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Arlindo Almeida: Projeções sobre a economia

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 15 de julho de 2020 às 12:04

Foto: Paraibaonline

Para o cidadão, enfrentar tempos adversos como o que se nos apresenta agora, é como navegar em mar de tempestade sem ter informações sobre a realidade dos fatos e de suas consequências. Combater a pandemia é prioridade, mas não podemos nos desligar do que acontece em volta. A vida continua, muitos dos problemas serão resolvidos, outros persistirão. A roda da economia continua a girar, muitas vezes recuando, mas, numa perspectiva de longo prazo sempre em frente, evidentemente com velocidade que varia.

Hoje queremos abordar alguns assuntos, dentre muitos, que  guardam estreita relação com a economia do país, mostrando situações atuais e seus efeitos sobre o tempo que está por vir.

 1º – Gastos do Governo Federal com a pandemia.

Relatório de 10 de julho da Secretaria do Tesouro Nacional, mostra que já foram pagas despesas da ordem de R$ 216 bilhões, cujos principais itens são: a) Auxilio Emergencial a Pessoas em Situação de Vulnerabilidade – R$ 122 bilhões; b) Auxílio Financeiro e Contribuições a Estados e Municípios – R$ 36,7 bilhões; c) Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda – R$ 15 bilhões. Os compromissos já assumidos totalizam R$ 506 bilhões, e poderão crescer em razão, evidentemente, da evolução da conjuntura.

2º – A evolução da dívida pública.

 Segundo a Secretaria do Tesouro Nacional e o Banco Central, a dívida pública bruta encerrará 2020 em 98,2 do Produto Interno Bruto, com crescimento de 22,4% em relação ao ano anterior. A elevação é a “maior deste século e decorre principalmente dos efeitos da crise causada pela pandemia do novo coronavírus. O endividamento público brasileiro alcançará um novo patamar, que exigirá um esforço fiscal no médio prazo ainda maior do que se buscava antes da crise... Nesse cenário, a dívida bruta ficaria praticamente estável nos próximos 4 anos, alcançando 98,6% do PIB em 2024 e, em seguida, entraria em trajetória decrescente, encerrando 2029 em 92,2%. “ 

A necessidade de financiamento do setor público que em 2019 foi de 6,4% do PIB, passou para 16,29% em 2020, devendo cair para 6,4% em 2021 e 4,4% em 2029. Os juros sobre a dívida, que no período 2015/15 eram 8,4% do PIB, cairão para 6,1% em 2029.

3º – Os preços aos consumidores

O índice de preços ao consumidor do IBGE, relativo ao mês de junho, mostra uma evolução de 0,26% e aumento de 2,13% em 12 meses.

As elevações mais significativas foram: Artigos de residência (1,3%), Comunicação (0,75%) e Alimentação no domicílio (0,45%). O indicador, que mede a inflação oficial,  corresponde ao custo de vida das famílias com renda mensal entre um e 40 salários mínimos, residentes nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém e Vitória, mais os municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília.

Essas questões elencadas hoje são apenas uma pequena parte dos desafios a serem vencidos pelo Brasil, alguns com atraso, para que retomemos a rota do desenvolvimento e da justiça social. A vida não se resume a uma pandemia.

Hoje, infelizmente, estamos a repetir um arrepiante “samba de uma nota só”, pobre (sem métrica, sem rima ou melodia), que se assiste dentre os mais poderosos meios de comunicação com o predomínio da informação inverídica ou errada, divulgada com o objetivo de induzir em erro. Diferentemente da genial composição do grande Tom Jobim. 

 Nas próximas semanas é necessário falar de outros temas: 1. O gravíssimo problema da educação – somos um dos países de pior performance, segundo acreditadas instituições internacionais; 2. O desemprego e a falta de qualificação das pessoas; 3. As reformas legais que possibilitem a modernização do país; 4. As mudanças estratégicas na economia que permitam acompanhar um mundo em rápida evolução; 5. A desindustrialização precoce e acelerada da economia nacional (Há poucos anos a indústria era responsável por mais de 20% da formação do PIB e hoje está um pouco acima de 10%); 6. A desigualdade na distribuição de renda – Os 10% mais ricos ganham cerca de 17,6 vezes mais que os 40% mais pobres; 7. As desigualdades tanto em termos de regiões, como nos estados e dentro dos estados. 

Repito o refrão de outras ocasiões. Desperta Brasil! O futuro já começou. “Quanta gente existe por aí que fala tanto e não diz nada.
Ou quase nada.” Por que brigarmos tanto assim?

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