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Benedito Antonio Luciano: Feiras nas letras de músicas

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 19 de agosto de 2021 às 8:43

O ambiente das feiras é riquíssimo de detalhes que podem ser apreendidos pelos sentidos atentos de quem se interessa pela autêntica cultura popular. Os exemplos da utilização da feira como tema no universo artístico são vários. Neste contexto, optei por citar apenas algumas referências presentes nas letras de sete músicas populares brasileiras.

Isto posto, me indaguei: por onde começar? Poderia ser com “A Feira de Caruaru”, composição de Onildo Almeida, gravada por Luiz Gonzaga, em 1957: “A Feira de Caruaru/ Faz gosto a gente vê/ De tudo que ai no mundo/ Nela tem pra vendê/ Na Feira de Caruaru…//…Tem loiça/ Tem ferro véio/ Sorvete de raspa/ Qui faz jaú/ Gelado cardo de cana/ Fruta de parma e mandacaru/ Boneco de Vitalino/ Qui são conhecido inté no su/ De tudo que ai no mundo/ tem na Feira de Caruaru”.

Ou poderia ser com “Feira de mangaio”, composição de Sivuca e Glorinha Gadelha, gravada por Sivuca, em 1977: “Fumo de rolo, arreio de cangalha/ Eu tenho pra vender/ Quem quer comprar? / Bolo de milho, broa e cocada/ Eu tenho pra vender/ Quem quer comprar/ Pé-de-moleque, alecrim, canela/ Moleque sai daqui me deixa trabalhar […]”.

Lembrei, também da letra da música “Na Feira de Santarém”, composta por Edu Lobo e G. Guarnieri, presente no LP “Cantiga de longe, lançado em 1970: “Se troca, se vende/ Quem é que vai comprar? / Se troca, se vende/ Quem é que vai levar? //Aqui se compra, troca e vende/ E ninguém dá/ Marapuã e moçambiques em colar/ Angu, fubá, caju, dendê, maracujá/ faca de ponta/ Se é de briga ou de enfeitar […]”.

Certamente não poderia esquecer a beleza do conteúdo poético de “Água de Meninos”, composição de Gilberto Gil e Capinan, lançada no LP Louvação, em 1967: “Na minha terra, a Bahia/ Entre o mar e a poesia/ Tem um porto: Salvador/ As ladeiras da cidade/ Descem das nuvens pro mar/ E no tempo que passou, ô,ô,ô/ Toda cidade descia/ Vinha pra feira comprar// Água de Meninos quero morar/ Quero rede e tangerina/ Quero o peixe desse mar/ Quero o vento dessa praia/ Quero azul, quero ficar/ Com a moça de rendas, ô/ Vinda de Taperoá […]”.

A Feira de Campina Grande está presente na letra da música “Minha Campina Grande”, de autoria de Zito Borborema e José Ferreira: “[…] Sinto saudade do picado lá da Feira […]”.

De Belém-PA, o destaque é para um trecho da letra da música “A Feira de Ver o Peso” gravada por Pinduca, “O Rei do Carimbó”: “Na Feira do Ver o Peso (tem) / Cheiro verde (tem) / Pimenta cheirosa (tem) / Limão e tomate/ Na Feira do Ver o Peso (tem) / Mamão e laranja (tem) / Bacuri, jenipapo (tem) /Banana e abacate/ Quem quiser/ Tem castanha do Pará/ Cupuaçu, abacaxi na Ilha do Marajó/ Tem biribá, piquiá e muruci/ Macaxeira e mandioca/ Pra tirar o tucupi […]”.

Buscando uma referência à Feira de São Cristóvão, importante polo da cultura nordestina na cidade do Rio de Janeiro, encontrei na letra de uma gravação de Jovelina Pérola Negra, lançada em 1987: “…. Na feira de São Cristóvão/ Gritava um bom camelô/ Repente que vem no peito/ Rima de bom teor/ Repente que vem no peito/ Rima de bom teor// Olha, leva! / Leva medalha, moça/ Leva medalha, moço/ Medalha pra quem tem fé/ Pra carregar no pescoço/ Medalha pra quem tem fé/ Pra carregar no pescoço […]”.

Por fim, segue a letra de “A feira”, música de autoria de Nonato Buzar e Mônica Silveira, gravada por Doris Monteiro, em 1970: “Sou rico e sem dinheiro/ Brasileiro e estrangeiro/ Sou casado, sou solteiro/ E assim eu sou feliz/ Mas eu vivo na lona/ Mas é lona de barraca/ Só não compra quem é bobo/ pois na minha é mais barato/ Quem vai querer? // Vou vivendo a vida distraído/ Olhando o mundo de olhos abertos/ Vou gritando, vou vendendo/ Quem tá comigo tá com Deus/ Mas é preciso ser malandro e muito esperto/ (Olha o rapa!)”.

Campina Grande, 19 de agosto de 2021.
[email protected]

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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