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Arlindo Almeida: Uma viagem no tempo

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 29 de abril de 2020 às 11:12

Desde o início da evolução dos humanos, na África, há 2,5 milhões de anos, quando já confeccionavam toscas ferramentas de pedra, e, principalmente com o surgimento do Homo Sapiens na África Oriental, 200 séculos atrás,  quando ocorreu a Revolução Cognitiva, a capacidade de adquirir e armazenar conhecimentos, a “educação” desde  suas formas mais incipientes têm sido o suporte para as mudanças e o progresso da humanidade. Vieram dali a revolução agrícola, a domesticação de plantas e animais e os assentamentos permanentes precursores das aglomerações dos dias presentes – cidades, vilas, a revolução industrial, etc. Sobre esse assunto recomenda-se a leitura do magnifico “Uma breve história da humanidade – Sapiens – do Doutor em História Yuval Noah Harari.

É um novo mundo que se descortina. Nos dias de hoje, não se pode falar em educação deixando de lado outro aspecto indissociável:  ciência e tecnologia. Ambos, com as adaptações inerentes ao tempo em que ocorreram, respondem pelo que conseguimos até hoje, e trazem consigo as perspectivas de maior desenvolvimento para as nações. Contudo, sem uma base sólida de educação e ciência todos estão condenados ao atraso.

1. DA EDUCAÇÃO

Analisando alguns números sobre a educação no Brasil e no mundo, uma particularidade chama a atenção e deixa uma dúvida: o Brasil investe em educação percentuais do PIB superiores a países que apresentam melhores resultados. “O Brasil gasta atualmente em educação pública cerca de 6,0% do PIB, valor superior à média da OCDE (5,5%) e de pares como Argentina (5,3%), Colômbia (4,7%), Chile (4,8%), México (5,3%) e Estados Unidos (5,4%).”  Na principal avaliação internacional de desempenho escolar, o Pisa (Programme for International Student Assessment), o Brasil figura nas últimas posições. Dos 70 países avaliados em 2015, o Brasil ficou na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática.” Um paradoxo.

Por nossas dimensões territoriais e desigualdades entre regiões, existem falhas em termos de cobertura. Mas, levando em conta a realidade internacional no que respeita à qualidade da educação, a comparação indica que o valor atualmente despendido seria suficiente para o fornecimento de uma educação de maior qualidade, embora os gastos por alunos sejam ½ da média dos países da OCDE.

O Vietnã (quase destruído por uma guerra que durou 20 anos), que mesmo possuindo um PIB per capita equivalente a pouco mais de 40% do brasileiro, e aplicando 5,6% de seu PIB em educação (percentual inferior ao aplicado no Brasil), alcançou em 2015 uma nota média de 502 (22ª.  posição entre 73 países/ regiões), enquanto o Brasil obteve média de 396 (66º lugar).

O que nos falta? Certamente estratégias, planejamento, maior transparência, controle de gastos não permitindo desvios como os que assistimos cotidianamente e quase ninguém paga por isso.

2. DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA.

Ao fazermos uma comparação da porcentagem do PIB no que diz respeito à irmã gêmea da educação, a tecnologia, vemos que o Brasil está muito longe de China e Coreia do Sul, por exemplo, países que iniciaram muito recentemente o salto de desenvolvimento industrial. A China tornou-se, em 2011, o segundo maior investidor mundial em P&D e hoje já se aproxima dos Estados Unidos.

As nações mais desenvolvidas a organizadas investem em P&D com o objetivo de usar o crescente poder econômico para obter maior influência geopolítica. Quem agir de forma contrária estará comprometendo a seu futuro, perdendo importantes espaços num mundo cada vez mais globalizado. Será um gigante de pernas curtas ou em celeiro vazio.

A grande diferença entre o Brasil e os outros países desses grupos é o volume de investimento em pesquisa e desenvolvimento feito pela iniciativa privada. O 0,55% do PIB aplicado pelas empresas brasileiras está longe dos 2,68% investidos pelo setor privado da Coreia do Sul ou dos 1,22% da China, por exemplo. Quando se comparam os investimentos públicos, no entanto, os gastos do Brasil estão na média das nações mais desenvolvidas: o 0,61% do PIB brasileiro está próximo do percentual investido pelo conjunto dos países da OCDE (0,69%).

A cada três anos o IBGE realiza a Pesquisa de Inovação – PINTEC – e a versão 2017 mostra que caíram a taxa de inovação, os investimentos em atividades inovativas e os incentivos do governo.

“Entre 2015 e 2017, 33,6% das 116.962 empresas brasileiras com dez ou mais trabalhadores fizeram algum tipo de inovação em produtos ou processos, taxa 2,4 pontos percentuais abaixo da apresentada no triênio anterior (de 2012-2014), quando atingiu 36,0%. A indústria foi a mais afetada, com o percentual de empresas inovadoras caindo de 36,4% em 2014 para 33,9% em 2017, o menor patamar das três últimas edições.”

O Brasil atravessa um tríplice deserto com crises na economia, na saúde e, se não bastasse, na política na qual muitos maus brasileiros aderiram ao partido do quanto pior melhor. É preciso a concentração de todos os esforços, a união para superação das crises.

No futuro poderemos ser castigados por termos enveredado por caminhos errados. “Quem não sabe a que lugar quer chegar qualquer caminho serve”.

O futuro está batendo à porta.  As tecnologias em desenvolvimento e as que virão, somadas às mudanças na educação, definirão como será o perfil dos países vitoriosos. Quem fracassar, perde o bonde da história.

Como decifrar o futuro que nos espera?

A lenda diz que a Esfinge de Tebas lançou um enigma e disse: “Decifra-me ou eu te devoro”. O tríplice desafio foi vencido por Édipo, na obra do dramaturgo grego Sófocles (nascido em 497 antes de Cristo). Fez o que era certo e venceu.

Por aqui, o Brasil tem tudo para vencer o enorme obstáculo que se nos apresenta. Nós queremos isso?

Basta que os brasileiros se unam.  Se o bom senso prevalecer, não seremos devorados pela esfinge da crise que atravessamos.

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