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Arlindo Almeida: Os economistas e um novo tempo

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 6 de maio de 2020 às 9:40

Num tempo como o que estamos vivendo, pode parecer estranho um comentário, mesmo de um economista, sobre qualquer coisa que não o coronavírus. Com efeito, como’ um vírus muito mais letal, o mau uso da informação se alastrou sobre todos nós, trazendo resultados nefastos; o corona será vencido, mas a deseducação trazida por alguns poderosos meios de comunicação, imaginamos o propósito, persistirá.

Os noticiosos das grandes redes de rádio e televisão, privados de gordas verbas públicas, tem um tom monocórdio: falar mal, mostrando apenas uma face da realidade. Resta-nos o consolo das emissoras de abrangência regional, como a Caturité e TV Itararé, que falam da pandemia, evidentemente, mas têm uma rica programação de conteúdo local, que animam e mostram que a vida é muito mais rica que acontecimentos passageiros. Estas estão muito próximas do cidadão.

Só para dar um exemplo da informação manipulada. Foi constituída uma nova seita, cujo templo principal está na porta dos cemitérios, vendo apenas quem é sepultado. São os profetas da desgraça.  Os números falam apenas de mortes pelo Covid-19, mas não falam dos que morrem de outros males; este ano quantos morreram de infarto, câncer, diabetes, acidentes de trânsito, gripe, zika vírus, etc.? Qual a comparação com anos anteriores? Em contrapartida, existem os que preferem a porta das maternidades; quantos bebês nasceram após a identificação do vírus? São os profetas da vida.

Mas falando de economia e pensando lá na frente. 

O desenvolvimento econômico pode ser determinado, dentre outras razões, pelo grau de competição entre indivíduos, empresas e governos.

O setor empresarial, por sua própria natureza, orientado para objetivos individuais, sempre fez da competição um dos fatores fundamentais ao seu desenvolvimento, por depender de custos e eficiência operacional para auferir o lucro inerente à essência dos negócios. Já o setor governamental, orientado por critérios como justiça e equidade, seria o ambiente não competitivo, em que a eficiência não era objeto de maiores cuidados.

Isso mudou substancialmente, com os governos assumindo, cada vez mais a intervenção no domínio econômico para, justamente, promover o desenvolvimento pela correção das desigualdades. Esse novo conceito para a ação do Governo foi ricamente ilustrado nos estudos do economista Keynes.  Cresce o campo de atuação que tende a aumentar e se fortalecer, mas não existe dinheiro para tudo. Por isso um dos mecanismos usados, preferencialmente, pelas economias de mercado em todo o mundo, tem sido a outorga remunerada de serviços à iniciativa privada.

Outra mudança conceitual foi a ascendência dos governos regionais nas democracias de todo o mundo; hoje a função de Estados e Municípios, exemplo do Brasil, não se resume, apenas, a administrar o trivial simples das ações inerentes ao próprio ente federado: todos eles estão, ou deveriam estar, preocupados e trabalhando por objetivos mais amplos. 

Como forma de contribuição e controle social sobre as ampliadas ações de governo, foi fundado, em 2008, o Centro de Liderança Pública – CLP ([email protected]) “objetivando desenvolver líderes públicos empenhados em promover mudanças transformadoras por meio da eficácia da gestão e da melhoria da qualidade das políticas públicas. Mas existe uma crise na formação de líderes.  As marcas dessa crise de liderança se fazem presentes na falta de uma agenda nacional de desenvolvimento, na grande burocracia e nos projetos sem fim, que tanto marcam a política de infraestrutura nacional.  A atuação contínua de líderes públicos é o passo inicial para destravar as agruras da gestão pública nacional. Pessoas com poder de tomar decisões e que consigam mobilizar a sociedade em prol de uma agenda positiva para o País. 

O Ranking de Competitividade dos Estados foi concebido pelo CLP em 2011, com o desenvolvimento técnico a cargo da Economist Intelligence Unit, com o intuito de gerar diagnósticos e direcionamentos para a atuação dos líderes públicos estaduais. Em 2015, em sua quarta edição, o trabalho passou a contar também com a contribuição técnica da Tendências Consultoria Integrada.” 

Em sua concepção atual (2019), o ranking possibilita identificar, dentro de cada um de seus 10 pilares temáticos, quais são os pontos fortes e fracos que influenciaram a classificação final do Estado em cada um dos 69 indicadores contemplados. 

Aliado à vontade política, o Ranking de Competitividade dos Estados é uma poderosa ferramenta para balizar as ações dos governos estaduais. Com ele, o desafio da construção de um Estado com elevados padrões socioeconômicos se torna mais factível. 

A competitividade de um Estado está diretamente ligada à capacidade de ação dos seus líderes públicos. O ranking vem oferecer as bases – não exclusivas – para a construção do legado de competitividade para aqueles governos que assim desejam fazer.

O estudo relativo a 2019, contempla os seguintes segmentos:  Infraestrutura, Sustentabilidade Social, Segurança Pública, Educação, Solidez Fiscal, Eficiência da Máquina Pública, Capital Humano, Sustentabilidade Ambiental, Potencial de Mercado e Inovação.

“Assim como na edição de 2018, São Paulo segue na primeira colocação no Ranking de Competitividade dos Estados. Da mesma forma, Santa Catarina permaneceu na segunda posição, Distrito Federal, na terceira e Paraná, na quarta. 

As UFs do Sudeste, Sul e Centro-Oeste concentram-se na metade superior do ranking, com os estados do Norte e Nordeste ocupando as últimas posições. Paraíba e Ceará seguem como os representantes do Nordeste mais bem colocados, nas 11ª e 12ª colocações, respectivamente, à frente de Goiás. 

Os últimos colocados foram Pará, Maranhão e Acre.”

Eis um quadro resumo da pesquisa do CLP

A PARAÍBA NO RANKING DA COMPETITIVIDADE
ATRIBUTOS BRASIL PARAÍBA MELHOR DO BRASIL PIOR DO BRASIL
MÉDIA POSIÇÃO NOTA ESTADO NOTA ESTADO NOTA
Infraestrutura 37,94 10 45,4 SP 100 AC 0
Sustentab.Social 51,47 14 46,8 SC 100 MA 0
Segurança Pública 57,48 4 78,5 SC 100 RR 0
Educação 46,35 17 37,1 SP 100 AP 0
Solidez Fiscal 63,64 7 83,2 AM 100 RS 0
Máquina Pública 64,26 21 54,1 DF 100 AP 0
Capital Humano 40,32 26 7,4 DF 100 RR 0
Sustent. Ambiental 52,65 13 53,7 DF 100 RR 0
Potencial de Mercado 31,67 24 9,1 RR 100 AL 0
Inovação 39,21 7 53,3 SP 100 MA 0

Importa notar que a Paraíba apresenta cinco notas acima da média nacional – infraestrutura (10ª no Brasil), segurança pública (4ª.), solidez fiscal (7ª.), sustentabilidade ambiental (13ª.)  e inovação (7ª.) Os números são animadores, mas cumpre-nos perseguir melhores resultados nos próximos anos e temos competência para tanto.  

Assim poderíamos sugerir, dentre outras estratégias do Governo do Estado, em conexão com os municípios, o desenvolvimento de políticas com foco nas vantagens competitivas que a Paraíba possui, seja incrementando setores econômicos já implantados (cimento, mineração, têxtil, calçados) , aqueles em que já fomos muito fortes  (confecções) ou de áreas de potencial inexplorado, como aproveitamento da nossa posição geográfica que nos credencia como centro de logística integrada ao longo da rodovia BR 230, instalação de usinas de geração de energias alternativas (eólica e fotovoltaica), nas micro e pequenas empresas nos menores municípios – artesanato, produção de derivados de leite, etc. –   

Por que não conciliar, sem paixões e interesses subalternos, as discussões sobre a pandemia com os desafios do futuro? Trabalhemos o tempo presente de olhos no futuro. As crises serão superadas.

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