Benedito Antonio Luciano: Cinco discos de Geraldo Vandré

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 17 de junho de 2021 às 9:14

Filho do médico José Vandregísilo e Maria Eugênia, Geraldo Vandré é o nome artístico do cantor e compositor Geraldo Pedrosa de Araújo Dias, nascido em João Pessoa – PB, em 12/9/1935.

Segundo informações publicadas no Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, o início da carreira artística de Vandré se deu quando sua família se mudou para o Rio de Janeiro, em 1951.

No Rio de Janeiro, ele representou a Paraíba no Programa César de Alencar, sob o pseudônimo Carlos Dias. Carlos em homenagem a seus ídolos, os cantores Carlos Galhardo e Carlos José, e Dias, do seu próprio sobrenome.

Em 1955, ainda com o codinome Carlos Dias, apresentou-se num festival promovido pela TV Rio defendendo a composição “Menina”, de autoria de Carlos Lyra, seu primeiro parceiro musical. Depois, resolveu mudar seu nome artístico para Geraldo Vandré, Geraldo, seu primeiro nome e Vandré, abreviação do sobrenome do seu pai.

Da parceria com o seu colega Carlos Lyra, suas primeiras composições foram: “Quem quiser encontrar o amor” e “Aruanda”, gravadas por Lyra. Nesse período compôs algumas músicas com Alaíde Costa, “Canção do nosso amor” e com Baden Powell, “Nosso amor”, “Fim de tristeza”, “Se a tristeza chegar”, “Rosa flor” e “Samba de mudar”.

Em 1962, gravou com a cantora Ana Lúcia a canção “Samba em prelúdio”, de Vinícius de Morais e Baden Powell. No mesmo ano, concluiu o curso de Direito e passou a dedicar-se à música, enquanto trabalhava como fiscal da Companhia Federal de Abastecimento.

Conforme escreveu Franco Paulino na capa posterior do disco Geraldo Vandré (1979): “A verdade é que, quando Vandré apareceu compondo, a música popular brasileira estava ficando cada vez menos brasileira e muito menos popular”. Era o período da Bossa Nova.

Desgostoso que estava com os rumos da Bossa Nova, Vandré buscava uma nova estética, baseada na cultura nordestina. Nessa linha, compôs “Canção nordestina”, apresentada num show no colégio Mackenzie, em São Paulo – SP, recebida com impacto e espanto pela plateia.

Em 1964, lançou seu primeiro disco, no qual se destacaram as composições “Fica mal com Deus”, de sua autoria, e “O menino das laranjas”, de Théo de Barros.

Em 1965, Vandré foi convidado pelo cineasta Roberto Santos para compor a trilha sonora do filme “A hora e a vez de Augusto Matraga” e lançou seu segundo disco, “Hora de lutar”, com destaques para a música título, de sua autoria, “Dia de festa”, dele e Moacyr Santos, “Samba de mudar”, em parceria com Baden Powell, “Aruanda”, de Vandré e Carlos Lyra e “Asa branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

Em 1966, interpretando a marcha rancho “Porta-estandarte”, composta em parceria com Fernando Lona, Vandré foi o vencedor do II Festival da Música Popular Brasileira organizado pela extinta TV Excelsior.

No mesmo ano, participou do Festival de Música Popular da TV Record, apresentando a composição “Disparada”, feita em parceria com Théo de Barros, defendida por Jair Rodrigues e Trio Marayá. Nessa oportunidade, “Disparada” obteve o primeiro lugar, empatada com “A banda”, de Chico Buarque.

Ainda em 1966, sob o título “5 anos de canção”, foi lançado o terceiro disco de Geraldo Vandré, com destaque para as composições “Porta-estandarte”, “Réquiem para Matraga”, “Canção nordestina” e “Pequeno concerto que virou canção”.

Em 1968, foi lançado o quarto disco de Geraldo Vandré, “Canto geral”, onde destacam-se, dentre outras, as músicas: “Terra plana”, “Maria Rita”, “Cantiga brava” e “Arueira”, de sua autoria, e “O plantador”, “João e Maria” e “Guerrilheira” em parceria com Hilton Acioli, componente do Trio Marayá, que tomou parte nas gravações.

O ano de 1968 foi significativo na carreira de Geraldo Vandré, pois marcou a sua participação no III Festival Internacional da Canção Popular, interpretando a composição “Pra não dizer que não falei das flores”. “Caminhando”, como ficou conhecida, ficou em segundo lugar, perdendo para “Sabiá”, de Tom Jobim e Chico Buarque, apesar de a preferência do público ter sido pela canção de Vandré.

Em 1970, Vandré gravou na França o seu quinto e último disco: “Das terras de benvirá”, lançado no Brasil em 1973. Na capa desse disco predomina no segundo plano a cor azul claro, destacando-se em primeiro plano o nome GERALDO VANDRÉ, o título do álbum e uma imagem de grande inspiração: o rosto do artista no interior de uma gota de orvalho pendente de um galho com folhas semelhante ao alecrim.

Provavelmente, por ter sido concebido no exílio, “Das terras de benvirá” é o disco mais dolente e agônico dentre os lançados por Geraldo Vandré ao longo de sua carreira. Talvez, essa atmosfera de tristeza tenha sido captada pelo artista plástico responsável pela composição da capa do disco. De forma simbólica, seria a gota pendente uma lágrima de dor pungente daquele que foi embora quando queria ficar?

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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