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Benedito Antonio Luciano: A vitória dos ímãs permanentes

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 11 de junho de 2020 às 9:32

A minha trajetória profissional poderia ter seguido um caminho muito diferente se não fossem os percalços ocorridos a partir da conclusão do curso de graduação em engenharia elétrica, em julho de 1977, aos vinte e dois anos de idade.

Parafraseando o poeta Fernando Pessoa: “a vida é o que fazemos dela”. Mas, nem sempre ela transcorre conforme planejamos. Pois, no meio do caminho, além de pedras, podem existir bifurcações e encruzilhadas.

Ao concluir o curso de graduação, vi diante de mim de uma bifurcação: iniciar a carreira profissional como Engenheiro Eletricista em uma empresa do setor elétrico, ou aceitar o convite para ingressar na carreira docente na Universidade Federal da Paraíba (atual UFCG). Escolhi a segunda opção e não me arrependo dela.

Em 1978, inicie o curso de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da UFPB, sem me afastar das atividades docentes.

Depois, veio a possibilidade de me afastar do Brasil e realizar todo o curso de pós-graduação na França no âmbito do programa de cooperação denominado CAPES/Cofecub. Não deu certo, pois a minha esposa, na época, não acatou a ideia de morar fora do Brasil e terminei por concluir o mestrado na UFPB.

Concluído o mestrado, decidi planejar bem o início do doutorado para não incorrer nos equívocos cometidos ao longo do mestrado. Então, resolvi conversar com o professor Evandro Fechine Alencar, colega de departamento, sobre a possibilidade de ele orientar o meu doutorado e ele acatou a proposta.

Conforme o nosso planejamento, eu realizaria o doutorado tipo “sanduíche”, modalidade na qual iniciaria os estudos no Programa de Pós-Graduação da UFPB e faria um estágio no Instituto Politécnico Nacional de Lorraine, em Nancy, França. Depois, eu voltaria ao Brasil para defender a tese na UFPB.

Na oportunidade, combinamos que o tema da tese de doutorado seria em torno das “Aplicações de ímãs permanentes Terras-Raras em motores de passo”.

Iniciamos os trabalhos de pesquisa e estávamos bastante motivados em face dos progressos e das metas atingidas: artigos publicados em periódicos e anais de eventos científicos nacionais, aprovação com conceito A no exame de proficiência em língua estrangeira (Francês) e em todas as disciplinas Projeto e Pesquisa nas quais me matriculei.

Certa vez, numa conversa sobre as aplicações de ímãs permanentes em máquinas elétricas, o professor Fechine lançou a ideia de escrevermos, em parceria, um artigo intitulado: “A vitória dos ímãs permanentes”.

Infelizmente, isto não foi possível. Pois, quando nos preparávamos para formalizar a defesa do Exame de Qualificação, ocorreu o inesperado: a morte prematura do professor Fechine, em 22 de janeiro de1992, aos trinta e sete anos de idade, vítima de leucemia.

Com a morte do orientador, me vi diante de uma situação complicada: a redefinição do tema da tese, conforme a área de pesquisa do novo orientador. Não foi fácil, mas consegui chegar a bom termo. O tema foi mudado. A parte experimental foi realizada na Universidade Federal de São Carlos – SP e a tese foi apresentada e aprovada na UFPB, em agosto de 1995.

Aos meus orientadores do mestrado e do doutorado a minha gratidão.

Esta crônica é dedicada ao caríssimo e inesquecível amigo Evandro Fechine Alencar (In memoriam).

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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