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Arlindo Almeida: Pesquisa nacional sobre renda das famílias

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 3 de março de 2021 às 20:29

O IBGE divulgou neste final de semana os resultados de um trabalho sobre os rendimentos domiciliares per capita correspondentes ao ano de 2020, a denominada Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD Contínua). Segundo o mesmo Instituto existem no Brasil cerca de 72 milhões de domicílios, com uma ocupação média de 2,92 pessoas. 

A pesquisa é realizada por meio de uma amostra abrangendo todo o país, “de forma a garantir a representatividade dos resultados para os diversos níveis geográficos definidos: Brasil, Grandes Regiões, Unidades da Federação e Regiões Metropolitanas que incluem os municípios das capitais.” Ao todo são pesquisadas cerca de 211 mil residências. A PNAD Contínua tem como população-alvo os moradores em domicílios particulares permanentes.

Não são incluídas na pesquisa as “áreas especiais como aldeias indígenas, quartéis, bases militares, alojamentos, acampamentos, embarcações, barcos, navios, penitenciárias, colônias penais, presídios, cadeias, asilos, orfanatos, conventos, hospitais e agrovilas de projetos de assentamentos rurais ou setores censitários localizados em terras indígenas. As embaixadas, consulados e representações do Brasil no exterior também não são abrangidos pela pesquisa.”

Os rendimentos para fins da pesquisa são a soma do que recebem todos os moradores do domicílio seja pelo trabalho ou qualquer outra fonte. O rendimento per capita é a soma desses valores divididos pelo número de habitantes daquele lugar de morada.

A PNAD Contínua é um dos muitos indicadores da extrema desigualdade em nosso país. A renda média domiciliar do Brasil foi de R$ 4.029,60/mês. 

A renda domiciliar média nas regiões Norte e Nordeste ficou abaixo da média nacional, a saber: Norte R$ 2.818,35 (70% da média) e Nordeste R$ 2.666,28 (66% da média). Nas demais regiões os valores superaram a média. O Sudeste apresentou R$ 4.524,54 (12% acima da média), Sul R$ 4.768,36 (18% acima) e Centro Oeste R$ 4.834,06 (20% acima).

Mas as desigualdades não se esgotam aí. Dentro das próprias regiões e dentro dos respectivos estados existem desigualdades históricas, principalmente pelo esquecimento de um princípio elementar: levar o desenvolvimento a todo o território, às comunidades interioranas que só são lembradas quando da busca de votos nas eleições.

Vejamos agora exemplos pinçados que evidenciam esse desequilíbrio, mostrando os Estados com os piores índices, comparando-os com a unidade da Federação mais bem aquinhoada, e os Estados em pior situação, comparando-os aos dados nacionais.

A renda média do Distrito Federal, que é 1,79 vezes superior à média nacional, é 3,66 vezes a do Maranhão e 2,78 vezes a da pequenina e heroica Paraíba. 

No quadro abaixo, trazemos os principais números que retratam essa triste realidade. Os valores são do rendimento mensal. 

A lamentar a profunda indiferença dos que comandam o país, os responsáveis pelo estabelecimento de políticas públicas que visem corrigir esse sério obstáculo ao nosso pleno desenvolvimento, com menos desigualdades entre pessoas e regiões. Repiso o refrão que não canso de falar: o homem tem todo o direito de ser feliz no lugar onde nasceu ou aquele que escolheu para viver.

Mas nesse país de tantos contrastes, só cuidamos do assunto do dia, do passageiro, dos interesses corporativos. Ninguém faz uma autocrítica e procura caminhos. Tudo o que passamos, mais das vezes é fruto dos erros do passado e de sua repetição, numa espécie de cantilena macabra. E haja discórdia, ausência de diálogo que se transforma em ódio.

Que país é este?

UNIDADE TERRITORIAL (*) (**) (***)
BRASIL 1.380 4.029,60 100,00
MARANHÃO 676 1.973,92 48,99
ALAGOAS 796 2.324,32 57,68
AMAZONAS 852 2.487,84 61,74
PIAUÍ 859 2.508,28 62,25
PARÁ 883 2.578,36 63,99
PARAIBA 892 2.604,64 64,64
DISTRITO FEDERAL 2475 7.227,00 179,35
(*) Rendimento domiciliar médio da população residente
(**) Rendimento por domicílio 
(***) Rendimento médio por estados 

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