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Benedito Antonio Luciano: Bairro da Bela Vista (III)

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 5 de novembro de 2020 às 8:43

Completando a trilogia sobre o Bairro da Bela Vista, seguem alguns fragmentos memoriais relativos ao lugar onde vivi parte da minha infância até a fase adulta.

Inicialmente, lembro de um cinema que havia na Rua Montevidéu, no trecho compreendido entre a Av. Rio Branco e a Rua Coronel José Vicente. Salvo engano, pois a memória é trapaceira, o nome desse cinema era Cine Real.

No tempo de minha infância e adolescência havia templos religiosos no Bairro da Bela Vista: a Igreja Evangélica Pentecostal O Brasil Para Cristo, localizada na Av. Rio Branco; um Terreiro de Candomblé, localizado na Rua Dom Pedro II, e uma Igreja Católica, localizada na Av. Rio Branco.

A “Igreja Brasil Para Cristo”, como era conhecida, foi fundada pelo Pastor Orlando Silva, que na oportunidade residia na Rua Coronel José Vicente.

Antes de ser construída a Igreja Católica na Av. Rio Branco, o salão térreo do prédio da Sociedade de Amigos do Bairro da Bela Vista (SAB da Bela Vista) foi utilizado para a realização de missas, celebradas por padres holandeses, pertencentes à paróquia da Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, localizada no Bairro de Bodocongó.

Outro registro, diz respeito à existência de serviços de autofalantes. Na Rua Dom Pedro II havia a Difusora de Zé de Iolanda. Com seu serviço de autofalante, o Sr. Zé de Iolanda prestava um bom serviço social, empreendendo campanhas de solidariedade, junto à comunidade, para arrecadar recursos destinados ao enterro de pessoas carentes, notadamente crianças recém-nascidas. E como morriam crianças pobres naquela época!

Além da Difusora de Zé de Iolanda, havia a Difusora de Severino Jorge, localizada na Rua Auta Leite, e o Serviço de Autofalante da SAB da Bela Vista.
Por ter sido citada duas vezes, é importante contextualizar a criação da SAB da Bela Vista. Em 1958, coordenados pela irmã Ângela Beleza, os movimentos comunitários deram origem à criação das Sociedades de Amigos de Bairros de Campina Grande.

Nesse período, existia um Conselho Comunitário que tinha como finalidade reivindicar, junto aos poderes públicos, melhorias nos bairros. Com este princípio de organização comunitária, em 1962 foi criada, no Bairro de José Pinheiro, a primeira SAB.

Com a criação da SAB de José Pinheiro, outras foram criadas e, em 1964, foi fundada a União Campinense das Equipes Sociais – UCES, tendo como primeiro Presidente o Senhor João Basílio, que atuava na SAB de Monte Castelo.

Segundo informação do Sr. José Augusto de Medeiros, a SAB da Bela Vista foi fundada em 20 de agosto de 1965. Depois, foram criados: o Clube de Mães do Bairro da Bela Vista, em 3 de agosto de 1969, tendo como presidente a Senhora Ana Maria Cruz, e o Clube de Jovens do Bairro da Bela Vista, presidido por Marcos Barbosa.
Localizado na Rua Montevidéu, próximo da esquina com a Rua Dom Pedro II, durante o auge do movimento Jovem Guarda, funcionou o “Clube Juvenil Os Gênios”.

No início do decênio de 1960 foram construídos a Boate Cartola e o Ginásio César Ribeiro. Em 1973, foi concluído o Parque Aquático da Sede Social do Campinense Clube.

Uma curiosidade: em um terreno compreendido entre as ruas Montevidéu, Rodrigues Alves, Auta Leite e Capitão João Alves de Lira, o Sr. Raimundo Viana edificou uma construção com paredes de pedras que ficou conhecida como “O Castelo da Prata”, embora o imóvel estivesse localizado no Bairro da Bela Vista.

Atualmente, “O Castelo”, que se tornou uma lenda urbana, não existe mais. Ele foi demolido para dar lugar a um grande edifício residencial.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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