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Benedito Antonio Luciano: Assustados sem violência e sem vírus

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 8 de abril de 2020 às 12:01

No início do decênio de 1970, havia em Campina Grande um tipo de festa dançante organizada por jovens, denominada “assustado”, que ficou marcada na lembrança de muitos deles.

Geralmente, esses assustados ocorriam nos fins de semana, nos sábados ou domingos à tarde ou no início da noite. Como não havia violência, o acesso ao local onde se realizava a festinha era livre, portas e janelas ficavam abertas. O local da realização poderia ser a sala de uma casa residencial, a sala de aula de alguma escola ou o salão de festas de uma Sociedade de Amigos do Bairro – SAB.

Na prática, para que o assustado se realizasse era necessário o envolvimento dos organizadores. Primeiro, eles tinham que obter a autorização dos donos das casas, da diretora da escola ou da diretoria da SAB.

No caso de o assustado ocorrer na sala de alguma residência, os móveis eram transferidos para outro ambiente, deixando no recinto apenas a radiola e os discos de vinil, geralmente “Long Plays” (LPs) e compactos: simples e duplos.

Na Bela Vista, bairro onde morei durante a minha infância e adolescência, as músicas mais tocadas nos assustados eram as de ritmos mais dançantes, sendo “O milionário”, gravada pelo grupo “Os Incríveis”, em 1965, a mais executada.

Além de “Os Incríveis”, não podiam faltar, dentre outras, músicas de: Agnaldo Timóteo, Ângelo Máximo, Antônio Marcos, As 14 Mais, Benito di Paula, Bobby de Carlo, Cláudio Fontana, Carlos Gonzaga, Celly Campello, Demétrius, Deny e Dino, Ed Carlos, Ed Lincoln, Ed Wilson, Eduardo Araújo,  Erasmo Carlos, Golden Boys, Jerry Adriani, José Roberto, Lafayette e Seu Conjunto, Leno e Lilian, Marcos Roberto, Martinha, Martinho da Vila, Nilton Cesar, Os Carbonos, Osvaldo Nunes, Os Populares, Os Vips, Paulo Diniz, Renato e Seus Blue Caps, The Brazilian Bitles, The Clevers, The Fevers, The Jet Blacks, The Jordans, The Pop´s, The Sunshines, Ronnie Cord, Ronnie Von, Paulo Sérgio, Reginaldo Rossi, Roberto Carlos, Sérgio Reis, Sylvinha, Tim Maia Trio Esperança, Trio Melodia,Vanusa, Wanderléa e Wanderley Cardoso.

Em 1972, saindo do estilo tradicional, registro a realização de um assustado diferente, organizado por dois amigos que participaram da fundação do Clube de Jovens da SAB da Bela Vista: Antonio Araújo de Queiroz (Bituri) e o autor desta crônica.

Nesse assustado, ocorrido no salão de festa da referida SAB, numa tarde de sábado, foram executadas somente músicas gravadas por artistas e bandas internacionais, a exemplo de: Badfinger, Barrabas, Bee Gees, Carole King, Chicago, Creedence Clearwater Revival, Christie, Elvis Presley, Jimmy Cliff, Joe Jeffrey Group, Johnny Rivers, Lynn Anderson, Michel Polnareff, Mirian Makeba, Mungo Jerry, Oliver, Paul McCartney, Rita Pavone, Roy Orbinson, Shocking blue, The Archies, The Beach Boys, The Beatles, The Double Brothers, The Guess Who, The Grass Roots, The Hollies, The Animals, The Mamas & The Papas, The Marmelade, The Monkees, The Rolling Stones, The Shadows, The Square Set, The Tremeloes, Tony Orlando & Down, Tony Ronald, The Who, Tommy Roe e Trini Lopez.

Provavelmente, quem participou desses assustados e viveu naquele período sabe hoje que viveu um tempo bom: sem drogas, sem violência e sem esse famigerado vírus chinês (COVID-19) que nos mantém afastados do convívio social.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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