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Arlindo Almeida: Retomando o crescimento

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 8 de julho de 2020 às 12:10

No último boletim (junho), na   Carta da Indústria da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, a economista Silvia Matos faz importante avaliação da situação econômica do Brasil e do mundo no contexto da grave crise de saúde que enfrentamos. No programa de hoje aproveitamos o tema e vamos trilhar o mesmo caminho em linhas gerais.

No nosso entendimento a primeira questão diz respeito às perspectivas de retomada da economia do país em meio a um problema de caráter global, muito diferente de crises vividas anteriormente, pelo menos nas últimas décadas. Não se tem a quem recorrer. O tempo de recuperação variará de país para país, dependendo da situação pré-pandemia, das condições macro econômicas de cada um. Não se pode comparar gigantes econômicos com nações menos desenvolvidas, muito menos com os miseráveis espalhados pelo mundo.

É possível ter uma percepção otimista em relação ao Brasil, não na velocidade dos países mais bem estruturados como na Europa. “Não dá para ter visão totalmente otimista em relação ao mundo, porque os países emergentes, mais populosos e mais pobres, não chegaram no pico da pandemia e não se sabe quanto tempo vai levar.” Ao final da crise, é de se esperar uma acentuação muito forte das desigualdades mundiais.

A avaliação possível está ligada ao combate eficaz da pandemia, ainda não debelada; mas bons resultados, partindo evidentemente da descoberta de vacinas e outros medicamentos, serão alcançados com controle, testagem e combate aos focos. “Resumindo: é possível, sim, conviver com o vírus e com a economia voltando, não 100%.” Isso gera discreto otimismo no mundo, há alguma luz no fim do túnel.

O Brasil apresenta peculiaridades incomuns: imensa dimensão territorial, extraordinário potencial econômico ainda não explorado convenientemente, convivendo com  escassez de recursos para assegurar os gastos públicos, e falta de coordenação entre os responsáveis pelo enfrentamento do problema – Governo federal, estados e municípios -, e mesmo pela desunião entre os poderes constituídos e da insegurança jurídica em que o país mergulhou.

Atravessamos uma nova Era da Incerteza, como já escreveu o economista John Kenneth Galbraith: quando o Brasil inverterá a curva de casos e mortes pelo vírus? Quando voltará a ter um crescimento robusto? Quais as políticas de estimulo aos negócios, principalmente das micro, pequenas e médias empresas? o setor de serviços ainda vem lentamente atrás. Como se dará a recuperação do emprego, com diminuição das elevadas taxas de desocupação?  O Brasil é punido por começar a crise com fragilidade fiscal. Antes da pandemia já enfrentávamos uma dívida pública muito alta.

Tentando ser realista, a perspectiva que se desenha é de um cenário de lenta recuperação…se tudo for feito da maneira correta.

Só para uma ideia de como as coisas mudam na economia e na vida em prazos inacreditavelmente curtos.  Como estávamos em janeiro deste ano? Tomemos como exemplo as previsões da Federação das Indústrias de São Paulo com foco no setor do agronegócio no país.

  • PIB 2020: expectativa de crescimento de +2,30% (Fonte: BCB).
  • Perspectiva de novas reformas (administrativa e tributária)
  • Boas expectativas para os setores do agronegócio.

As economias com maior grau de resiliência, a capacidade de inverter as tendências negativas, conseguem superação mais rápida, se bem com resultados mais modestos em determinados segmentos. Mas outros ramos de atividade se apresentam contrastando: crescem mais rapidamente funcionando como que impulsionador do equilíbrio na economia.

O Brasil se coloca dentre os países que compõem esse grupo.

O cenário pós pandemia contém desafios maiúsculos para o Brasil, porém…

os fundamentos macroeconômicos são mais sólidos em comparação a décadas anteriores.

– Inflação baixa (Fonte: IBGE): 1,88% nos últimos 12 meses (jun/19 – mai/20).

–  Juros no menor patamar da história (Fonte: BCB): Selic 2,25% ao ano

–  Reservas Internacionais mais confortáveis.

– Câmbio desvalorizado: beneficia as exportações (embora implique maior   custo de produção).

– Congresso com viés mais reformista em relação às legislaturas anteriores.

– Projetos de Infraestrutura que proporcionam queda no valor médio do custo logístico.

O ritmo de crescimento esperado da produção brasileira será superior ao do mundo para produtos como: soja, milho, açúcar e carnes (bovina, suína e frango).

A produtividade média dos grãos crescerá 18% entre os anos 2018/19 e

2028/29, resultando na preservação de 14 milhões de hectares.

As lavouras de segunda safra (inverno) serão responsáveis por 38% da produção de grãos em 2029 (34% na safra 2018/19)

Estima-se que essas lavouras (grãos), crescerão 62% em volume no período.

        DINAMISMO DA PRODUÇÃO E DAS EXPORTAÇÕES (milhões de toneladas)
PRODUTOS         CRESCIMENTO % (1)       PARTICIPAÇÃO (2)
PRODUÇÃO EXPORTAÇÃO 2018/2019 2028/2029
Soja 44,26 49,79 47,00 53,00
Milho 51,12 51,52 23,27 27,00
Carne Bovina  23,53 60,00 18,00 18,00
Carne Frango 27,21 45,24 36,00 44,00
Carne Suína 27,50 57,14 8,00 10,00
Açúcar  n/d n/d 35,00 41,00
(1) entre 2018/2019 e 2028/2029
(2) no mercado global

Anima o fato do que o segmento do agronegócio poderá ser o dínamo que puxará a economia em futuro próximo, ocasionando um efeito benéfico sobre os demais setores.

Em 2019, a soma de bens e serviços gerados no agronegócio chegou a R$ 1,55 trilhão ou 21,4% do PIB brasileiro. Dentre os segmentos, a maior parcela é do ramo agrícola, que corresponde a 68% desse valor (R$ 1,06 trilhão), a pecuária corresponde a 32%, ou R$ 494,8 bilhões.

Enfim, as perspectivas são de uma recuperação mais rápida do que muitas outras nações, se fizermos bem feito o “dever de casa”.

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