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Benedito Antonio Luciano: Brasil sem risco de racionamento de energia elétrica

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 8 de julho de 2021 às 9:28

Em 23 de junho de 2021, o Canal Energia e o Grupo de Estudos do Setor Elétrico/ Instituto de Economia/Universidade Federal do Rio de Janeiro realizam um “webinar” (seminário virtual) intitulado “Apagão 20 anos depois: a história se repete?”.

Tendo como moderador o professor Nivalde de Castro, o evento contou com a participação de três palestrantes muito experientes: Rave Barros dos Santos, Luis Eduardo Barata Ferreira e Dorel Soares Ramos.

O termo “apagão” é atribuído à falta de suprimento de energia elétrica em uma determinada área, que pode variar de extensão, desde um condomínio, um bairro, uma região metropolitana, um ou vários estados e até países inteiros.

As causas dos “apagões” podem ser diversas, dentre elas: a derrubada de torres linhas de transmissão ocasionada por fenômenos naturais; instabilidade do sistema de potência, atuação inadequada do sistema de proteção, sinistros em equipamentos de subestações e, mais recentemente, mediante ações criminosas de hackers.

O racionamento de energia elétrica, por sua vez, não é algo que depende de tantas externalidades. Partindo de restrições técnicas decorrentes do desequilíbrio entre a oferta e a carga, o racionamento de energia elétrica é uma decisão política extrema, adotada quando falham os modelamentos sobre os quais se baseiam o planejamento de curto, médio e longo prazo.

Sobre estes temas eu já havia refletido e exposto meus pontos de vista em alguns artigos publicados, entre 1987 e 2009, no Diário da Borborema, Jornal A União e no Jornal da Paraíba.

Para que possamos entender o contexto em que se deu o racionamento de energia elétrica no Brasil em 2001 e porque não se vislumbra a repetição desse evento no cenário atual temos que levar em consideração dois aspectos: a matriz elétrica e a configuração sistema elétrico em termos de linhas de transmissão interligadas.

Em 2001, na matriz elétrica brasileira havia uma grande participação da energia de origem hidráulica, com 83,42 % da capacidade instalada, e a energia eólica participava com apenas 0,03 %.

Vinte anos depois, em março de 2021, continua a predominância das fontes renováveis, com 58,34 % da capacidade instalada oriunda de usinas hidrelétrica, porém com um aumento da participação da energia eólica correspondente a 10 %.

Certamente, o aumento da capacidade instalada e a diversificação das fontes de energia na matriz elétrica brasileira, o aumento das interligações dos sistemas de transmissão e o incremento da “geração” distribuída formam um conjunto de elementos técnicos que levaram ao alinhamento do prognóstico dos três palestrantes de que não haverá racionamento de energia elétrica até o fim do ano de 2021.

Claro que não devemos abstrair que em junho de 2021, devido às condições hidrológicas desfavoráveis dos reservatórios no Sistema Interligado Nacional (SIN), a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) decidiu acionar a bandeira tarifária vermelha, patamar 2, com custo de R$ 6,243 para cada 100 kWh consumidos.

Este aumento no custo da energia elétrica decorreu do acionamento das usinas termelétricas que utilizam como combustíveis óleo ou gás natural. De fato, este é o cenário real que estamos vivenciando. E para finalizar, deixo duas perguntas para reflexão dos leitores: qual seria o interesse subjacente de quem dissemina sinistroses relativas ao apagão e à volta de um suposto racionamento compulsivo? Não basta a Covid-19?

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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