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Autocrítica já

Gisa Veiga. Publicado em 23 de outubro de 2018 às 9:39

Cid Gomes pode ter exagerado, mas sem dúvida ele está corretíssimo quando prega uma autocrítica por parte do PT. Só os muito arrogantes rejeitam a ideia de aprimoramento, por se acharem inatacáveis – popularmente conhecidos como “os donos da razão e da verdade”.

Essas eleições podem ser a grande oportunidade para uma nova história no partido.
Ainda que perca a parada para o fascista, misógino, violento, racista, preconceituoso e truculento Bolsonaro, que fará muita gente sentir saudades do passado recente logo nos primeiros meses, não tenho dúvida.

Sim, o PT precisa mesmo repensar sua trajetória, talvez até necessite de uma depuração. Ao longo de sua trajetória, perdeu importantes nomes que lhe deram sustentação intelectual e até mesmo reserva moral. Faltam aos seus membros mais radicais e resistentes a desenvoltura e maturidade para admitir que o PT errou. Seja por atos dos próprios petistas, seja por fechar os olhos às ações nada republicanas de seus aliados. Ação e omissão. Afinal, os casos de corrupção, se não patrocinados diretamente pelo PT, em sua maioria (o PMDB lidera a lista dos acusados pela Lava Jato), se deram sob o seu governo. É fato.

Ainda que exageros da parte de juízes e procuradores possam ter viés político, seria insano afirmar que não houve qualquer problema nas gestões petistas, mesmo que as ações de governo, com seu alcance social, investimentos na Educação, geração de empregos e várias outras de caráter desenvolvimentista tenham superado administrações passadas e deixado uma marca positiva inquestionável.

Os próprios tropeços futuros de Bolsonaro, caso se confirmem o que as pesquisas apontam, serão um prato cheio para o PT ressurgir fortalecido, mas com nova feição, sem adoração a mitos – sim, eles existem na oposição, também -, embora com respeito à história desses. Porque tudo é uma questão de balança: coloque-se, de um lado, os pontos positivos e, de outro, os negativos. Observe-se para qual dos lados a balança pende. A partir daí, novas estratégias devem ser pensadas com profundidade, seriedade e muita – muita mesmo – maturidade, sem a histeria cega própria de seitas vãs.

Admitir um erro não é capitular. Autocrítica não é antecipar a morte. Muito ao contrário, é exercitar a resiliência. É o passo imprescindível para aprimorar-se, qualificar-se, reinventar-se.  Torço para que isso aconteça. E voto em Haddad.

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Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

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Gisa Veiga

Gisa Veiga é jornalista profissional (formada pela UFPB) e advogada (formada pelo Unipê), com experiência em jornalismo impresso, internet, televisão e assessoria de imprensa. Atualmente trabalha como assessora de imprensa na Assembleia Legislativa e apresentadora do programa Sobretudo, da TV Master.

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