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Benedito Antonio Luciano: Eclesiastes

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 13 de novembro de 2019 às 11:26

Aos sábados e aos domingos, usualmente saio de casa para caminhar no Parque da Criança de Campina Grande. Lá, encontro colegas de variadas profissões e credos religiosos e, também, credos ideológicos. 

Nessas caminhadas matinais, num clima de respeito mútuo, conversamos sobre assuntos variados, dentre os quais política, religião e futebol. 

Foi numa dessas caminhadas que o colega professor Pedro Ribeiro, grande estudioso da Bíblia, fez uma referência interessante ao capítulo doze, versículos doze e treze de Eclesiastes. Foi o suficiente para despertar em mim a vontade de ler todo o conteúdo desse belíssimo texto bíblico atribuído a Salomão, o filho sábio do Rei Davi.

Fiz a leitura. E assim começa Eclesiastes na versão da Bíblia que preservo na minha estante: “Palavras de Eclesiastes, filho de Davi, rei de Jerusalém”. No prólogo vem a sentença: “Vaidade das vaidades! Tudo é vaidade! ”.

Ao longo de Eclesiastes, o tema vaidade é recorrente e uma frase se repete em meio às reflexões e conclusões sobre o que o autor teria observado debaixo do Sol: “tudo é vaidade e vento que passa”. E, de fato, tudo passa nesta vida, como a vaidade da sabedoria, a vaidade das riquezas, a vaidade da juventude, a vaidade do corpo e a vaidade dos prazeres. Pois, na vida há um tempo para cada coisa, conforme está escrito no capítulo 3:

“Tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher. Tempo de matar e tempo de curar; tempo de demolir e tempo de construir. Tempo de chorar e tempo de rir; tempo de gemer e tempo de dançar. Tempo de atirar pedras e tempo de ajuntá-las; tempo de abraçar e tempo de apartar-se. Tempo de procurar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de jogar fora. Tempo de rasgar e tempo de costurar; tempo de calar e tempo de falar. Tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz”.

Uma curiosidade sobre Eclesiastes é que, em 1962, o músico estadunidense Peter Seeger gravou uma música, intitulada “Turn! Turn! Turn! (to Everything There is a Season)”, na qual, com exceção do “Turn! Turn! Turn! ”, no título, e do último verso “I swear it’s not too late”, todos os versos da canção foram transcritos da passagem bíblica citada.

Em 1965, essa adaptação de Peter Seeger foi gravada pelo grupo estadunidense The Byrds, levando-a, na oportunidade, aos primeiros lugares nas paradas de sucesso dos Estados Unidos. Posteriormente, a versão gravada por The Byrds voltou a ganhar notoriedade ao ser incluída na trilha sonora do filme Forest Gump (1994).

Voltando ao texto de Eclesiastes, nele encontramos algumas reflexões inquietantes, como as injustiças do mundo, os tormentos da vida humana e a certeza de que a morte nivela todos, justos e ímpios, homens e animais. 

Interessante observar que na descrição nostálgica da brevidade da vida, conquanto realista, o autor de Eclesiastes utilizou-se de um hábil prelúdio para introduzir a parte final do livro, constituída da conclusão e do epílogo.

Da conclusão, destaco as metáforas utilizadas por ele para descrever a aproximação do fim da vida: “Antes que se rompa o cordão de prata, que se despedace a lâmpada de ouro, antes que se quebre a brilha na fonte, e antes que o sopro de vida retorne a Deus que o deu. Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, tudo é vaidade”.

Do epílogo transcrevo os versículos 12 e 14: “De resto, meu filho, quanto ao maior número de palavras que estas, fica sabendo que se podem multiplicar os livros a não mais acabar, e que muito estudo se torna uma fadiga para o corpo” e que “Deus fará prestar contas de tudo o que está oculto, todo ato, seja ele bom ou mau”.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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