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Benedito Antonio Luciano: Festas juninas em Campina Grande

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 18 de junho de 2020 às 9:18

As lembranças mais remotas que tenho das festas juninas em Campina Grande – PB se situam no início do decênio de 1960. Naquele tempo, as ruas da periferia da cidade não eram asfaltadas e a tradição de acender fogueiras na frente das casas nos dias de Santo Antonio, São João e São Pedro era mantida. 

No período junino, era comum ver bandeirolas e lanternas confeccionadas com papeis coloridos enfeitando as casas. À noite, as velas no interior das lanternas eram acesas e tudo ficava muito bonito. 

Durante os principais festejos, era usual o consumo de bebidas e comidas típicas, particularmente aquelas feitas à base de milho verde: canjica, angu, pamonha, mungunzá, bolo, milho assado, milho cozinhado e o tradicional pé-de-moleque. 

Nas noites de festas podiam ser vistos no céu balões e os brilhos dos fogos de artifício. Nas ruas, as noites frias e muitas vezes chuvosas do mês de junho eram aquecidas pelo calor das fogueiras e muito forró.

Naquele tempo, adultos e crianças ficavam diante das casas e próximos às fogueiras, onde podiam conversar e se divertir até tarde da noite, pois a bandidagem não tinha ainda tomado conta das ruas e tudo era tranquilo. 

Nas comemorações de Santo Antonio as moças faziam adivinhações para saber quando e com quem iriam se casar.  As comemorações de São João eram o ponto alto das festas juninas, mas na véspera e no dia de São Pedro também eram acesas fogueiras e soltados fogos e balões.

Até meados do decênio de 1970, o forró autêntico, com sanfona, triângulo e zabumba, era a música executada e dançada pelos casais em ambientes decorados com bandeirolas no teto, folhas de eucalipto no piso e palhas de coqueiros nas portas e janelas. Em tudo se refletia os traços da tradição rural mantida no meio urbano.

Com o passar do tempo a cidade cresceu, veio o desenvolvimento e com ele as mudanças: ruas foram asfaltadas, a violência afastou as pessoas da frente de suas casas, as fogueiras foram proibidas de serem acesas sobre o asfalto, os folguedos juninos foram perdendo a autenticidade e, para atender interesses comerciais, as manifestações populares foram assumindo outras formatações. 

Mesmo assim, algumas dessas manifestações resistiam e mantinham a tradição, como a realização de quadrilhas juninas no meio da rua; e foram essas quadrilhas que motivaram a Prefeitura Municipal de Campina Grande a criar um espaço público destinado às comemorações juninas:  “ O Parque do Povo”.

Oficialmente, “O Parque do Povo” foi inaugurado em 14 de maio de 1986, no local antes conhecido como Coqueiros de Zé Rodrigues, à jusante do sangradouro do antigo Açude Novo (atual Parque Evaldo Cruz). Por esse motivo, o terreno era muito encharcado, principalmente no período chuvoso. 

É bom lembrar que no local onde foi construída a pirâmide (“Forródromo”) no “Parque do Povo” havia o “Palhoção”, uma estrutura rústica de madeira com piso de terra batida e teto coberto com palhas de coqueiros.

Diante do sucesso das festas juninas em Campina Grande, o setor privado investiu na criação de casas de shows e eventos com capacidade de atrair grande público: “Forrock”, “Spazzio”, “Vila Forró”, “Sítio São João” e o “Troféu Gonzagão”.

Para atender a demanda crescente, os festejos e a infraestrutura do “Parque do Povo” sofreram modificações: inovações foram introduzidas, a Prefeitura firmou parceria com o setor privado e o evento se transformou no “Maior São João do Mundo”, atração turística de grande importância econômica para a cidade e para o Estado da Paraíba.

Tudo ia bem, até que neste ano de 2020, com o isolamento social preventivo contra a COVID-19, a tradição das comemorações juninas no “Parque do Povo” sofreu descontinuidade. Os eventos presenciais deram lugar aos virtuais, por meio de “lives”, e diversos setores econômicos da cidade foram afetados negativamente.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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