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Arlindo Almeida: Preços dos produtos básicos e inflação

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 6 de agosto de 2020 às 8:45

Os dados do índice de preços ao consumidor, divulgados mensalmente pelo IBGE, retratam as variações dos valores de bens e serviços à disposição do cidadão em determinado período, e são resultados de pesquisas realizadas entre pessoas com renda de um a quarenta salários mínimos em 14 áreas urbanas e cidades distribuídas pelas cinco regiões do Brasil. No IPCA, que abrange 56 itens como transporte, habitação, higiene, saúde, educação, etc., a alimentação tem o maior peso, aproximadamente 22%,  mas isso não se dá uniformemente para todos os indivíduos, depende de sua renda; quanto menor a renda maior o peso da comida. Quando se trata de preço desses bens, a realidade é absurdamente diferente. E os valores cobrados pelos indispensáveis, que vêm subindo em percentuais muito acima dos indicados pelas estatísticas, são os que mais pressionam a população de baixa renda. Com a queda da renda dos que exercem alguma atividade se somando aos benefícios governamentais de ajuda social, a massa de recursos disponíveis gerou um forte direcionamento à demanda por bens essenciais.

A economia quase nunca está preparada para enfrentar a circunstância de um repentino aumento na demanda: os estoques não estavam dimensionados para essa emergência e a produção não responde na mesma velocidade às novas necessidades. Com isso é acionado o mecanismo clássico conhecido como Lei da Oferta e da Procura: aumento da procura, sem elevação da oferta de bens, gera elevação nos preços. E disso ninguém escapa em qualquer dos mercados de todo o mundo.

Outros fatores favoreceram esse aumento do nível dos preços no Brasil: 

1º Desvalorização do real frente ao dólar que concorreu para afetar os preços de soja, milho e carnes, que tiveram aumento nas exportações; quem exporta recebe mais pelos produtos, levando a exportar em volumes maiores em detrimento do mercado interno. Como o Brasil ainda importa muito trigo, esse produto ficou mais caro, trazendo elevação no preço do pão, biscoitos e macarrão. Maiores exportações de soja e milho tornam mais caros os preços de rações para suínos, bovinos e aves, refletindo nos preços para os produtores que os repassam aos consumidores.   

2º A sazonalidade na produção; as safras não iguais por todo o ano, não respondendo nos períodos de maior demanda. 

3º A estocagem de alimentos, principalmente pelas famílias de mais alta renda, que têm um poder de compra muito superior e dão-se ao luxo de fazer estoques maiores, diminuindo a oferta dos mesmos bens essenciais para os de renda menor.  

Releva salientar que a inflação dos alimentos, segundo o IBGE, pressiona mais as famílias de segmentos menores de renda – as que recebem mensalmente até 2,5 salários mínimos. E o fato é agravado no período de crise como a que ora atravessamos com o aumento do desemprego.  A inflação não é igual para todos. Nos últimos doze meses, os de renda mais alta experimentaram uma inflação de 2,2% enquanto para os de mais baixa renda foi de 2,66%. Os preços da cesta básica dos de menor renda subiram 7,5%, sendo de 6,5% para os de renda mais alta. A meta de inflação para 2020 é de 4%.

A maior pressão sobre o custo de vida veio dos bens essenciais, que compõem o que se denomina cesta básica. Segundo o IBGE, os preços de alguns produtos selecionados tiveram importantes elevações no primeiro semestre de 2020, muito distantes dos índices gerais já mostrados, a saber: a) cebola – 94,72%; b) manga – 67,12%; c) batata-inglesa – 66,47%; d) cenoura – 52,73%; feijão mulatinho – 33,45%; e) batata doce – 28,56%; f) leite longa vida – 13,03%; g) ovo  – 11,5%.

Em Campina Grande fizemos uma pesquisa e verificamos o quadro a seguir reunindo alguns produtos – alguns não mostrados na divulgação do IBGE, outros com diferenças brutais, como o ovo, por exemplo.

VARIAÇÕES DE PREÇOS (JAN-JUL)
PRODUTO %
Leite 17,18
Manteiga 37,64
Granola 33,33
Aveia 9,24
azeite  2,59
Feijão 32,84
Arroz 8,36
novo milho 15,56
amaciante 30,05
Ovo 57,23

 

A perspectiva que se desenha é de que vencida a sazonalidade na produção e a normalização no abastecimento, os preços dos alimentos passem a subir menos e alguns experimentem baixa. O problema crucial, contudo, reside, no desemprego e nos baixos salários de maior parte da população. Isso só será ultrapassado se o país promover uma profunda mudança na sua economia. Até lá os problemas continuarão por muito tempo.

Voltamos a advertir, insistimos, sobre a necessidade de o cidadão, principalmente os de baixa renda, receberem uma educação para melhor administrar seu orçamento familiar. Não se vê nenhum esforço maior das autoridades nesse sentido; muitas instituições tanto privadas como de governo já produzem excelente material, mas os resultados não são palpáveis, indicando que falta alguma providência objetiva, talvez tornando obrigatório a inclusão no ensino fundamental de cadeira sobre finanças pessoais.

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