

Procurando dar credibilidade ao produto, ele apresentava laudos e textos “científicos”, atestando os efeitos supostamente benéficos da água acondicionada nessa “garrafa milagrosa”. Para tanto, esse “gênio da trapaça” anexou até um laudo do Ministério da Saúde, segundo o qual o consumo da água da garrafa não oferecia risco. Ora, entre não oferecer risco à saúde e trazer algum benefício há uma grande diferença.

Além de envolver o Ministério da Saúde, outra trapaça do vendedor dessa “garrafa milagrosa” foi envolver o nome de um renomado instituto de pesquisa tecnológica do Estado São Paulo.

Como conheço um dos pesquisadores desse instituto, fiz a denúncia e ele ficou de analisar a possibilidade de acionar juridicamente o uso indevido do nome do instituto na divulgação de um produto enganoso que pode ter sido adquirido por muitos incautos.

Mais exemplos de charlatanismo são as supostas propriedades terapêuticas dos famigerados colchões magnéticos, travesseiros, sandálias e capas para garrafas de água.

Curioso como, desde os tempos remotos, os ímãs permanentes atraem os ingênuos para perto de charlatães.

Adicionalmente, tenho acompanhado nos meios de comunicação uma intensa divulgação de produtos livres de glúten e de lactose. Mas, será que o consumidor sabe que por trás da propaganda desses produtos há interesses comerciais não explicitados? Nos supermercados e nas feiras livres há uma busca crescente por produtos orgânicos, como se produtos hortifrutigranjeiros produzidos com o emprego de produtos químicos inorgânicos deixassem de ser orgânicos e se tornassem inorgânicos, também.

Caros leitores, prestem atenção para o subtexto presente nos informativos e nas peças publicitárias veiculados nos meios de comunicação, pois na maioria há mensagens subliminares que podem ser identificadas e decodificadas.

Esta alerta vale tanto para os produtos comercializados quanto para as matérias  de cunho político/ideológico veiculadas nas mídias. Fiquem atentos! Pois, como diria o meu amigo Zé Lacraia: “Só existem malandros porque existem otários”.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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