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Arlindo Almeida: Pesquisas econômicas e realidade nacional

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 17 de junho de 2020 às 9:24

A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada ontem pelo IBGE, mostra que em abril de 2020 o comércio varejista nacional recuou 16,8% frente ao mês anterior, a mais expressiva queda da série iniciada em janeiro de 2001. Essa queda é atribuída, certamente, ao isolamento social.

Ampliando o conceito de comércio varejista com a inclusão de veículos, motos, partes e peças e material de construção, o volume de vendas caiu 17,5% no mesmo período, também a maior queda desde janeiro de 2004, quando teve início a pesquisa.

No acumulado de 2020 as vendas no varejo caíram 3%, mas em relação aos últimos doze meses ainda houve uma pequena elevação de 0,7%.

Numa abordagem geográfica, observou-se que as vendas recuaram em todas as unidades federativas. As maiores quedas foram nos estados do Amapá (-33,7%), Rondônia (-21,8%) e Ceará (-20,2%). Quando incluídos veículos, motos, partes e peças e material de construção, registram-se quedas em todos os estados, com destaque para Amapá (-31,6%), Espírito Santo (-23,4%) e São Paulo (-23,3%).

Por conta dos efeitos da crise “tivemos também uma redução da massa salarial que, entre o trimestre encerrado em março para o encerrado em abril, caiu 3,3%, algo em torno de 7 bilhões de reais. Isso também refletiu nessas atividades consideradas essenciais”, explica o gerente da PMC, Cristiano Santos. A massa salarial é a soma de todos os salários de trabalhadores em determinado período, e varia de acordo com o aumento ou diminuição da produção, guardando estreita relação com o PIB (Produto Interno Bruto).

Diante um quadro recessivo como este que atravessamos, algumas particularidades chamam a atenção nas últimas pesquisas do IBGE e estimativas da Companhia Brasileira de Abastecimento (CONAB) que comentaremos a seguir, considerando, também, aspectos das relações comerciais como nosso maior parceiro no mercado externo:

1º – Abate de frangos

No trimestre jan./março 2020, foram abatidos 1,51 bilhão de frangos, melhor resultado desde 1987, quando teve início a série histórica. É 5% acima de igual período de 2019. Somente em março/2020 o aumento foi de 12,8% sobre março de 2019. Registre-se que nesse período ainda não tinha se manifestada a gravidade da crise de saúde que enfrentamos.

Dos 17 estados que têm abatedouros de frangos, todos registraram aumentos na produção.

2º – Abate de bovinos

Ao contrário do abate de frangos, o abate de 7,5 milhões de bovinos no 1º trimestre de 2020 foi o mais baixo a partir de 2012, sendo 10,2% inferior ao quarto trimestre de 2019. As maiores quedas foram em    Goiás (-157,68 mil cabeças) e Mato Grosso (-120,70 mil cabeças). A queda no número de abates pode ser debitada à redução na demanda pela elevação nos preços da carne bovina que todos nós sentimos em nosso país e pela queda no poder aquisitivo.

3º – Compra de leite cru

No primeiro trimestre de 2020, registrou-se um recorde na aquisição de leite cru – 6,3 bilhões de litros – ou 1,8% superior ao mesmo período de 2019. Uma das características históricas do mercado de leite in natura é que nos primeiros trimestres do ano sempre ocorre uma queda em relação ao último trimestre do ano anterior, e este ano não foi diferente, menos 5,5%.

4º – Vendas para a China

O mercado de produtos da agricultura e da pecuária no Brasil tem na China, nosso maior parceiro comercial. No primeiro trimestre de 2020 verificou-se grande aumento nas exportações de carnes – suínos, frangos e bovinos. Para frangos foi o segundo melhor resultado de todos os tempos, menor apenas que igual período de 2017. Para o analista da pesquisa, Bernardo Viscardi. “A China aumentou bastante a participação nas nossas exportações das três proteínas. O país está sendo afetado pela peste suína africana, portanto eles tentam compensar a perda na sua produção interna com as carnes brasileiras”.

5º – Safra brasileira de grãos

A Companhia Nacional de Abastecimento prevê em levantamento deste mês, para a safra de 2019/20, uma produção recorde de grãos no país, estimada em 250,5 milhões de toneladas, 3,5% ou 8,5 milhões de toneladas superior ao colhido em 2018/19.

Voltando aos números divulgados (IBGE e CONAB). São ainda incipientes, não permitindo uma avaliação mais profunda dos impactos da crise da saúde sobre a economia nacional, sempre levando em conta que ainda estávamos experimentando um processo de lenta recuperação do produto interno bruto, agora tornado mais difícil.

Os próximos resultados certamente mostrarão os rumos e o ritmo que as coisas tomarão nesse caminho de retomada das atividades.

A crise é muito grande. Mais do que antes, faz-se imperiosa a união em torno desse objetivo comum que é a recuperação  do país em seus mais variados aspectos, da saúde, da economia, nos padrões morais e sociais. Os princípios de cidadania não se resumem aos direitos, mas também às obrigações, aos deveres. É o que se espera de todos, principalmente dos que comandam os poderes constituídos.

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