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Arlindo Almeida: Guerra com outras armas

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 13 de maio de 2020 às 18:41

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou em 07 deste mês informações socioeconômicas e demográficas com o objetivo de assistir no enfrentamento da COVID-19.

É um documento muito importante, mostrando a nossa capacidade de enfrentamento da pandemia que assusta. Os dados podem ter sofrido alterações entre o início e finalização da pesquisa, que é uma “fotografia” do momento.

Diz o IBGE “Quando se avalia os dados por estados, obtém-se uma visão dos grandes padrões regionais do país… e dentro de cada estado, as características não são homogêneas.

Comumente os padrões variam de acordo com as sub-regiões, pela situação rural ou urbana da população e pela posição da cidade na rede urbana: os indicadores de uma metrópole são diferentes dos indicadores de uma capital regional ou de um centro local.

Na escala intraurbana, os indicadores têm grande variação entre uma área e outra da cidade, por exemplo, entre um bairro nobre e um bairro periférico ou um aglomerado subnormal.

Estão disponibilizadas as informações por Regiões de Busca a Serviços de Saúde de Baixa e Média Complexidade e os limites das Concentrações Urbanas com mais de 300 mil habitantes.

Esta abordagem ajuda a compreender melhor a disseminação do COVID-19 no território, bem como auxilia na construção de um desenho mais adequado de políticas para o seu enfrentamento.

  1. Regiões de Busca a Serviços de Saúde de Baixa e Média – A pesquisa levantou quais municípios ou concentrações urbanas são procurados pela população quando se desloca do município em que reside para atendimento à saúde.
  2. Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas – Os arranjos populacionais são formados por um conjunto de municípios, fortemente integrados, que do ponto de vista funcional, constituem um único espaço urbano. São definidos pela conurbação (junção de duas ou mais cidades) das áreas urbanizadas ou pelo deslocamento cotidiano para trabalho e estudo. As concentrações urbanas são constituídas pelos arranjos populacionais ou por municípios que não fazem parte de arranjos, com mais de cem mil habitantes.

A pesquisa do IBGE mostra como estamos preparados, qual a nossa estrutura para enfrentar o grave problema.

Para facilitar o entendimento dividimos, em tabelas simples, de abrangência estadual, os mais importantes indicadores em quatro grupos de 100 mil habitantes, a saber: a) número de médicos; b) número de enfermeiros; c) respiradores; e d) número de leitos de UTI.

  1. Médicos por 100 mil habitantes
Maranhão 81
Paraíba 155
Distrito Federal 338
MÉDIA – BRASIL 162
Santarém – PA (*) 58

                            (*) pior – abaixo de 80

  1. Enfermeiros por 100 mil habitantes
Pará 76
Paraíba 149 (*)
Distrito Federal 198
MÉDIA – BRASIL 119
S. do Bonfim -BA (**) 51

                   (*) Acima de São Paulo com 143

                   (**)     pior – abaixo de 70

  1. Número de respiradores por 100 mil habitantes
Amapá 10
Paraíba 21
Distrito Federal 63
MÉDIA – BRASIL 25
Bacabal-PA (*) 1,62

                                       (*) pior – abaixo de 4

  1. Número de leitos de UTI por 100 mil habitantes
Roraima 4
Paraíba 12
Distrito Federal 30
MÉDIA – BRASIL 12
(sem leitos – UTI) (*)

(*) Zero: No Ceará – Canindé, Itapipoca, Limoeiro do Norte e Russas

Em Pernambuco – Vitória de Santo Antão; Na Bahia: Senhor do Bonfim e Valença.

Cumpre-nos, porém, chamar a atenção para um fato inescapável que, de certa forma, guarda relação com nossa situação atual. A má gestão dos recursos públicos no país.

O dinheiro desviado no Brasil para finalidades menos nobres nos últimos anos, certamente, se aplicado em saúde, poderia nos ter levado a números mais confortáveis.

Roubos na construção de estádios (cujo único saldo foi o amargo 7×1), na realização de Olimpíadas, na construção de refinarias de petróleo inconclusas (Abreu e Lima opera a 35% da capacidade) ,  em ferrovias inacabadas, financiamento a outros países para obras que não diziam respeito ao Brasil, compra da refinaria de Pasadena e tantas outras objeto da Lava Jato, todos, sem exceção, fonte de dinheiro para o bolso dos ladrões.

Há uns 2.500 anos, o estrategista chinês Sun Tzu (544-496 a.C.) escreveu a Arte da Guerra, onde afirma: “Se você conhece o inimigo e a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas”. Cabe, então, perguntar: estamos preparados para esta guerra? Conhecemos o nosso potencial? Sabemos do tamanho do inimigo?

As avaliações sobre os números aqui apresentados, se são os adequados, fogem ao nosso domínio, é coisa para especialistas: médicos e de outras profissões ligadas ao tema. Chega da opinião de leigos que só transmitem suposições e boatos que causam verdadeiro pavor; a desinformação enfim!

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Economista.

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