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Benedito Antonio Luciano: Bairro da Bela Vista (I)

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 22 de outubro de 2020 às 7:57

Localizado na região Oeste da Cidade de Campina Grande – PB, o Bairro da Bela Vista é limitado ao Leste pela Rua Montevidéu, separando-o do Bairro da Prata; ao Sul pela Rua Oswaldo Cruz, separando-o do Bairro do Centenário; ao Oeste pelos Bairros Universitário e Pedregal; e ao Norte pela Rua Sargento Hermes Ferreira Ramos, separando-o do Bairro do Monte Santo.

Por volta de 1957, quando eu e meus pais viemos morar no Bairro da Bela Vista, o sistema de iluminação pública era precário. Os postes eram de madeira e as lâmpadas neles instaladas eram incandescentes, ineficientes em termos de iluminação.

Apesar dessa ineficiência, pode-se afirmar que, embora as ruas fossem mal iluminadas, era tranquilo transitar por elas à noite, pois não ocorriam roubos nem furtos.
Saneamento de água e esgotos não existia. Água para beber, a comunidade dependia do armazenamento de água da chuva em cisternas, do abastecimento com carros-pipa, de água dos chafarizes, das cacimbas ou do denominado Barreiro dos Crentes. Talvez, por causa dessa deficiência sanitária havia tanta morte de crianças recém-nascidas.

Não sei precisar o ano, mas lembro que o sistema de saneamento de água e esgotos nas principais ruas e avenidas do Bairro da Bela Vista teve início por volta da segunda metade do decênio de 1960.

Naquela época, as ruas do bairro não eram pavimentadas e nos meses de chuvas intensas em Campina Grande as águas pluviais causavam grandes erosões, dificultando o tráfego de veículos.

Então, aproveitando o pouco movimento de carros, as crianças brincavam livremente no meio da rua. E as brincadeiras eram várias: bola de meia; bola de vidro (bola de gude); carrinhos de rolimãs; toca; barra-a-barra; barra-bandeira; pião; soltar coruja; ABC; e jogos de botões sobre as calçadas cimentadas.

Neste contexto, o meu ponto de vista difere daquele do compositor Ataulfo Alves quando no verso final da música “Meus tempos de criança” ele afirmou: “Eu era feliz e não sabia”. Pois, embevecido com essas brincadeiras eu era feliz e sabia.

E foi bom ter sabido aproveitar esse tempo de criança, pois ele passa rápido, mudando tudo e todos. Umas mudanças para melhor e outras para pior. Por oportuno, cito aqui os versos da música Dindilin, composta por Tavinho Moura e Fernando Brant: “a cidade cresceu/com os carros se casou/suas ruas asfaltou… /só me resta lamentar e xingar/o juiz roubou, /roubou, roubou, roubou”. E não adianta xingar o juiz: o tempo é inexorável.

Assim, seguindo seu curso natural, o Bairro da Bela Vista mudou. Atualmente, ele é composto pelas seguintes ruas e avenidas: José Augusto Trindade, Silva Barbosa, Sargento Hermes Ferreira Ramos (antiga Rua Arrojado Lisboa ou Rua da Rodagem, como era popularmente conhecida), Coronel José Vicente; Av. Barão do Rio Branco; Idelfonso Aires (antiga Rua Estreita); Av. Dom Pedro II, Nilda de Queiroz, Capitão João Alves de Lira, Rodrigues Alves, Montevidéu (lado par, CEP 58428-790), Otília Donato, Otaviano Bezerra da Cunha, Delzo Donato, José de Alencar, Auta Leite, Cônego Pequeno), Coronel João da Costa e Silva, Marechal Deodoro, Senador Epitácio Pessoa Cavalcante, Professor Carlos Francisco de Almeida, Pedro Feitosa Neves, Oswaldo Cruz, Professora Luiza Barbosa Leal e Deputado Raimundo Asfora.

Noutra crônica voltarei ao tema, adicionando registos memoriais do bairro onde morei por vinte anos: entre 1957 e 1977.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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