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Arlindo Almeida: Complexo habitacional Aluízio Campos

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 30 de outubro de 2019 às 11:01

A poucos dias da sua inauguração formal, o complexo habitacional Aluízio Campos, com investimentos que se aproximam de quatrocentos milhões de reais, é realmente obra de muita importância, que beneficiará quase dezoito mil pessoas com aquilo que constitui o sonho de grande parte da população, a casa própria. Trará, com certeza, moradia decente para pessoas de média renda, numa pequena cidade dotada de infraestrutura urbana adequada, como escolas, postos de saúde, pontos comerciais, posto policial, iluminação pública, ruas asfaltadas, igrejas, etc.

Contudo, um projeto dessa magnitude não se resume apenas à moradia, sendo parte desejável de conjunto de soluções que não se esgotam com a entrega das residências. O Aluízio Campos não pode se transformar em um gueto que não se comunica com a cidade-mãe, como já vimos em outros pontos do Brasil. Lembremos do que aconteceu no Rio de Janeiro, em que um bairro – a Cidade de Deus –  criado para instalação de pessoas que habitavam em outras regiões, em condições precárias, que se tornou um problema para as administrações. A área foi palco de ocupações irregulares e transformou-se em antro de criminalidade.

Neste comentário procuraremos trazer um pouco de luz quanto às implicações decorrentes da instalação do complexo que necessita de muitas soluções para problemas ainda não considerados (ou não divulgados).

Organizado o território com as edificações residenciais e da rede de serviços, é preciso definir o fluxo de transporte de pessoas e bens através de meios que tragam ao pedestre, ciclista, passageiro dos transportes públicos, carros e motos, seu espaço no trânsito sem gerar conflitos e congestionamentos. Em segundo lugar a definição dos meios de transporte a ser utilizados.

Construído em área de confluência de duas estradas federais de intenso tráfego, com congestionamentos frequentes na rodovia que liga Campina Grande a Queimadas, o Aluízio Campos tem acesso precário para quem vem da direção norte; entra-se por uma via lateral em frente ao Parque de Exposição de Animais, para, em seguida, cruzar a BR 104 com pouca segurança. Qual a solução: um viaduto?

Para quem deseja acessar ao centro e demais bairros de Campina Grande, o percurso mais direto é através da Avenida Assis Chateaubriand que já enfrenta, hoje, frequentes congestionamentos. Será possível construir um novo acesso?

Resolvidos os problemas de acesso, é necessário definir quais os meios de transporte público a ser contemplados, pois a própria renda da população não permite o uso frequente de táxis ou alternativos. A antiga rede ferroviária, poderia ser utilizada para implantação do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), num percurso cujo trecho inicial teria 15 Km do Aluízio Campos até o Hospital da FAP. A linha férrea, cada vez mais deteriorada, atualmente corta a zona periférica, passando pelo distrito industrial, por áreas adjacentes ao centro e vai até o polo universitário, atendendo a hospitais. Já se falou nesse assunto, como anda a coisa?

A pergunta agora é: o que tem sido feito (ou deverá ser feito) para garantir emprego para muitas pessoas que irão habitar no conjunto?

É muito pouco pensar na instalação de negócios que se se resumam apenas em substituir o que vai deixar de existir em Campina Grande.  Seria “descobrir um santo para cobrir outro” na linguagem popular. Precisamos de investimentos que aumentem o PIB de Campina Grande.

A instalação do Distrito de Negócios anexo ao Aluízio Campos, como muito se tem falado, implicará em projeto que contemple infraestrutura como terraplenagem, abertura e pavimentação de ruas, rede de abastecimento de água e coleta de esgotos, energia elétrica, comunicações. Os investimentos serão altíssimos. Temos fontes para financiá-los? Existe um Plano Diretor e um Estudo de Viabilidade Econômica para o Distrito? Como atrair novos investidores?

Necessitamos, sim, de apoiar novos negócios, através do estímulo ao empreendedorismo e da capacitação, usando a ótima rede de instituições de reconhecida competência que atuam entre nós, como o Sebrae, os Sistemas das Federações da Indústria, do Comércio, da Agricultura, Empaer, as Universidades Federal, Estadual e Particulares. Como anda a articulação com esses parceiros especiais?

É justo reconhecer que muito se fez até agora, mas o Complexo Aluízio Campos é apenas o ponto de partida para um conjunto de soluções mais ousadas que não se esgota na temporalidade dos mandatos dos nossos governantes. É uma bela cobrança aos que pretendem governar os destinos de Campina Grande pelos próximos anos.

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