Benedito Antonio Luciano: Coremas – cidade hidroenergética e solar fotovoltaica

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 24 de setembro de 2020 às 9:44

No dia 17 de setembro de 2020, voltei a Coremas-PB com o objetivo de participar da solenidade de inauguração da Usina Solar Fotovoltaica Coremas e da divulgação do Programa de Eficiência Energética.

O evento histórico contou a presença do Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, de Ministros de Estado, dentre eles o de Minas e Energia, do Presidente da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, de autoridades constituídas, como senadores, deputados, prefeito da cidade de Campina Grande e prefeita da cidade de Coremas, além do Diretor da empresa Rio Alto, responsável pelo empreendimento, e do diretor da Energisa Paraíba.

Esta não foi a primeira vez que um Presidente da República visitou a cidade de Coremas. Antes estiveram Getúlio Vargas, em 16 de outubro de 1940; Eurico Gaspar Dutra, em 1 de outubro de 1949; Juscelino Kubitscheck de Oliveira, em 15 de janeiro de 1957; e Fernando Henrique Cardoso, em 16 de junho de 1998.

Os motivos dessas visitas presidenciais estiveram relacionados com as construções das barragens do Complexo Coremas-Mãe D’Água; com a inauguração da usina hidrelétrica instalada na barragem do Açude Estevão Marinho e com as inspeções das obras do Canal da Redenção.

Em todas essas oportunidades o povo coremense e as autoridades locais e estaduais souberam receber bem os ilustres visitantes e suas comitivas. Dentre os presidentes citados, os dois que buscaram um contato mais direto com a população foram Juscelino Kubitscheck e Jair Bolsonaro. Esse último foi recebido de forma efusivamente calorosa pelos cidadãos das zonas urbana e rural, evidenciando carisma e popularidade incontestáveis.

Havia anos que eu não visitava Coremas. A última vez que estive lá foi em dezembro de 1986, acompanhado de Vânia, minha esposa, e de Érika, minha filha. Depois dessa visita, havia decidido não mais voltar a cidade onde nasci. O motivo está relatado no livro de minha autoria “Entre o Açude e a Serra”, publicado em 2014.

Mas, tudo muda. O tempo, nosso grande mestre, se encarrega de tudo mudar. Ao longo dos anos, muitas mudanças ocorreram na cidade de Coremas e em seus arredores. A Coremas de minha infância e das minhas férias no período de adolescência passou a existir como uma velha fotografia em preto e branco pendurada na parede da minha memória.

E como tudo muda, eu também mudei. Mesmo não tendo motivos afetivos para voltar a Coremas, revi a minha decisão quando recebi o convite para presenciar o evento supramencionado.

Decidi aceitar o convite por dois motivos: primeiro, pelo fato de energia e eficiência energética serem temas de meu interesse como professor e pesquisador; segundo, porque essa seria uma oportunidade de meu filho Ivã, que me acompanhou na viagem, conhecer a cidade onde o seu pai nasceu.

No trajeto via BR 230, vimos dois empreendimentos energéticos: um parque eólico no município de Santa Luzia e um parque de porte médio constituído de painéis fotovoltaico, localizado próximo da cidade de Malta.

Ao chegarmos em Coremas, no local onde está instalada a Usina Fotovoltaica, observamos que se trata de um empreendimento privado de grande porte que antes de ser inaugurado impactou positivamente na economia local, gerando emprego, renda, movimentando o comércio e quando em pleno funcionamento trará grandes benefícios para o Estado da Paraíba e para o Brasil, por incrementar o percentual de energia renovável na matriz energética nacional.

Certamente que a realização de um empreendimento do porte da Usina Fotovoltaica Coremas não teria sido possível se não tivesse contado com participação de diversos agentes: governo federal, estadual e municipal; ANEEL, Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), poder legislativo e banco de financiamento, dentre outros.

Depois de assistirmos a solenidade de inauguração do empreendimento, resolvemos percorrer, de carro, algumas ruas da periferia e do centro de Coremas. Foi, então, que constatamos, in loco, os referidos impactos positivos na economia local. Efetivamente, a cidade está muito bonita e próspera.

Então, se Coremas já foi chamada de “A caixa d’água do Sertão”, doravante poderá ser conhecida como “Cidade hidroenergética e solar fotovoltaica”. Água e luz do sol convertidas em energia elétrica. Água e energia: vetores do desenvolvimento econômico e social.

Agora, depois dessa visita, a cidade onde nasci continuará como uma fotografia pendurada na parede de minha memória; só que desta vez, não será mais em preto e branco e sim em cores vivas, iluminadas pela luz do sol do Sertão, tendo no horizonte um belíssimo céu azul, límpido e profundo.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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