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Arlindo Almeida: SICOOB – a força do cooperativismo

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 29 de julho de 2020 às 10:32

Em áureos tempos, quando Campina Grande era o motor da economia da Paraíba, tínhamos entre nós a matriz de oito estabelecimentos bancários – quatro cooperativas e quatro bancos, dos quais nada restou.  As décadas passadas foram marcadas, também, pela existência dessas instituições em todo o país, com maior ou menor intensidade. 

No Brasil, anteriormente, havia uma disseminação mais equilibrada pelo território; entretanto com as mudanças ocorridas no mercado do crédito o agrupamento se acentuou, hoje quase nada restando do antigo modelo. A concentração bancária no Brasil é muito grande; mais de 80% dos ativos estão nas mãos de cinco instituições, que ditam as regras, só atendendo onde lhes é mais conveniente.   Bem sabemos das dificuldades de logística, da segurança, mas a rede de estabelecimentos é muito pequena considerando a extensão territorial do país. 

Em outros países, as redes bancárias com atuação regional e local são muito diferentes e com alto grau de eficiência. Por menores que sejam as cidades, nos Estados Unidos, na Itália, na Alemanha, por exemplo, verifica-se a existência de uma agência, maioria das vezes de um banco ou cooperativa da própria região.

Vejamos algumas estatísticas mundiais. 1- Estados Unidos da América com 5.684 entidades cooperativistas financeiras, que congregam 112,654 milhões de associados, e ativos totais de US$ 1,4 trilhão; 2-China, com 1.444 cooperativas financeiras, 200 milhões de associados e ativos totais de US$ 1,493  trilhão; 3-Alemanha com 915 entidades, 18,514 milhões de associados e US$ 1,424 trilhão de ativos totais. O Brasil possui 953 sociedades do tipo, com 10,831 associados e ativos totais de US$ 77,113.

Em nosso país assistimos um fenômeno recente, no contrafluxo do que foi construído ao longo do tempo: o surgimento, ou fortalecimento,  de cooperativas de crédito, de âmbito regional que suprem, em grande parte, as lacunas existentes que,  pelas suas características estão mais próximas da comunidade por conhecerem bem o mercado de atuação.

“No Brasil as cooperativas de crédito são instituições financeiras autorizadas a funcionar pelo Banco Central e oferecem os mesmos tipos de produtos e serviços que um banco comercial. Embora possuam pontos em comum, bancos e cooperativas apresentam diferenças importantes. A principal delas é o controle societário. Enquanto os bancos são sociedades de capital, em que o voto é proporcional à participação societária, as cooperativas são sociedades de pessoas, nas quais cada cooperado tem direito a somente um voto nas assembleias, independentemente do valor de sua participação no capital da instituição. Outra diferenciação se dá na clientela de cada tipo de instituição: a cooperativa de crédito deve atender seus associados, que são, ao mesmo tempo, seus clientes e seus sócios.” (BCB). 

É o caso do SICOOB Paraíba, antes SICOOB Borborema, fundado há exatamente dez anos, numa demonstração da capacidade para idealizar projetos dos empresários locais, da aceitação de desafios que pensávamos extintos. A semente que brotou e nos deu quatro bancos e quatro cooperativas estava apenas adormecida. Os números que desfilamos a seguir são bem a prova disso.

No SICOOB PARAÍBA, com autorização para atuar em todo o estado, já são mais de 8 mil associados. Conta com 98 empregados e atende aos municípios de Campina Grande, João Pessoa, Queimadas, Boqueirão, Esperança e Patos.   Pelas regras “a distribuição dos lucros e prejuízos, que nas cooperativas são chamados de sobras e perdas, também é diferente entre os dois tipos de instituição. Nos bancos, esse rateio se dá proporcionalmente à participação no capital de cada acionista. Nas cooperativas, o rateio é proporcional ao montante das operações do associado na instituição” (BCB); o associado paraibano, por pequeno que seja, recebeu a sua cota no lucro de R$ 6,5 milhões distribuídos este ano. No período, o SICOOB/PB registrou o maior aumento dos ativos totais na região (9,29%).

As cooperativas não vieram para acabar com os bancos, muito longe disso. Porém agem de forma complementar, preenchendo lacunas estratégicas impossíveis de serem preenchidas pelos demais estabelecimentos bancários. É um modelo a ser ampliado.

Aos que fazem o SICOOB PARAÍBA –associados e dirigentes – nosso registro de parabéns pelo belo exemplo. Ganha Campina Grande, ganha a Paraíba.

NOTAS SOLTAS – ALGUNS DADOS MACROECONÔMICOS IMPORTANTES

1 – Em junho a taxa líquida de empregos, foi negativa🡪 -10.984, em comparação com – 918.286 em abril e – 350.303 em maio. No primeiro trimestre do ano crescimento de 81.210 em contraste com queda de 1.279.573 no trimestre encerrado em junho. No geral perdemos 1.198.363 empregos no semestre.  A Paraíba perdeu 19.295 vagas no 1º semestre, mas o saldo em junho foi positivo (+58). Campina Grande ganhou 126 novos empregos em junho, em contrapartida a 1.304 perdas no 1º semestre. 2 – A Bolsa de Valores encerrou o dia de ontem com 104.109 pontos, se mantendo estável. 3 – O Boletim Focus do Banco Central, ouvidos 77 especialistas aponta: previsão semanal de redução do PIB (-5,77%) ante -5,95% na semana anterior e -6,54 há quatro semanas. 4 – A inflação permanece estável devendo ficar em 1,66% no ano. 5 – Reservas internacionais em 31 de dezembro de 2019 US$ 356 bilhões; em 27 de julho de 2020 US$ 353 bilhões.

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