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Benedito Antonio Luciano: Dia após dia

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 30 de julho de 2020 às 10:43

Durante a minha passagem como aluno do Colégio Estadual da Prata, em Campina Grande – PB, entre 1966 e 1972, tive a oportunidade de conhecer muitos colegas e de alguns me tornei amigo.  

Valendo-me da linguagem matemática, poderia afirmar que a amizade é uma relação biunívoca entre dois conjuntos, nos quais a cada elemento de um corresponde um e somente um do outro. 

Por analogia, não havendo laços familiares entre pessoas amigas, esses dois conjuntos são as famílias às quais pertencem cada uma dessas pessoas e a individualidade os tornam elementos de seus respectivos conjuntos. 

Como duas pessoas, que não se conheciam, se tornam amigos eu não sei.  Sei apenas que nem o tempo, nem a distância e nem a morte conseguem apagar as lembranças que preservo dos meus amigos.

Foi divagando sobre a amizade e sobre os efeitos psicológicos deste isolamento social a que muitos estão submetidos como medida preventiva contra o contágio pelo vírus da COVID-19, que me veio à lembrança a balada “Day after day”, lançada pelo grupo “Badfinger”, em 1971.

A relação entre a música citada e a amizade é que ela me foi apresentada, em primeira mão, por Francisco de Assis Rocha, um saudoso conterrâneo que conheci no Estadual da Prata e que nos tornamos amigos. Isto, antes de sabermos que o meu pai e o pai dele tinham trabalhado juntos no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS, em Coremas – PB, durante a construção das barragens de Curema e Mãe d´Agua.

Na gravação da música “Day after day”, composta por Pete Ham, o grupo “Badfinger” contou com a participação de George Harisson no solo de guitarra slide junto com Ham e de Leon Russell no piano. 

Na letra de “Day after day”, transparecem sentimentos de saudade e de solidão, como se pode depreender na estrofe final: “I remember finding out about you/ Every day my mind is all around you/ Looking out of my lonely gloom, day after day/ Bring it home, baby, make it soon/ I give my love to you”. 

Nessa referida estrofe, a saudade e a solidão estão configuradas nos versos: “Looking out of my lonely gloom, day after day/ Bring it home, baby, make it soon/ I give my love to you” (Tradução livre: Olhando minha melancolia solitária, dia após dia/ Volte para casa, querida, volte logo/Eu darei o meu coração para você).

Em 1972, “Day after day” recebeu uma versão em português, composta por Rauzito (Raul Seixas), gravada por Leno e Lilian, sob o título “Dias iguais”. Nessa gravação a dupla teve no acompanhamento: Wilson das Neves, na bateria; Paulo Cesar Barros, no baixo; Luis Wagner na guitarra slide, e Scaramboni no piano acústico.

Dia após dia, no contexto atual da COVID-19, muita gente está confinada, vivendo como se todos os dias fossem iguais e ansiosa pela volta da liberdade de sair sem medos adicionais. Pois, conforme os versos de Braulio Tavares, no poema “Travessia”: “O lar/ do passarinho/ é/ o ar/não/é/o ninho”.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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