Benedito Antonio Luciano: A Primeira Arte (I)

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 20 de maio de 2021 às 8:21

O colega de caminhada Iêdo Júnior, sabendo do meu interesse pela música, sugeriu que eu assistisse no YouTube aos três episódios do filme “A Primeira Arte”: o primeiro, intitulado “Ressonância”, lançado em 14/04/2021; o segundo, “Consonância”, lançado em 15/04/2021; e o terceiro, “Dissonância”, em 22/04/2021.

Para compor essa trilogia, vários especialistas apresentaram contribuições relevantes, dentre eles: Álvaro Siviero, Pianista; Iñigo Pírfano, Maestro, Compositor e Escritor; Clístenes Hafner, Professor; Deividi Pansera, Matemático e Cientista da Computação; Ricardo Peres, Pianista; João “Rasta” Nogueira, Músico; Guilherme Freire, Professor; Alexandre Bezerra, Musicista; Tomasz Wabnic, violinista; e Lord Vinheteiro (Fabricio A. Bernard Di Paolo), Pianista.

No primeiro episódio foram abordados aspectos históricos, sociais e filosóficos da música sobre os seres humanos, inclusive no que diz respeito aos efeitos da música em bebês na barriga da mãe, em recém-nascidos e na personalidade de jovens e adultos.

A narrativa é ricamente ilustrada com citações de filósofos como Aristóteles, Pitágoras, Platão e Schopenhauer; e trechos de obras compostas por Beethoven, Bach, Chopin e Tchaikovsky.

Aspectos relativos aos fundamentos teóricos e práticos da música são apresentados de forma didática, tais como: acorde, compasso, consonância, dissonância, escala, frequência, harmonia, melodia, notas musicais, pauta, partitura, pentagrama, ritmo, tessitura, timbre, tonalidade e ressonância.

Antecipando o que seria detalhado no terceiro episódio, na parte final do primeiro episódio é apresentado um gráfico no qual fica evidenciado que a música brasileira passa por um processo de simplificação exacerbado, uma queda vertiginosa da qualidade, caracterizada pela diminuição da quantidade de acordes por ano, prevalecendo o ritmo sobre a melodia, nivelando-a literalmente por baixo.

No segundo episódio a relação da música com o ser humano é destacada, partindo dos tempos mais remotos, suscitando uma indagação que leva a um debate filosófico interessante: quem surgiu primeiro, a fala ou a música?

Para ilustrar e fundamentar tal indagação foram apresentadas a fotografia de uma flauta feita de osso e imagens de pinturas rupestres do período paleolítico nas quais se destacam figuras humanas executando instrumentos de sopro.

Com o declínio do Império Romano, entra em cena a música medieval representada pelo Cantochão, o Canto Gregoriano e o Organum. Nesse tempo, Guido D’Arezzo, monge e regente da Catedral de Arezzo, nominou as notas musicais (dó, ré, mi, fá, sol, lá, si), retiradas das primeiras sílabas do hino a São João.

Na Baixa Idade Média, sob a influência dos árabes, a música europeia se funde com a poesia por meio dos trovadores, indo do sagrado (música sacra) para o profano (música popular).

Num salto temporal surpreendente a música brasileira é apresentada como folclórica nas vozes de Sivuca, Luiz Gonzaga e Santanna, representando o Nordeste; e Renato Borghetti, dentre outros, representando a música da região Sul.

Voltando à evolução cronológica da música ocidental é registrado o surgimento da ópera, na Itália, por volta de 1600, tendo como precursor Claudio Monteverdi, pioneiro no emprego de acordes dissonantes, iniciando-se, ali, a Idade de Ouro da Primeira Arte, conforme será apresentado na segunda parte deste artigo.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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