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Benedito Antonio Luciano: Encruzilhada

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 16 de abril de 2020 às 9:23

Dependendo do contexto, a palavra encruzilhada pode assumir diferentes conotações. Literalmente, ela pode significar cruzamento, bifurcações de caminhos ou entroncamento de ruas, avenidas e rodovias; podendo, também, ser empregada para designar, de forma metafórica, situações novas nas quais temos que decidir entre duas ou mais alternativas.

Em inglês, a palavra encruzilhada é escrita como “crossroads” e pronunciada como “krosroudz”. Em espanhol, encruzilhada é escrita como “encrucijada” e pronunciada com a letra jota como se fosse um erre. Em francês, encruzilhada é escrita como “carrefour” e pronunciada como “karfur”. 

Conforme Olga Gudolle Cacciatore, em seu Dicionário de Cultos Afro-Brasileiros, encruzilhada ou encruza é o local onde habita Exu, no cruzamento de caminhos, via férreas, ruas etc. Ainda segundo ela, no Candomblé tradicional, Exu não é um Orixá e sim um mensageiro entre os deuses e os homens.

Na literatura em geral e, em particular, na literatura de cordel, há várias obras nas quais a encruzilhada é apresentada como o local onde encontros e pactos teriam sido realizados entre humanos e seres sobrenaturais. Nesses encontros, os pactos seriam estabelecidos quando o ser humano oferece a própria alma em troca de certos favores, tais como: juventude, habilidades artísticas, poder ou riqueza.

Em 1986, foi lançado nos Estados Unidos o filme “Crossroads”, dirigido por Walter Hill, trilha sonora de Ry Cooder, tendo Ralph Macchio no papel principal. No roteiro, escrito por John Fusco, a narrativa se dá em torno de um jovem estudante de música erudita que, à revelia de seu professor, resolve pesquisar a vida e a obra de Robert Johnson, lendário cantor e guitarrista de blues norte-americano que, na encruzilhada das rodovias 61 e 49, no Sul dos Estados Unidos, teria feito um pacto com o diabo para se tornar um virtuose. 

Baseado na misteriosa vida de Robert Johnson, em 2019 foi lançado o documentário “Davil at crossroads: A Robert Johnson story”, sob a direção de Brian Oakes. No Brasil, esse documentário recebeu o título “O diabo na encruzilhada: a história de Robert Johnson”. 

Interessante observar que tanto no filme como no documentário não fica evidenciado se Johnson teria feito ou não algum pacto com diabo. Mas os fatos neles apresentados ajudam a compreender o contexto histórico, os dramas e as tragédias do personagem principal.

 Como no atestado de óbito do artista não consta a causa de sua morte, isso serviu para dar asas à imaginação de muitos: uns dizem que ele morreu ao beber whisky envenenado e outros que ele teria sido assassinado a tiros, deixando um violão, uma mala, duas fotos, vinte e nove canções gravadas e poucos documentos pessoais. 

Outro detalhe que fez Robert Johnson figurar entre os mitos da música popular foi ter morrido aos vinte e sete anos, em 16 de agosto de 1938, passando a fazer parte da lista composta por artistas que também morreram com essa idade, tais como: Brian Jones (1969), Jimi Hendrix (1970), Janis Joplin (1970), Jim Morrison (1971), Peter Ham (1975), Kurt Cobain (1994) e Amy Winehouse (2011). 

Conforme citado em “Na cadência do samba”, composição de Ataulfo Alves: “diz o dito popular/ morre o homem, fica a fama”.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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