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Art Déco – De Paris ao Sertão

Noaldo Ribeiro. Publicado em 20 de março de 2018.

Foto: Ascom

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*Por Noaldo Ribeiro

A academia brasileira sempre teve dificuldade em transpor suas muralhas e voltar-se efetivamente para as requisições da sociedade. A então professora Lia Monica, quando nos quadros da Universidade Federal de Campina Grande, sempre superou esse entrave.

Farejando o centro da cidade de Campina Grande desvelou o casario art déco. O converteu em objeto de estudo e o resultado de suas pesquisas induziu o poder público a revitalizar a área explorada, atualmente reconhecida oficialmente como centro histórico.

Junto ao parceiro José Marconi Bezerra, independente de seus vários títulos – O Mago dos Desenhos – possibilitou ao cidadão comum enxergar que a sua cidade era dotada de uma preciosidade com potencial suficiente para, além de eventos, atrair turistas de várias partes.

Sem dúvida seu trabalho foi pioneiro e profícuo. Não foi possível consolidá-lo por conta de que uma obra de contornos tão sutis necessita de premissas que ultrapassam a cal e o cimento, além de exigir sensibilidade do gestor da hora. Contudo, não cabe aqui discutir esses detalhes mesmo que sejam eles determinantes.

Após quase 18 anos dessa investida, os eternos cúmplices do desenvolvimento da cidade demonstram a inesgotável disposição de esticar a sina de garimpeiros do patrimônio, notadamente de matriz déco. Na semana passada fui surpreendido com uma boa nova. Lia e Marconi, em nome das “boas recordações de parcerias passadas” enviaram-me, carinhosamente, um folder – um pequeno mapa do Art Déco Sertanejo, conforme batizado por eles.

Desta feita, elegeram como alvo pequenas cidades do Agreste (Pontina, Chã dos Pereiras, Riachão do Bacamarte e Ingá). Neste trabalho, os pesquisadores ressaltam que nestes rincões interioranos os exemplares desse estilo (anunciado na Exposição Internacional de Artes Industriais e Decorativas Modernas, em 1925, em Paris) “… se relacionam diretamente com a geometria do estilo Art Déco internacional, inspirado nos templos mesopotâmicos (zgurats), nos relevos egípcios… em elementos da Arte Moderna, como o Abstracionismo e futurismo etc.”.

A chegada desse material (elaborado com recursos próprios) cutucou o meu guardado desejo de fazer às vezes do profeta João Batista em pregar no deserto, porém berrando alto o bastante para ser ouvido na cidade Rainha da Borborema, principalmente nos ouvidos dos comerciantes e lojistas que majoritariamente ocupam os mais de 100 prédios, emoldurados pelo déco, formando um sítio formidavelmente compacto.

Consciente de que a retomada do Programa de Revitalização do Centro Histórico de Campina Grande (envolvendo a criação de shopping a céu aberto, indução de atividades de arte e entretenimento nas calçadas etc.) será um avanço para singularizar não apenas a cidade, por meio do seu casario déco, mas para revigorar o seu comércio e desenvolver a atividade turística, qualificando-a para torná-la permanente.

Caso esta retomada venha a acontecer ficará claro que o Déco vez uma boa e feliz viagem. Saiu de Paris para o sertão, com uma longa e definitiva escala em Campina Grande.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Noaldo Ribeiro

* Sociólogo.

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