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Arlindo Almeida: O emprego nos tempos de crise

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 22 de maio de 2020 às 16:54

Na história da economia, em escala global ou restrita, quando toda a estrutura produtiva fica comprometida por qualquer tipo de crise – conflitos armados, pestes, tempestades políticas – o primeiro segmento a ser atingido é o emprego, com suas gravíssimas consequências sociais, pois o trabalhador, ao lado da empresa, é um dos sustentáculos do desenvolvimento da sociedade de mercado, já que todo e qualquer modelo estranho se mostrou ineficaz ao longo dos tempos. O trabalho livre, sem qualquer tipo de imposição, faz parte, mesmo, da natureza humana, da sua liberdade de pensar e de agir.

Se o nível de emprego é o primeiro a cair, é um dos últimos a ser reconstituído. Com um agravante: muitos empregos que estão sendo perdidos agora, jamais serão recuperados, pela introdução de novos métodos de produção que evite a repetição do que vinha sendo feito. Muitas atividades do passado desapareceram por força da dinâmica de mercado, e agora não vai ser diferente, mas com muito maior velocidade.

A crise de hoje exige esforço, cooperação, compreensão, principalmente, das necessidades básicas das camadas mais pobres da população. Temos que pensar em como sair do atoleiro em que estamos todos. Sempre pensando em preservar o maior número de empregos.

A ciência nos fornece poderosos instrumentos de análise de todos esses fatos, que, sem constituir um remédio milagroso, pode fornecer pistas para construção de um modelo viável, de menores custos sociais. Indicando os pontos frágeis a serem atacados prioritariamente, poderá conduzir a caminhos mais seguros, que nos conduzam aos melhores resultados possíveis, através da inovação que é a base do futuro.

Trimestralmente o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realiza em todas as regiões do Brasil, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), que investiga diversas características socioeconômicas da sociedade, como população, educação, trabalho, dentre outros aspectos relevantes, que são incluídos de acordo com as necessidades de informação.

Paraíba Online • Arlindo Almeida: O emprego nos tempos de crise

A população do Brasil era estimada, num panorama geral, com a seguinte divisão do mercado de trabalho (em números aproximados).

Foram pesquisados 15.756 setores específicos em 3.464 municípios, ou 60% dessas unidades federativas no país.

Os dados atualizados, a fotografia de hoje, segundo o IBGE, mostra que o total de pessoas ocupadas era de 94 milhões (45% da população total) e a taxa de informalidade recuou para 40,7% no trimestre encerrado em março de 2020. São, contudo, mais de 38 milhões de os trabalhadores sem carteira assinada ou têm empresas sem CNPJ.

Na Paraíba, o nível de ocupação se manteve estável em relação ao último trimestre de 2019. Permaneceu, também estável o número de empregados com e sem carteira assinada.

Vamos considerar, agora, os desocupados, os subocupados por insuficiência de horas de trabalho, e os desalentados (os que deixaram de procurar emprego

A última edição da PNAD mostra elevação da taxa de desocupação do país (as pessoas que estão à procura de emprego no período da pesquisa), subindo no 1º trimestre de 2020 para a média de 12,2%, em relação ao 4º trimestre de 2019 (11,0%). A pior taxa, na Bahia (18,7%), a melhor Santa Catarina (5,7%). Na Paraíba, 13,8%.

A taxa de informalidade para uma média de 39,9% no Brasil, foi de 51,3% na Paraíba, enquanto, a melhor, em Santa Catarina, 26,6%.

O número de desalentados (os que deixaram de procurar emprego) foi de 4,8 milhões de pessoas de 14 anos ou mais, passando de 4,1% para 4,3%. O maior contingente na Bahia, 778 mil (16,3% do total nacional). O menor, Santa Catarina 38 mil (0,8% do Brasil) e Paraíba 212 mil (4,4%, quando temos menos de 2% da população do país).

O número de trabalhadores por conta própria baixou 6,4% na Paraíba, de 464 mil para 434 mil entre o quarto trimestre de 2019 e o primeiro de 2020.

A pesquisa mostra, ainda, a face mais cruel das desigualdades sociais verificadas no Brasil.

1. A renda média atingiu R$ 2.398,00, sendo para os homens R$ 2.654,00, e, para as mulheres R$ 2.062,00;
2. A ocupação por sexo – Homens que são 48,3% da população, 63,5% das ocupações; mulheres, 51,7% dos habitantes, 44,5% das ocupações.
3. Pela cor dos desocupados – Média nacional, 12,2%. Brancos, 9,8%, pardos 14% e pretos 15,2%.

Os números do IBGE são límpidos e irretocáveis e contra eles não é possível argumentar.

É muito difícil para um país como o Brasil, com as nossas dimensões territoriais e populacionais, com imensas desigualdades regionais e entre indivíduos, empreender uma retomada do crescimento na atual situação vivida. Ainda mais diante de um quadro de incertezas institucionais, com a desunião dos poderes republicanos que nos assombra.

Seria da mais elementar prudência que os Congressistas, os Juízes e o Chefe do Executivo, lessem (pois nunca o fizeram) o livro o Espírito das Leis, publicado em 1748, “Nele Montesquieu elabora conceitos sobre formas de governo e exercícios da autoridade política que se tornaram pontos doutrinários básicos da ciência política.” Suas teorias exerceram profunda influência no pensamento político moderno, sendo uma das pedras angulares de nossa Constituição.

Acorda Brasil! Desperta do pesadelo!

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