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Arlindo Almeida: Novos números – PIB das regiões e da Paraíba

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 27 de novembro de 2019 às 11:17

Foto: Paraibaonline

O auge da crise que se abateu sobre a economia nacional ocorreu em 2015 e 2016, quando a queda do nosso Produto Interno Bruto foi de 3,5% e 3,3%, respectivamente, o que quer dizer algo próximo dos 7% em valores acumulados. Retrocedemos, voltamos, mais de quatro anos.

Segundo dados divulgados recentemente pelo IBGE, em parceria com Órgãos Estaduais de Estatística, Secretarias Estaduais de Governo e Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), em 2017 o PIB nacional cresceu em volume 1,3% em relação a 2016, evidentemente, não recuperando as perdas apontadas.

Uma cautela fundamental quando tratamos de valores médios – como os do PIB do país – é de que tais números podem referir-se a conjuntos cujos valores extremos são muito diferentes, não explicando a variância entre eles. Por exemplo, se eu ganho 2 reais e você 20 reais, temos 11 reais de ganho médio. 

Descendo ao nível de detalhe, 18 unidades da federação tiveram variações médias superiores à média nacional, começando pelo Mato Grosso com 12,5% e vindo até o Ceará com 1,5%. A média desses entes federativos foi de 3,91%; 6 estados tiveram um crescimento médio de 1,24% a partir de zero:  Rio Grande do Norte (0,5%), Espírito Santo (0,4%), Distrito Federal (0,4%), São Paulo (0,1%) Acre (0,1%) e Bahia (0%). E três estados com queda no PIB, ficando abaixo de zero: Paraíba (- 0,1%), Sergipe (-1,1%) e Rio de Janeiro (- 1,6%).

O Rio de Janeiro foi o único estado a ter variações negativas nos três setores básicos da economia: Agropecuária (-2,0%), Indústria (-3,1%) e Serviços (-1,5%). Já a Paraíba deve grande parte de seus resultados negativos à retração da Indústria, em função do setor de Construção, com queda de -11,2%.

Paraíba Online • Arlindo Almeida: Novos números - PIB das regiões e da ParaíbaAs médias nacionais, até certo ponto, deixam de levar em conta as desigualdades entre regiões e dentro das regiões. O Nordeste com 27,57% da população nacional, tem um PIB correspondente a apenas 14,5% do total do Brasil, isto é 52,59% da média nacional.  A Paraíba está em situação pior: com 1,94% dos habitantes do país, temos uma participação de 0,9% do PIB, que corresponde a 46,39%, menor, portanto, que a metade da média nacional. 

Essas desigualdades ocorrem desde há muito tempo. Por exemplo, estatísticas do final da década de 50 mostram que o Nordeste tinha uma participação de 12,5% do PIB nacional e a Paraíba cerca de 1,75%, hoje reduzida a 0,9%. O pior é que a participação da Paraíba sobre o PIB regional, que era de 10%, reduziu-se a 6,54% em 2017.

Vamos aos números.

Paraíba Online • Arlindo Almeida: Novos números - PIB das regiões e da Paraíba

Nesse contexto de notórias assimetrias, em desfavor do Nordeste, a iniciativa dos Governadores dos Estados de nossa região de buscar investimentos de outros países, é muito importante, porém é insuficiente para vencer as desigualdades históricas; é urgente que se traga o Governo Federal para o centro das discussões. Afinal, o poder central concentra mecanismos de estímulo às atividades produtivas conferindo velocidade às políticas estabelecidas de comum acordo. Os incentivos fiscais, as regras de segurança jurídica dos contratos, o aval para possíveis financiamentos de instituições financeiras mundiais de fomento – Banco Mundial, BID, etc., passarão, certamente, pelo Governo Federal.   

A feliz providencia dos Governadores deve ser ampliada. Temos que repensar o modelo integrado de desenvolvimento regional com o revigoramento, por exemplo, da SUDENE, onde as demandas dos Estados possam ser colocadas, recebendo um tratamento estratégico em face do diversificado potencial de cada unidade federativa. É muito bom que o Nordeste rompa os grilhões do atraso a que condenado, apesar da luta dos que aqui vivem, integrando-se, definitivamente, na modernidade, no desenvolvimento e na justiça social.

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