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Arlindo Almeida: Discussões tão antigas e tão novas

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 3 de fevereiro de 2021 às 17:45

É uma discussão antiga, que reaparece vez por outra e logo é esquecida. É o caso da queda de importância de Campina Grande no contexto da Paraíba. Isso não apenas no aspecto político, mas também no econômico. E isso é altamente prejudicial a todo o nosso Estado.

Antes, até o início de década de 70, a política e a economia da Paraíba, passavam por Campina Grande, beneficiando todas as comunidades polarizadas pelas mesorregiões do Agreste, da Borborema e do Sertão, que totalizam 193 municípios. A outra mesorregião do Estado é a da Mata, com 30 municípios. Apenas Campina Grande era responsável por 1/3 do PIB da Paraíba. Segundo o IBGE, “mesorregião é uma subdivisão dos estados brasileiros que congrega diversos municípios de uma área geográfica com similaridades econômicas e sociais.”

Há quase dez anos (*), mostrávamos que houve uma rápida concentração em torno da mesorregião (zona) da Mata que já concentrava 53,48% do PIB estadual, ante uma população correspondente a 36%.

Pelo menos dois fatores podem ser apontados para esse estado de coisas: 1º. Falta de uma política de descentralização da economia; 2º. Certo descaso das autoridades locais, não se unindo e reivindicando um tratamento diferente diante das desigualdades.

A antiga lei de incentivos fiscais da Paraíba, instituída quando o Senhor Cícero Lucena era Governador, possibilitou a instalação de importantes empreendimentos industriais no interior, como a Coteminas em Campina Grande. Os incentivos eram diferenciados dependendo da localização; quanto mais para o interior maior era o percentual de redução do ICMS. Com o decorrer do tempo essa legislação foi sendo mudada e o interesse dos empreendedores voltou-se para a Zona da Mata, já que os estímulos para localização passaram a ser o mesmo em todo o território da Paraíba e o litoral tem um poder de atração bem maior.

Hoje, cotejando os últimos dados disponibilizados pelo IBGE, constata-se que apenas nove municípios da Zona da Mata – João Pessoa, Cabedelo, Bayeux, Conde, Santa Rita, Alhandra, Caaporã, Pedras de Fogo e Pitimbu, com uma população de 30,5% do total do estado, concentram 46,52% do PIB. Essa Mesorregião, hoje, representa cerca de 60% do PIB total.

Outro aspecto de relevância é o descaso das autoridades locais em lutar pelos nossos justos direitos, propondo medidas, sentando à mesa de negociação com os dirigentes estaduais, mostrando a nossa competitividade em segmentos nos quais temos potencial econômico, que, se bem aproveitados, serão geradores de emprego e riqueza.

Faltou-lhes o senso de oportunidades, o despir o manto arrogante do não querer dialogar. O que vimos, infelizmente, sempre foi uma disputa política sem fim. Os de Campina Grande recusando o diálogo com o Governador, por esse ser de outra corrente política. E o troco foi o mesmo: não ouvir os interlocutores de Campina por interesses partidários. E nessa queda de braço infinda, perdeu Campina, perdeu a Paraíba.

Mas, em meio a tudo isso, é merecedor de destaque o alto poder de resiliência de Campina Grande, mostrado nos números sobre a geração de empregos em 2020. Do emprego gerado no Brasil (142.690), Campina Grande foi responsável por 5.152 novas colocações, com variação relativa de + 7,27%, em relação ao ano anterior; com 0,2% da população do país, nosso município apresentou 3,61% do total. Campina Grande, também, compensou a perda de 3.530 empregos em João Pessoa que teve variação negativa de 2,06%.

É um bom ponto de partida para nosso município empreender ações propositivas.

É essa a herança do Prefeito Bruno Cunha Lima, recém empossado, que não tem culpa nesse cartório. Que ele aja como Salomão na sua adolescência, pedindo sabedoria. Ele tem uma oportunidade única de mudar esse status quo, de dar uma lição que frutifique, recolocando Campina Grande no devido lugar, antes ocupado. É sentar com o Governador e colocar as cartas na mesa com ampla participação da comunidade. É inaugurar uma política nova de atração de investimentos produtivos.

Prefeito! Muitas esperanças são depositadas em Vossa Excelência. Discuta amplamente com todos, independentemente das cores partidárias, pois cada uma delas é apenas parte de um espectro muito maior, o arco íris que reúne todas as cores.

(*) No Estudo “Desigualdades Regionais” – 2013. Do autor

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