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Benedito Antonio Luciano: Entre o canto coral e o futebol

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 6 de agosto de 2020 às 11:48

Há muitas semelhanças entre as práticas do canto coral e do futebol. Um coral não existe sem os cantores e um regente. De forma similar, um time de futebol profissional não existe sem jogadores e um treinador. 

No futebol profissional, na fase preparatória, os atletas passam por exercícios físicos, treinos táticos, técnicos e de fundamentos, seguidos de jogos amistosos e o indispensável aquecimento momentos antes de entrar em campo. 

Nessa fase, o treinador ensaia as jogadas, corrige falhas, ajusta posicionamentos, verifica o condicionamento físico dos atletas e só deve escalar para partidas oficiais aqueles que estão técnica e taticamente aptos para jogar. 

Na prática do futebol, os times são formados por atletas, masculinos ou femininos, distribuídos dentro de campo de acordo com suas posições para cumprir as suas funções específicas: goleiro, defensores, meio campistas e atacantes. 

Na formação dos grupos corais a seleção dos naipes é feita de acordo com certas diferenças de timbre e tessitura. As vozes femininas podem ser agrupadas como soprano, meio-soprano e contralto, do agudo para o grave, em escala descendente. As vozes masculinas são agrupadas como tenor, barítono e baixo, também na escala descendente, do agudo para o mais grave. 

No canto coral, antes de uma apresentação pública, os coristas passaram pelo processo de enquadramentos nos naipes, ensaios do repertório e, em alguns casos, pelas práticas de técnica vocal e por exercícios para aquecimento da voz momentos antes de entrar no palco.

Nos ensaios, o regente organiza o posicionamento dos naipes, orienta a colocação da voz (impostação), a pronúncia correta das palavras (dicção), a afinação, as entradas e as pausas e, talvez o mais importante: a disciplina focada na homogeneidade para que a emissão vocal possa soar como uma unidade coral coerente. 

Neste ponto, é oportuno ressaltar que se no futebol há um esquema tático a ser seguido, no canto coral há uma partitura e uma regência a serem obedecidas, e ao corista só é permitido o brilho individual quando atua como solista.

Assim, tanto numa apresentação pública de um coral, quanto numa partida oficial de futebol, dentre os que estão assistindo poucos são os que fazem ideia das energias e dos esforços desprendidos para que o espetáculo aconteça, pois ao público interessa a beleza da arte final. O que se passou nos bastidores, antes da apresentação de um coral ou de uma partida de futebol só sabem os que participaram dessa etapa.

No tocante ao comportamento do público numa sala de espetáculo ou num estádio de futebol o que se espera são posturas diferentes. 

Da plateia que assiste à apresentação de um coral, espera-se o máximo silêncio durante a execução de uma peça e os aplausos somente depois do término da execução. 

Das torcidas que assistem a um jogo de futebol, espera-se o contrário: barulho e muita vibração, desde a entrada dos times em campo, até o término da partida.

Outro detalhe que marca uma grande diferença entre a apresentação de uma peça de canto coral e uma partida de futebol é o pedido de bis. Se no canto coral há como o grupo atender ao pedido da plateia e repetir uma música bem executada, no futebol ao vivo não há como repetir um gol bem feito ou mesmo uma jogada de grande efeito.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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