Fechar

logo

Fechar

Benedito Antonio Luciano: Materiais, Arte, Ciência e Tecnologia

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 18 de dezembro de 2020 às 9:59

Desde os tempos pré-históricos, a arte esteve presente na vida do homem. As pinturas rupestres são a prova disto, pois em diversas regiões do Mundo existem sítios arqueológicos nos quais encontram-se figuras representativas de animais, plantas e seres humanos como nas paredes de grutas localizadas em Altamira, na Espanha; em Lascaux, na França; e na Serra da Capivara, no Brasil.

Assim, não é difícil imaginar que antes de o homem desenvolver a escrita, antes de a literatura existir ou mesmo a religião, a arte foi utilizada por ele como forma de comunicação entre o presente e o futuro.

Talvez por me interessar por esses assuntos, a ideia de escrever este artigo me ocorreu em meio a um sonho. Nele, eu estava no Centro de Campina Grande em busca de comprar material de pintura: tintas, pincéis e uma tela em branco.

No sonho, enquanto observava a textura da tela o meu pensamento divagava sobre o quanto de ciência e tecnologia estava presente numa obra de arte; sobre qual o sentido da arte e como se deu o desenvolvimento do conhecimento humano, desde a descoberta e o emprego dos primeiros pigmentos naturais até o uso das tintas sintéticas comercializadas atualmente.

Foi observando a trama dos fios de algodão na tela que comecei a enveredar pelos fundamentos da ciência dos materiais. A olho nu vemos os fios entrelaçados, mas ao examinar uma amostra desse fio a sob as lentes de um microscópio podemos ver detalhes do microuniverso do material e observar verdadeiras obras de arte produzidas pela natureza.

E ao pensar nas lentes do microscópio lembrei que elas são constituídas de vidro. Então, me ocorreu o quão foi e continua sendo importante o vidro no desenvolvimento da ciência, da arte e da tecnologia.

Os vidros, assim como os primeiros pigmentos utilizados pelo homem pré-histórico, são formados por óxidos, ou mistura de óxidos oriundos de rochas e solos. Tecnicamente, o vidro é um material rígido e frágil obtido mediante o processo de resfriamento rápido de produtos inorgânicos fundidos.

E ao lembrar do processo de fundição, foi inevitável associá-lo ao domínio do fogo pelo homem primitivo, etapa fundamental para o aumento da perspectiva de vida ao afastar os animais predadores de grande porte da entrada da caverna, sendo usado para assar e cozinhar alimento, como também para o desenvolvimento da arte cerâmica, a mais simples e a mais difícil de todas as artes, na opinião de Herbert Reed, autor do livro “O sentido da arte”.

Adicionalmente, o fogo propiciou o desenvolvimento tecnológico elementar da metalurgia, mediante a fusão redutora de minérios. Nesse contexto, instrumentos e utensílios antes feitos de madeira ou pedra passaram a ser feitos de metal, dando origem às denominadas eras do cobre, do bronze e do ferro fundido.

Como testemunhas mudas desses tempos remotos subsistem em museus descobertas arqueológicas de instrumentos, utensílios, objetos de adorno e obras de arte esculturais feitas de cerâmica, vidro, cobre, bronze e ferro.

O vidro tinha possibilitado grandes avanços científicos na química, na física, na biologia, na astronomia, na arquitetura, na engenharia e nas artes de forma geral, quando uma profunda mudança ocorreu no século XX: a transformação do elemento silício, que servira de base para o vidro, em um componente eletrônico semicondutor: o transistor.

Com a introdução dos transistores nos circuitos eletrônicos, os computadores se tornaram mais rápidos e eficientes e novos materiais foram desenvolvidos tais como: cristais líquidos, polímeros artificiais, fibras ópticas, ligas amorfas e materiais nanoestruturados.

Face ao exposto neste breve texto, percebe-se que a evolução da arte, da ciência e da tecnologia se confunde, em grande parte, com as inovações registradas no campo dos materiais.

Share this page to Telegram

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Mais colunas de Benedito Antonio Luciano
Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

[email protected]

Arquivo da Coluna

Arquivo 2018 Arquivo 2017 Arquivo 2016 Arquivo 2015

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube