Fechar

logo

Fechar

Arlindo Almeida: O emprego formal em 2019

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 29 de janeiro de 2020 às 12:02

Dados divulgados pelo CAGED, do Ministério da Economia, mostram uma tênue recuperação do emprego, em 2019, tomando-se por base o ano de 2015.

Os resultados confirmam uma realidade sempre presente na economia de qualquer nação: a retomada do emprego é um processo lento, talvez o último de uma extensa cadeia de eventos, passando pela retomada do investimento, ocupação da capacidade ociosa e aumento dessa mesma capacidade, melhoria da competitividade, etc.

De modo geral o resultado é o seguinte (em mil unidades):

Passamos, portanto, de um saldo negativo de 1,542 milhão em 2015, para 644 mil positivos em 2019. A tendência é otimista em relação aos próximos anos, segundo as mais abalizadas opiniões, tanto de instituições de pesquisa, nacionais e internacionais, bancos de investimento e professores da matéria. Resta, e é tarefa árdua, dar continuidade às reformas indispensáveis, num clima de transparência, de responsabilidade, de respeito às opiniões divergentes, de colocar o interesse coletivo acima das questiúnculas ideológico-partidárias, enfim, pensando mais no Brasil.

O salário médio de admissão em dezembro/2019 foi de R$1.595,53 e o salário médio de desligamento foi de R$1.811,78.

Como o crescimento da economia não ocorre igualmente por regiões do país, acontecendo mais rapidamente nos de maior potencial, essa realidade também está presente na geração do emprego. A exceção ficou por conta do Sudeste. Senão vejamos:

O Nordeste foi onde menos cresceu a geração de empregos em 2019. Isso é um importante indicador para os responsáveis pela promoção do desenvolvimento do país, no sentido de adotar políticas que privilegiem os investimentos em áreas deprimidas economicamente, caso secular de nossa região, sempre lembrada na época de eleições, logo esquecida quando os novos mandatários assumem as rédeas do governo da República. De nada adiantam esmolas que entorpecem e viciam o cidadão, pouco resolvendo numa perspectiva de longo prazo.

Na Paraíba, com a geração de 6.154 empregos, variação de 1,52% no ano, registre-se que todos os setores apresentaram crescimento, com exceção da indústria de transformação (-1,16%) e a construção civil (-1,25%). Os demais cresceram – agropecuária (+5,52%), extração mineral (+2,65%), comércio (+2,54%), serviços (+2,21%), e serviços industriais de utilidade pública (+2,09%).

Dados referentes a 17 municípios paraibanos, mostram a naturais discrepâncias decorrentes de muitos fatores de influência. Uns obtiveram resultados positivos.

Dentre os que perderam vagas, o mais importante é João Pessoa, com -976. Entre os que ganharam novos postos de trabalho, destaque especial para Sousa, com 2.560, seguindo-se Cabedelo com 353 e Campina Grande com 284.

O quadro que se desenha para 2020 e anos seguintes aponta para uma retomada mais forte do emprego. A confiança dos empresários e dos investidores internacionais é crescente. Em 2019 fomos o quarto mais importante destino de recursos internacionais para investimentos produtivos, isto é, vieram para ficar. Para atrapalhar, leve-se em conta a recente ocorrência do coronavírus que atingiu a China e se espalha por outros países, e poderá trazer sérios efeitos sobre a economia global, traduzindo em baixa dos níveis de crescimento, com consequências negativas também para o Brasil.

Resta, tão-somente, perseverar no encaminhamento de soluções para os crônicos problemas nacionais. Há que se fazer a reforma tributária, reforma administrativa, modernização da estrutura do judiciário, conferir segurança jurídica, enxugar a máquina pública reservando-se a esta apenas as funções de estado, como educação, saúde, segurança, infraestrutura em que haja pouco interesse da iniciativa privada.

Nelson Rodrigues, do alto de sua ironia e sabedoria, disse uma vez que o Brasil precisa abandonar o “complexo de vira-latas”, deixando de fazer comparações inócuas, por exemplo com países nórdicos, que pela dimensão do seu território, população, etc., jamais poderão servir como modelo, mas, apenas, imitados pelo que fazem de bem pelo cidadão. Nunca seremos como a Noruega. Precisamos, sim, como diria o personagem Cândido de Voltaire: “cultivar nosso jardim”. Este jardim é lindo, apenas malcuidado.

Share this page to Telegram

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Mais colunas de Arlindo Pereira de Almeida
Arlindo Pereira de Almeida

Economista.

[email protected]

Arquivo da Coluna

Arquivo 2018 Arquivo 2017 Arquivo 2016 Arquivo 2015

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube