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Benedito Antonio Luciano: Igrejas

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 13 de outubro de 2019 às 16:31

A lembrança mais remota de um templo religioso que preservo na memória é da Igreja Nossa Senhora do Rosário, localizada no bairro da Prata, em Campina Grande – PB. Foi nessa igreja que fiz a minha primeira comunhão, numa manhã ensolarada de domingo, no dia 10 de novembro de 1963, tendo como celebrante o Cônego Cristóvão Ribeiro da Fonseca.

Quando garoto, toda terça-feira, minha mãe me levava para assistir novenas na Igreja da Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no bairro de Bodocongó. Depois, passei a assistir missas na Igreja de Santo Afonso, no bairro do Monte Santo, e foram poucas as vezes que assisti missas na Catedral de Nossa Senhora da Conceição ou em outras paróquias de Campina Grande –PB.

Durante o período da adolescência, talvez influenciado por alguns colegas que não praticavam a fé católica, me afastei das missas e, consequentemente, dos templos. Mas, continuei admirando a arquitetura das igrejas e as artes sacras a elas associadas.

No segundo semestre de 1976, morei em duas pensões, em Salvador – BA. A primeira no Largo da Palma, em frente à Igreja da Palma. A segunda no primeiro andar de uma casa antiga, na Rua do Sodré, quase em frente ao Museu de Arte Sacra da Universidade Federal da Bahia. Em Salvador, visitei várias igrejas, mas não assisti missa em nenhuma delas. 

A quantidade de igrejas católicas de Salvador é impressionante. Nelas, há uma grande variedade de estilos arquitetônicos que só fui encontrar algo semelhante na cidade de Ouro Preto – MG. 

Em janeiro de 1986, aproveitando um período de férias, saí de Campina Grande, no Nordeste, rumo à região Norte com destino a Boa Vista – RR, passando por Teresina – PI, São Luís- MA e Manaus – AM. De Boa Vista, empreendi viagem para Santa Elena de Uairén, uma cidade pequena, localizada logo depois da fronteira entre Brasil a Venezuela. Lá, visitei o principal ponto turístico daquela cidade: uma belíssima Catedral, toda construída com pedras e apenas uma torre com campanário no lado esquerdo da parte frontal.

Na região Norte do Brasil, de passagem por Belém – PA, aproveitei para conhecer a Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré.  Construída em estilo neoclássico, na fachada principal se destacam duas torres, os sinos e duas inscrições em latim: “Deiparae Virgini a Nazareth”, que significa “Virgem de Nazaré Mãe de Deus”, e “Salve Regina Mater Misericordiae” que significa “Salve Rainha Mãe de Misericórdia”.

Na região Sudeste, numa passagem por Vitória – ES, vislumbrei da janela do hotel onde estava hospedado uma igreja no alto de um penhasco. Sendo a primeira vez que visitava aquela cidade, não me dei conta que a igreja avistada estava numa ilha. Tratava-se do Convento da Penha, um dos santuários religiosos mais antigos do Brasil, localizado no município de Vila Velha. Peguei um taxi e fui conhecer. Paguei caro, mas valeu a pena.

Ainda na região Sudeste, destaco algumas igrejas que visitei e que em algumas delas assisti missas: a Catedral de São Carlos, uma réplica arquitetônica da Basílica de São Pedro no Vaticano, localizada na Praça Dom José Marcondes Homem de Melo, na cidade de São Carlos – SP; o Mosteiro de São Bento, localizado no Largo de São Bento, e a Catedral Metropolitana de São Paulo ou Catedral da Sé, ambas localizadas em São Paulo – SP.

Na região Centro-Oeste, onde está localizada a capital do Brasil, não poderia deixar de conhecer a belíssima Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, mais conhecida como Catedral de Brasília. Nela, o que mais me impressionou, além das formas arquitetônicas arrojadas, foram as esculturas metálicas de três anjos, suspensos por cabos de aço, que parecem flutuar sobre a nave. 

Em Curitiba, capital do Paraná, cidade localizada na região Sul do Brasil, o que me chamou a atenção foi a arquitetura da Catedral Basílica de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, ou Catedral Basílica de Curitiba, inspirada no estilo neogótico da Catedral da Sé de Barcelona na Espanha. No meio da fachada, entre as duas torres, na parte superior da entrada principal, destaca-se uma grande rosácea, ornamento usado em diversas catedrais no período gótico.

Ao me referir ao estilo gótico, veio à memória uma visita que fiz à Catedral de Santo Estêvão, situada numa praça, no centro da cidade de Viena, capital da Áustria. Na oportunidade, em 30 de agosto de 1996, eu estava vindo de Bratislava, capital da Eslováquia, onde fora apresentar trabalhos científicos numa conferência internacional sobre materiais obtidos pelo método da solidificação rápida.

Lembro que, ao entrar no templo religioso e me ajoelhar para fazer uma oração, senti uma sensação estranha, talvez por ter conhecimento dos horrores da Segunda Guerra Mundial, quando aquela catedral foi bombardeada. 

Sensação mais tranquila tive quando, em julho de 2008, conheci a Catedral Metropolitana de Buenos Aires, localizada no centro da capital argentina, diante da Praça de Maio, na esquina das ruas San Martin e Rivadavia.

A arquitetura da Catedral de Buenos Aires é grandiosa, com uma fachada neoclássica composta por doze colunas imponentes (doze apóstolos), sem torres, com uma cúpula na parte de trás. No espaço interior, há uma rica decoração de arte sacra nos estilos neorrenascentista e neobarroco, distribuídas pelas cinco naves, com destaque para as catorze pinturas da Via Crucis, obra do italiano Francesco Domenighini.

Pena que essa visita à Catedral de Buenos Aires tenha sido rápida, em um “city tour”, não havendo tempo disponível para uma apreciação mais detalhada de todo esplendor do templo. 

Neste contexto, conciliando as apreciações arquitetônicas e o interesse pelas artes sacras com a prática religiosa, espero ter oportunidade de conhecer outras igrejas. 

O autor é professor Titular do Departamento de Engenharia Elétrica da UFCG.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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