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Arlindo Almeida: O Brasil de hoje e o amanhã

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 2 de outubro de 2019 às 12:45

Paraíba Online • Arlindo Almeida: O Brasil de hoje e o amanhã

Em momentos de tantos desencontros e falta de informações corretas sobre o que acontece em nosso país, é necessário trazer um pouco de luz sobre os problemas que nos afligem.

Muito se tem discutido acerca de questões conjunturais, de momento, verdadeiras ou falsas, que constituem uma espécie de cortina de fumaça que impede uma visão ampla e clara do que ocorre no Brasil.

As estatísticas, favoráveis ou desfavoráveis, são como que as duas faces de uma mesma moeda.

Mas vamos, primeiramente, aos números desfavoráveis que retratam o longo período de baixo crescimento econômico (ou mesmo recessão).

1º PIB – Que em 2018 alcançou R$ 6,827 trilhões, nos últimos anos apresentou resultados extremamente baixos ou negativos. 2014 🡪 -0,3%; 2015 🡪 -4,4%; 2016 🡪 -4,1%; 2017 🡪 0,3% e 2018 🡪 0,3%. Na comparação internacional, mais de 90% dos países do mundo apresentaram crescimento econômico maior que o do Brasil durante o período 2011-18. Em 1994 o PIB do Brasil estava logo abaixo do da China. Hoje a China está abaixo apenas dos Estados Unidos, muito longe de nós.

2º INDICADORES DE INVESTIMENTO – Tomando-se por base o ano de 1992 = 100, o investimento em bens de capital em julho de 2019 era de 84,5%. Num período de 27 anos reduzimos o investimento em 15,5%. A taxa de investimentos média durante o período 2010-2014 foi de 20,5% do PIB. Porém, com a recessão que se iniciou no segundo trimestre de 2014 e foi até o fim de 2016, a taxa de investimento caiu para 15,5% no primeiro trimestre de 2019. Em 2018, muitos países de todos os tamanhos econômicos   apresentaram taxas de crescimento do investimento maiores que o Brasil.

3º FORÇA DE TRABALHO – O Brasil mostrou, em julho deste ano, um total de 170,975 milhões de indivíduos em idade de trabalho. Tinha 93,584 milhões de empregados + 12,569 milhões desocupados, que totaliza uma força de trabalho de 106,153 milhões, correspondente a 62,09% das pessoas em idade de trabalhar.

4º RENDIMENTOS DO TRABALHO – Em janeiro de 2018 o rendimento médio dos trabalhadores em geral foi de R$ 2.281,00, ante R$ 2,286,00 em julho de 2019. Crescimento nulo.

5º DÍVIDA PÚBLICA GERAL – Em julho atingiu R$ 5,540 trilhões, com os ajustes efetuados pelo Banco Central; isso significa 81% do PIB. Aplicando-se a essa dívida a taxa básica de juros (SELIC), significa R$ 304,7 bilhões em um ano.

Mas, como para todos os dados e argumentos, temos sinais, perspectivas de interrupção do atual estado dos indicadores, passando o país a experimentar novo ciclo de crescimento do PIB, se bem de que forma lenta nos primeiros anos.

1º PRODUÇÃO INDUSTRIAL – O índice em 2012 era 100. Em janeiro de 2018 era 77,69% evoluindo para 93,4% % em julho. A utilização da capacidade instalada da indústria passou de 92,25% para 94,68, chegando, teoricamente, ao limite, apontando para a necessidade de novos investimentos. As vendas da indústria passaram do índice de 68,95 para 82,46, as horas trabalhadas de 74,19 para 80,18.

2º INVESTIMENTO EM MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO – evoluiu de 68,9 para 77,5 pontos. Índice em 1992=100.

3º PRODUÇÃO DE PETRÓLEO BRUTO, cujo índice em 2012 era 100, passou de 129,73 para 136,82 entre janeiro e julho de 2018, enquanto GÁS NATURAL de 163,01 para 178,79 nesse período.

4º INFLAÇÃO – está baixa, sob controle, dentre outros fatores em função da demanda ainda insatisfatória. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor, subiu 3,97% em doze meses. Com a retomada do emprego e consequente elevação da taxa de crescimento do PIB é possível que a inflação experimente algum crescimento, mas dentro de faixas razoáveis.

5º O AGRO NEGÓCIO –  o Brasil, foi o país que teve maior crescimento em produtividade na agricultura nos últimos 30 anos e 58% desse resultado é atribuído à tecnologia, 15% à terra e 15% ao trabalho.

Segundo os estudos do Ministério da Agricultura e Abastecimento, a previsão é de um aumento, até 2026, de 24,2% na produção de grãos, estimada em 241 milhões de toneladas na safra 2018/19, e um aumento de 17% na área plantada, passando dos atuais 60 milhões de hectares para aproximadamente 70 milhões de hectares

6º ÍNDICE DE ATIVIDADE DO BANCO CENTRAL – Partindo de uma base = 100 em 2002, passamos de 132,16 em janeiro de 2018 e 142,95 em julho de 2019. Mostra que a engrenagem da economia está se movimentando no sentido positivo.

Pelos números apresentados, nota-se uma tímida retomada do crescimento de nossa economia, sendo necessária a aprovação de medidas como reforma tributária, reforma da previdência, nova política industrial, desburocratização, sem esquecer a política, origem de muitos males.

Releva perseguir um novo pacto que melhor distribua as receitas dos entes federativos, hoje com mais de 70% destinados ao governo federal.  Só para ter uma ideia, em 2013, as transferências a título de repartição de receita para os estados foram da ordem de R$ 181,895 bilhões, valor reduzido para R$ 162,748 bi em julho de 2019 (redução de 10,53%). Na Paraíba, a redução foi de R$ 5,599 bilhões para R$ 4,836 no mesmo período (menos 13,63%).

Além desses problemas, o Brasil, uma das dez maiores economias do mundo, pelas suas imensas riquezas naturais é submetido a pressões de todo tipo de alguns países, sejam veladas ou ostensivas, sempre mascaradas pela defesa do meio-ambiente ou do futuro do planeta. Nunca nos esqueçamos de que, na virada do século 20, os europeus retalharam a África no auge do colonialismo e os resultados estão bem visíveis. Restou miséria, fome.

Só como exemplo. Hoje, de olho na riqueza, Canadá, Estados Unidos, Noruega, Rússia, China e Groenlândia estão investindo em expedições científicas, propaganda, pressão militar e discussão diplomática para dividir as riquezas do Ártico onde, debaixo do gelo, há petróleo suficiente para encher 83 bilhões de barris, o triplo do estimado para o pre-sal brasileiro. Tem também gás natural para abastecer o planeta por 14 anos. Isso dá ao Ártico 20% dos combustíveis fósseis ainda não explorados no mundo. E não para por aí: há minérios como ferro, carvão, urânio. E ouro. E diamantes.

Num ambiente geopolítico mundial onde as verdadeiras intenções são disfarçadas, é necessário que os brasileiros nos unamos em torno dos nossos verdadeiros interesses:  desenvolvimento, justiça social e soberania.

Que haja divergências é próprio da democracia, mas nunca perdendo a perspectiva de construção de um futuro diferente.

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