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Arlindo Almeida: O emprego em maio de 2020

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 1 de julho de 2020 às 9:38

Os números divulgados pelo Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), referentes a maio de 2020, evidenciam uma redução no fechamento de vagas de emprego em comparação com o mês de abril. Entretanto ainda é muito cedo para se concluir que a curva do desemprego, que diminuiu entre abril e maio, venha a representar uma tendência nos próximos meses. Em fevereiro, os números eram positivos e indicavam 227 mil novas contratações. 

O número de desligamentos em maio foi 1,035 milhão, ante 1,521 milhão de abril – queda de 487 mil; as admissões foram 618 mil em abril e 703 mil em maio – elevação de 85 mil. Portanto, o saldo negativo – diferença entre admissões e demissões – em maio,  caiu 331 mil, se comparado a  902 mil em abril. O estoque de empregos – número de pessoas com carteira assinada – foi de 37,7 milhões em maio, muito baixo se considerarmos a força de trabalho de 106 milhões, isso significando que mais de 68 milhões de pessoas estão desocupadas de alguma forma – os informais, os subutilizados,  os que desistiram de procurar emprego, e os desempregados que já são cerca de 13 milhões. O total dos que estavam fora da força de trabalho é recorde na série histórica iniciada em 2012.

Em todos os estados da federação o número de desligados foi maior que o dos novos empregados, com exceção do Acre, onde se registraram 130 contratações. 

ADMISSÕES E DESLIGAMENTOS (MAIO 2020)
PAÍS/REGIÃO ADMITIDOS DESLIGADOS  SALDO QUEDA(%)
BRASIL 703.921 1.035.822 -331.901 0,87
NORTE 30.949 41.100 -10.151 0,58
NORDESTE 85.853 136.125 -50.272 0,82
  PARAÍBA 4.497 7.902 -3.405 0,85
SUDESTE 369.953 550.419 -180.466 0,92
SUL 145.186 223.853 -78.667 1,10
CENTRO OESTE 71.649 84.274 -12.580 0,39

Na Paraíba, os números negativos mais importantes, acima de 100 empregos perdidos, ficaram com os municípios de João Pessoa (-2.123), Campina Grande (-568), Cabedelo (-201) e Patos (-159). 

Campina Grande que em abril experimentara a perda de 1.732 empregos, teve esse número reduzido para 568, como dissemos.

No mês passado, pelos setores da economia, registraram-se perdas – O setor comércio/serviços é, sem dúvida, o mais atingido:

  • Na indústria de transformação 🡪 – 94.236
  • Na construção civil 🡪 – 18.758
  • No comércio e serviços 🡪 – 232.218

Já na agricultura/pecuária o saldo foi positivo + 15.993.

O salário médio de admissão em todos os setores foi de R$ 1.731,33, ou 65% acima do salário mínimo.

Ao lado do enfrentamento da grave situação de saúde pública, com seus efeitos nocivos sobre todo o corpo social, a retomada dos níveis positivos de emprego é tarefa também urgente, pois população sem trabalho não gera renda e os benefícios emergenciais do governo não devem continuar indefinidamente.

Lembremo-nos, também, que mesmo com a economia se estabilizando depois das quedas no PIB que acompanham a crise – as previsões são de crescimento negativo acima de 6% em 2020 – teremos um longo período até que a capacidade ociosa das empresas venha a ser preenchida e que as atividades voltem à normalidade.

Pode ser um refrão repetitivo, enfadonho: ou o Brasil todo, sociedade e poderes da república, se une em torno dos mais sérios problemas nacionais ou não seremos capazes de vencer o estado de coisas que infelicitam a nação e, principalmente, os mais necessitados. Acorda Brasil!

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Economista.

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