Quantcast

Fechar

logo

Fechar

Artigo de Roberto Cavalcanti: Acordo econômico

Roberto Cavalcanti. Publicado em 8 de julho de 2019 às 19:49

Por Roberto Cavalcanti

“É falso todo elogio sem restrição”, alertou o brilhante autor de “A Bagaceira”, José Américo de Almeida. Diante da realidade atual, ouso completar que “é falsa toda crítica com viés ideológico”, porque sempre resultará de uma visão comprometida com seu espectro político.

Recorro ao memorável político e escritor paraibano para falar das reações ao acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia, que, após 20 anos de negociações sem resultados efetivos, foi finalmente concretizado pelo presidente Jair Bolsonaro.

A primeira imagem é a que fica, a exemplo do primeiro beijo. A que guardei foi das manifestações positivas, não de políticos governistas, mas de instituições que representam o empresariado nacional, ou seja, a força que emprega, garante renda, produz, exporta e paga os impostos que permitem aos governos a execução de seus projetos e programas.

Ainda estava lendo o acordo, que foi maturado durante 20 anos, quando a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nota, assinada pelo presidente Robson Andrade, avaliando que foi o mais importante acordo de livre-comércio firmado pelo Brasil.

Destaco suas palavras: “Cria novas oportunidades de exportação devido à redução de tarifas europeias, ao mesmo tempo que abre o mercado brasileiro para produtos e serviços europeus, o que exigirá do Brasil aprofundamento das reformas domésticas. O importante é que essa mudança será gradual, mesmo assim as empresas devem começar a se adaptar à nova realidade”.

O acordo criará um mercado de 780 milhões de consumidores, quase 10% da população do planeta. Juntos, os dois blocos representam 25% do PIB mundial. O Mercosul sozinho (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, pois a Venezuela está suspensa) tem mercado potencial de 220 milhões de consumidores. A União Europeia tem mais do que o dobro e com poder aquisitivo muito superior.

Mesmo assim, por questões ideológicas, alguns preferem apontar como desastre para a indústria brasileira, que não estaria preparada para competir com as europeias, a exemplo da siderúrgica.

Não podemos pensar apenas setorialmente. No caso específico, levamos uma grande vantagem: nós temos as nossas jazidas. O Brasil tem que ser competitivo mundialmente, e em todos os segmentos econômicos.

Não se trata apenas de miopia econômica. Tem muita gente com dor de cotovelo.

É certo condenar o consumidor brasileiro a comprar um produto de qualidade inferior e preço maior, simplesmente porque alguns não querem investir em tecnologia e gestão, para que seus negócios sejam competitivos?

O próprio acordo vai obrigar o governo brasileiro a fazer reformas como a tributária, e a enfrentar a burocracia que torna o “Custo Brasil” uma barreira tanto para nossas exportações como para a atração de investimentos externos. O Chile já começou a fazer as mudanças necessárias para usufruir o melhor desse novo modelo.

Segundo estimativas do Ministério da Economia, o acordo deve impactar positivamente nosso PIB em R$ 336 bilhões em 15 anos, com possibilidade de chegar a R$ 480 bilhões.

As empresas estão com uma oportunidade ímpar para exportar e crescer, mas precisam renunciar ao comodismo, a adotar inovação como fundamental. O mundo não é dos espertos, é dos inteligentes, flexíveis e comprometidos com o futuro.

O temor da defasagem tecnológica é inconsistente. A indústria brasileira terá que produzir de forma melhor e mais barata, ou permitir que o alemão ou outro europeu chegue aqui e mostre que é possível.
O Brasil não terá somente que se alinhar aos europeus, mas aos colegas do Mercosul, a exemplo do Chile, na busca de uma modernização que beneficie a empresa, o empresário, o País e, principalmente, o consumidor.

São os europeus que estão com medo de nossa máquina de produzir carne, a maior do planeta. Devemos nos preocupar com a concorrência dos perfumes e dos bons vinhos, ou aceitar o desafio da renovação, que significa mais empregos, renda e impostos?

Share this page to Telegram

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Mais colunas de Roberto Cavalcanti
Roberto Cavalcanti

Empresário e diretor da CNI.

[email protected]

Arquivo da Coluna

Arquivo 2018 Arquivo 2017 Arquivo 2016 Arquivo 2015

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube