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Arlindo Almeida: Novos caminhos de Campina (1)

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 9 de dezembro de 2020 às 8:37

Após a escolha do novo Prefeito de Campina Grande, é momento de trazer à mesa de discussões o que deveria ter sido feito e não o foi, por falta de uma visão estratégica do desenvolvimento do município, tornando-nos reféns de incertezas.

Numa atitude pragmática, o que precisamos fazer agora é virar a página, aprender com os erros e olhar em frente.

Os assuntos que hoje tratarei já foram motivo para artigos anteriores, mas continuam atuais.

Com efeito, vai longe o tempo em que Campina Grande representava cerca de 40% do Produto Interno Bruto da Paraíba, sendo responsável por 50% da arrecadação tributária do estado. Isso mudou, e muito: perdemos em dimensão econômica e hoje temos metade do PIB da capital.

Campina Grande, que já foi o 23º município do Brasil em importância econômica, líder no Nordeste, ocupa hoje pálida posição dentro mesmo da nossa Região. O crescimento percentual do nosso PIB entre 2002 e 2016 foi o menor entre dez cidades importantes – não capitais – corroborando o que aqui se diz. Enquanto, no período, Petrolina cresceu 733%, Campina Grande ficou na última posição com 369%, a metade da taxa daquele município pernambucano. Acima de Campina Grande ficaram, em ordem crescente, Cabedelo (483%), Guarabira (487%), Nova Cruz – RN (489%), Feira de Santana (504%), Caruaru (525%), Arapiraca (525%), Juazeiro – CE (555%), Picos – PI (603%) e Santa Cruz do Capibaribe (613%).

É urgente pensar o futuro de Campina Grande de forma holística, global, e não de forma fragmentada.

Comecemos com um estudo recente elaborado pela empresa MACROPLAN, dirigida pelo economista campinense Cláudio Porto, um Plano Estratégico de Desenvolvimento, bancado pela SUDENE e Federação das Indústrias do Estado da Paraíba, que custou cerca de R$ 1,5 milhão. O importante documento, foi deixada de lado.

Mas os problemas de Campina Grande não se esgotam no desprezo pelo planejamento estratégico das ações de Governo. Muita coisa do dia a dia, o trivial simples, atrapalha a vida do cidadão.

Vejamos alguns, que têm sido foco de muitos comentários, nossos e de pessoas bem mais qualificadas, que dão força aos argumentos:

1º – Degradação das áreas centrais da cidade. Quem vê alguns álbuns com fotografias antigas de Campina Grande, fica entristecido com a beleza perdida. São construções malconservadas, como o antigo Fórum Afonso Campos, a Praça Clementino Procópio (hoje antro de marginais), as Secretarias de Finanças/Administração com pichações que também se repetem na Recebedoria de Renda, nos Correios, etc. A Praça da Bandeira se tornou um local inóspito, e o Calçadão da Cardoso Vieira cortado por um esgoto a céu aberto que exala odores nada agradáveis, fruto do uso de pessoas que pernoitam no local sem um sanitário público que possam usar. Por sinal, não existe um só sanitário público em Campina Grande.

Sem falar do estado das calçadas e meios-fios, ruas esburacadas um perigo para os carros e transeuntes, em qualquer das vias do centro. Exemplo da Rua Padre Ibiapina, nas quais a passagem de pedestres se tornou inviável tal o estado das calçadas (sic).

2º – O trânsito de autos é caótico em certas horas do dia e não se vê um só funcionário da STTP para orientar motoristas e pedestres. Mas a indústria de multas continua de vento em popa, enchendo-se a cidade de faixas e câmeras que não resolvem o problema – dar fluidez na movimentação.

3º – A Guarda Municipal, se ainda existe, está desaparecida. Não se vê um só componente da entidade nos pontos em que a simples presença já inibiria a ocorrência de delitos menores.

4º – A Feira Central, que durante muitas décadas foi um símbolo de Campina Grande, está abandonada, com passagens cada vez mais estreitas, dificultando o vai e vem de pessoas e de carrinhos de mão com mercadorias, sem um sistema de segurança (policiamento) para o frequentador da feira, sem uma unidade do Corpo de Bombeiros que possa evitar (ou minimizar) a ocorrência de um incêndio como já aconteceu em muitos lugares no Brasil e no mundo, sem um posto médico para prestar primeiros socorros. Vimos, agora mesmo, por falta de manutenção, a queda de parte da estrutura metálica e da cobertura, mas, mesmo assim, é palco de shows artísticos como se estivéssemos no melhor dos mundos possíveis.

5º – São conhecidos os pontos de alagamento, quando ocorre uma chuva de médias proporções. São os mesmos, atrapalhando/impedindo a passagem de veículos e do cidadão. Como exemplos clássicos citamos: Rua Severino Cruz, girador no início da Vigário Calixto e, na mesma Avenida, em frente ao Shopping Sebrae, Rua Almeida Barreto, Avenidas Assis Chateaubriand, Juscelino Kubistchek e Vigolvino Wanderley.

6º – Uma questão que veio para ficar e é de interesse geral em nosso país, é a mobilidade nos nossos centros urbanos, seja nas grandes metrópoles ou nas cidades de menor porte. É um processo em continua evolução.  Se no princípio se falava sempre em mobilidade urbana tratando do transporte, da locomoção, hoje novos valores são agregados pela ideia de equidade entre os cidadãos e não apenas dos que usam veículos de qualquer natureza. O veículo transportador não deve ser, nunca, o foco principal, este é o cidadão, é a mobilidade humana.

7º – Não poderíamos terminar sem fazer uma breve observação sobre o Complexo Aluizio Campos, afastado do centro de Campina Grande e trazendo complicações de mobilidade humana. A população do Aluizio Campos se aproxima do total de habitantes da zona urbana de Esperança. Para não chorarmos futuramente sobre o leite derramado, é indispensável que os futuros dirigentes pensem o Aluizio Campos de forma diferente, uma junção de partes importantes – emprego/renda, qualidade de vida, bons serviços, segurança, etc. –  que busque entender os fenômenos por completo, inteiramente, e não apenas um lugar para habitação de pessoas.

As boas técnicas de planejamento, aqui e no mundo inteiro, indicam a necessidade de adensamento das cidades dentro de parâmetros razoáveis, evitando-se o desperdício de recursos públicos já aplicados em infraestrutura de áreas tradicionais, em que as economias de aglomeração e uma rede de serviços e de geração de empregos estejam próximas. Por que não levar aos bairros mais populosos centros de concentração de serviços públicos e privados que evitem a necessidade de deslocamentos das pessoas para o centro ou bairros distantes?

Existem outros problemas que poderiam ser acrescentados a estas palavras. É uma colcha de retalhos que precisa ser bem cosida.

A esperança é o que o Prefeito Bruno Cunha Lima adote práticas diferentes, planejando-se a cidade como um conjunto harmonioso, através de especialistas ao invés do improviso que temos assistido. Credenciais não lhe faltam. Não é mais o candidato dos que o elegeram, mas de toda a sociedade campinense.

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