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Benedito Antonio Luciano: As obras e os títulos

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 23 de abril de 2020 às 12:26

Um bom título pode despertar o interesse pelo conteúdo da obra, seja ela um livro, um filme, uma música, uma peça de teatro, uma ópera, um quadro, uma escultura, revistas em quadrinhos, um artigo científico, jogos digitais etc.

No processo de escolha há quem se sinta atraído por títulos longos e outros, assim como eu, pelos títulos curtos. Portanto, neste particular prevalece a subjetividade ou os apelos comerciais ditados pelo mercado.

Na literatura temos exemplos de obras clássicas com títulos curtos, tais como: “EU” (Augusto dos Anjos), “Alice” (Lewis Carrol), “1984” (George Orwell), “Fausto” (Goethe), “Ulysses” (James Joyce), “Hamlet” (Shakespeare), “Demian” (Hermann Hesse), “Odisseia” (Homero), “I Ching” (Richard Wilhelm).

No cinema, um exemplo emblemático de título curto, com apenas uma letra, é do filme “Z”, dirigido por Constantin Costa-Gravas, baseado no romance homônimo de autoria de Vassilis Vassilikos. Outros exemplos de bons filmes com títulos curtos são: “8 ½” (Felini), “Acossado (Godard), “Casablanca” (Curtiz), “Psicose” (Hitchcock), “El Cid” (Anthony Mann), “Spartacus” (Stanley Kubrick), “Ben-Hur” (Willian Wyler), “Fitzcarraldo” (Wernwr Herzog), “O circo” (Chaplin), “Charada” (Stanley Donen) e “Serpico” (Sidney Lumet).

 Gosto de praticamente todas as músicas gravadas pelos Beatles, mas tem uma que não gosto, talvez pelo tamanho do título: “Everybody’s got something to hide except me and my monkey” (Todo mundo tem algo a esconder exceto eu e meu macaco, em tradução livre). Uma música de título curto, mas de subtítulo longo é “Ventania (De como um homem perdeu seu cavalo e continuou andando) ”, composição de Geraldo Vandré. 

Houve um tempo que me interessei em ler e ouvir notícias sobre as peças teatrais e musicais apresentadas na Broadway. Nunca assisti nenhuma delas, porém lembro os títulos de algumas: “Hair”, “Jesus Christ superstar”, “My fair lady”, “West side story”, “The sound of music”, “Hello, Dolly!”, “The phantom of the opera”, “The lion king”, “Cats” e “An American in Paris”.  

No início do decênio de 1970, convidado por um colega do Colégio Estadual da Prata, passei a ouvir discos de ópera na casa dele. Por seu intermédio, conheci obras de grandes compositores: “Aída” (Verdi), “Carmen” (Bizet), “Cavalleria rusticana” (Mascagni), “O barbeiro de Sevilha” (Rossini), “Norma” (Bellini), “L’elisir d’amore” (Donizetti), “Tristão e Isolda” (Wagner), “A flauta mágica” (Mozart) e “O Guarani” (Carlos Gomes).

Nesse período, comecei a participar como pintor em algumas exposições que reuniam artistas plásticos de Campina Grande. Foi, então, que tive que atribuir títulos aos quadros de minha autoria e a me interessar pelos títulos atribuídos por outros artistas local, nacional e internacionais. Dentre os quadros que pintei, seguem os títulos de cinco: “Trindade”, “Introspecção”, “Santa Luzia”, “Peixe com olhar de Saturno” e “Por do Sol sob o flamboyant”.

De forma geral, sou de opinião que o título de uma obra deve ser conciso, informativo e estar ligado diretamente com o tema principal nela apresentado. Particularmente, este tem sido um dos critérios que adoto quando sou convidado para atuar como avaliador de trabalhos científicos submetidos a revistas e periódicos, nacionais e internacionais.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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