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Benedito Antonio Luciano: Cinema – arte e tecnologia

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 11 de fevereiro de 2021 às 9:49

Conforme alguns autores, dentre eles Samuel Piroli, no seu livro “Noções de Cinema”, as artes são classificadas em Plásticas (Arquitetura, Escultura e Pintura) e Fônicas (Poesia, Música e Oratória). O cinema, por não se enquadrar estritamente em nenhuma dessas 6 categorias, é considerado a sétima arte.

O cinema é arte, porque, na sua realização são observadas normas estéticas que visam criar o belo. No caso específico, mediante o emprego de imagens em movimento. Assim, como toda arte, na apreciação crítica cinematográfica devem ser analisadas a forma e o conteúdo. O valor artístico provém da forma e o conteúdo se nos apresenta por meio da forma.

De fato, nem todo cinema pode ser considerado uma obra de arte. Há filmes que são teatro filmado, não são cinema. Neste contexto, o conhecimento de certos detalhes técnicos, científicos e tecnológicos a respeito do cinema pode ajudar ao apreciador distinguir os filmes artísticos dos que não são.

A palavra “cinema” é a abreviação do equipamento cinematógrafo, desenvolvido pelos irmãos Auguste Lumière (1862-1954) e Louis Lumière (1864-1948). O prefixo “Cine” vem do grego e significa movimento e o sufixo “ágrafo” significa gravar. Tecnicamente, então, cinema seria movimento gravado.

No filme “A Invenção de Hugo Cabret”, dirigido por Martin Scorsese, lançado em 2011, há uma verdadeira homenagem aos primórdios do cinema, um convite para que o telespectador viaje literalmente no tempo e se integre no mundo mágico das imagens projetadas na tela.

Em 28 de dezembro de 1895, em Paris, no “Grand Café”, foi realizada a primeira projeção cinematográfica tal qual conhecemos. Ali, numa sala escura, foram projetados dez filmes de curta duração como “A chegada do trem à estação de La Ciotat” ou “A saída dos operários da fábrica”.

Em 1902, o ilusionista francês George Méliès, ator e diretor de mais de quinhentos filmes, celebrizou uma obra excepcionalmente longa para a época, com 14 minutos: Viagem à Lua (Le voyage dans la Lune), baseado num romance do escritor Jules Verne. Desse filme, a imagem fantástica de um foguete atingindo o olho da lua tornou-se um dos grandes ícones visuais do século XX.

Luz, câmara, ação! Muitos lembram dessa voz de comando utilizada para iniciar uma filmagem. A luz é a base do cinema, sem ela nada poderá ser filmado. Porém, para que a imagem possa ser captada pela câmara a combinação de luz e sombra torna-se necessária.

Na prática, o filme é a projeção de uma sucessão de imagens durante uma fração de segundo, o que resulta na ilusão ótica de movimento contínuo, seja mediante a tecnologia analógica ou digital.

Fisiologicamente, essa ilusão de ótica é denominada de persistência retiniana, devido à capacidade de a retina e o sistema neuronial preservarem a imagem de um objeto por cerca de 1/20 a 1/5 segundos após o seu desaparecimento do campo de visão.

Ao longo do tempo, desde a primeira exibição cinematográfica, o cinema passou por evoluções tecnológicas: Efeitos especiais, introduzidos por George Méliès, no decênio de 1900; Imagens coloridas, 1916; Sonorização, no decênio de 1920; Animações, 1930; o CinemaScope, 1953; Imagens computacionais, 1980; Animações em 3D (três dimensões), decênio de 1990; Cinema 3D, decênio de 2000; e Plataformas de “streaming”, nos dias atuais.

Para alguns, cinema é apenas uma diversão. Entretanto, de fato, ele é muito mais que isto, pois envolve aspectos econômicos, políticos, culturais, sociais e comportamentais.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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