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Bem-vindo, Jurani Clementino!

Josemir Camilo. Publicado em 23 de novembro de 2019 às 12:11

Foto: Leonardo Silva/Paraibaonline

A Academia de Letras de Campina Grande (ALCG), Casa de Amaury Vasconcelos, deu prosseguimento às posses acadêmicas resultantes da eleição de julho último, entrando, praticamente, em recesso. 

Nas últimas semanas, a Academia esteve envolvida num grande número de atividades, através de seus membros, participando, ora como representação, ora com atividades lítero-culturais. A mais recente ocorreu num lançamento de uma autora areiense, nossa confreira do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, e acadêmica da Academia de Letras de Areia, Professora Zélia Almeida: “A Dor de Pobreza, uma Dor de Mundo”. Lançamento bastante concorrido na Fundação Casa de José Américo, na capital, teve a coroação de uma entidade produtiva de conhecimentos e planejamentos econômicos o Conselho Regional de Economia (CORECON). Mais ainda se revestiu de brilho, porque fazia parte da noite, uma homenagem ao maior cientista social paraibano, o universal Celso Furtado, através de sua viúva e editora, Rosa Freire de Aguiar. Em tempo: sugerimos a autora Zélia Almeida o seu lançamento em Campina Grande, com apoio de nossa Academia.

Em seu primeiro semestre de atividades da nova diretoria da ALCG, sócios e sócias estiveram em atividade em quase todas as feiras literárias, incluindo a presença em algumas sessões do Por do Sol Literário, na capital e em inúmeros lançamentos, muitos dos quais, sendo obra de próprio punho. Essa caravana de denodados produtores lítero-culturais esteve presente na FLIBO (Boqueirão), na FLAREIA (Areia), FLIPOCINHOS e FLIC (Campina).

Utilizando, aqui, parte do discurso da sessão de posse, quero também lembrar a passagem da data do centenário do nosso antecessor e fundador da cadeira de nº 14, o imortal William Tejo, cadeira cujo patrono é o esperancense, Epaminondas Câmara e o atual ocupante é este que vos escreve. O bravo jornalista está a merecer uma biografia substanciosa e um centenário copioso de memórias.

No entanto, o motivo maior deste artigo deveria ser um comentário da posse do novel acadêmico, Jurani Oliveira Clementino, na cadeira, cujo fundador é o nosso saudoso Hermano José e que veio preencher uma lacuna que sentimos, na Casa de Amaury Vasconcelos, para atualizar seu número de cadeiras. Lembro da esperança de Amaury com a posse de Hermano José, com quem cheguei a participar de reuniões, ainda na residência do nosso presidente, ali na Desembargador Trindade, nossa sede itinerante. Mas, parece que nossa Confraria está fadada à morosidade ou à estamparia, isto é, ainda falta dinâmica em alguns setores.

Com a renovação do nosso quadro, percebe-se o ânimo na produtividade acadêmica, principalmente através do nosso grupo no whatsapp, mas ainda nos falta um site ou página no facebook. Por outro lado, pela coletânea de imagens, notamos um vigor na produção literária e em representações culturais outras, do nosso quadro, hoje, quase juvenil. Parabéns aos confrades e confreiras que não têm medido distâncias ou sacrifícios para corresponderem ao papel que lhes foi outorgado pelos antecessores, nesse caminho, pouco glorioso, porém mais de resistência, para a manutenção da produção literária de nossa língua e de nossa cultura.

O discurso de Jurani Clementino, “esse menino!” (Como dizíamos, no interior, ao interpelarmos uma criança) abalou a mesa e a plateia; todos da mesa quiseram abraçar o autor de tão encantadas pérolas de emoção e simplicidade. Pés no chão, esse menino, percorreu as trilhas do mato, do asfalto, se escondeu na Serra, de onde já tem saudades de sair; e, se volta, patativa saudosa, à sua Várzea Alegre, logo sente saudade do vigor da Serra que o transformou de ‘esse menino!’ em ‘esse caba!’. Eita caba bom na escritura! Esse tem autoria! 

Nossa Casa, prezado Jurani, representa bem o papel que Campina Grande tem no cenário cultural e econômico nordestino, podendo ser chamada a meca da nordestinidade, pois esta mesma Casa é exemplo de congraçamento do potencial intelectual da região, aglutinando, aqui, no platô da Borborema, uma gama de tropeiros da cultura. Jurani Clementino, você vem para recuperar o espaço simbólico de seu conterrâneo Stênio Lopes e traz, no seu matulão, a herança de um compositor que muito nos envaidece, seu avô Zé Clementino, companheiro de sucessos de Luís Gonzaga. Que traga o lúdico do seu Ceará e verá que está em Casa, tal a identidade desta Casa com a cultura nordestina.

Seja bem-vindo, Jurani Clementino!

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Josemir Camilo

* PhD em História pela UFPE, professor aposentado da UFPB, membro do Instituto Histórico de Campina Grande.

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