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Arlindo Almeida: Previsões econômicas e resultados efetivos

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 17 de março de 2021 às 20:14

As previsões são uma visão de futuro, um juízo sobre coisas que esperamos que aconteçam. A possibilidade de que ocorram varia muito, baseados no fato de que muitos fatores concebidos não se confirmam, e muitos não imaginados, geralmente adversos, ocorrem.

As previsões, em economia, são uma espécie de jogo em que a aleatoriedade, a dependência de situações   que não conhecemos   acontecem. Assim foi com o surgimento da pandemia que tomou conta do mundo desde o início de 2020 e ainda sem um horizonte de solução.

Com efeito, a economia é uma ciência exata pela metade; uma parte vem da matemática, da estatística, a outra porção é uma ciência humana, sujeita a fatores impossíveis de medir. 

Nos tempos atuais, a exemplo do que ocorreu no passado, muitas previsões sobre o crescimento do PIB mundial não se materializaram.  Nos dias de hoje, para o Brasil, foi pior, pois estávamos ensaiando os primeiros passos de recuperação da economia depois de alguns anos desastrosos.

Fato é que hoje perdemos posições importantes no ranking mundial, segundo o Fundo Monetário Internacional; se há algum tempo despontávamos  como ocupantes de uma posição entre os cinco maiores PIB’s mundiais – abaixo dos Estados Unidos, da China, do Japão e da Alemanha – fomos rebaixados para o 12º lugar, em pontos inferiores a Reino Unido, Índia, França, Itália, Canadá, Coreia do Sul e Rússia. Esperamos que essas primeiras conclusões do FMI não se concretizem. 

No âmbito interno essas perspectivas se repetem e pouco podemos fazer quanto ao futuro, sempre agindo com prudência e procurando seguir políticas propositivas e bases nas vantagens competitivas do país. O principal resultado desse conceito teórico e dedicar o maior esforço no sentido de dedicar-se à exploração dos segmentos onde os custos comparativos sejam menores. Isso pode fazer a diferença, mas, infelizmente, não engloba toda a economia nacional. Por exemplo.

O Brasil é o produtor do agronegócio de maior competividade no mundo; no entanto somos dependentes dos produtos industrializados de outros países e isso reflete sobre o setor secundário da economia, cujo efeito mais visível é a profusão de bens oriundos da China e de outras nações.

É preciso repensar um modelo de desenvolvimento industrial que devolva ao Brasil uma competitividade que apresentava há alguns anos. 

Esses fatos quando transpostos para o âmbito interno, se repetem com maior ou menor intensidade, dependendo da dimensão econômica das regiões e dos respectivos estados. Num país de tantas desigualdades na distribuição do PIB, os resultados são sempre díspares.

Procurando saber um pouco dos fenômenos a que sujeita a economia da Paraíba, por exemplo, um bom indicador talvez seja o comportamento setorial de acordo com um parâmetro de reflita a movimentação dos segmentos empresariais no intervalo de tempo sob consideração. 

Para isso, ficamos na dependência de números confiáveis. E é isso que faremos hoje em relação à Paraíba, usando os números da arrecadação de tributos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que incide sobre segmentos desde o primário ao de serviços. São dados da Secretaria Estadual do Tesouro. São números confiáveis.

Em fevereiro de 2021, a arrecadação foi de R$ 650,590 milhões distribuídos assim pelos mais importantes: Secundário (indústria) – 15,51%; Terciário 46,65% (Comércio Atacadista – 19%; Comércio Varejista – 21,85%;  Serviços de Transporte e Comunicações  – 5,17% e Arrecadação Específica ( Energia Elétrica – 11,09%; Petróleo, Combustíveis e Lubrificantes – 22,64%.  

A arrecadação total em dezembro de 2019 foi de R$ 545 milhões; em janeiro de 2020 R$ 575 milhões e fevereiro R$ 501 milhões. A partir daí, com a deflagração da virose, houve queda. Março R$ 467 milhões, abril 429, maio 356, junho 440 e julho 459. A partir de então, registrou-se a retomada das atividades com mais força, a curva se inverteu e começaram meses acima da média.

Agosto 523, setembro 549, outubro 560, novembro 594 e dezembro 648, fevereiro de 2021, R$ 602 milhões.

A média de dez/19 a dezembro de 2020 foi de R$ 511 milhões. Dezembro de 2020 teve uma arrecadação 19% mais alta do que em dezembro do ano anterior, quando ainda não tinham se manifestado os resultados perversos da pandemia. As transferências para Campina Grande e João Pessoa, cresceram nos dois primeiros meses de 2021 em relação ao mesmo período de 2020: CG de R$ 32,600 milhões para R$ 39,315 milhões (+ 20%); JP de 57,545 milhões para 65,313 milhões (+ 13%). 

Mas isso não é tudo, pois usamos um único dado que poderia indicar que as coisas estão correndo bem, na busca do crescimento mais acelerado. Pinçar uma coisa favorável e querer generalizar é um argumento ardiloso, que não explica o conjunto envolvido. Quais os outros indicadores da economia? A taxa de desemprego, o comportamento da dívida pública, a capacidade de investimento, etc.

Nas sociedades, é lugar comum adotar uma postura ideológica para justificar o que pensamos ser o mais correto. A virtude não está nos extremos.  Não é assim! 

Sempre é necessário ter uma visão de conjunto, não fixar a atenção apenas em um resultado negativo, mas exercitando uma comparação com o número que se contrapõe, o positivo…e trabalhar com afinco, unindo esforços, superando zonas de atrito, dando oportunidade a quem precisa. 

No Brasil, como no planeta, temos uma longa estrada à frente. Por enquanto cuidemos bem da época presente e os resultados, certamente, serão positivos.  Nada de desânimo. Temos muito chão diante de nós na busca do tempo perdido.     

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